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Estratégia de Goiás no combate à ferrugem asiática da soja é referência nacional

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Agência Brasil

As estratégias de combate à ferrugem asiática adotadas por Goiás foram as mais efetivas entre os estados produtores. A avaliação foi feita pela pesquisadora Cláudia Godoy, da Embrapa Soja, durante reunião promovida pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), em Brasília. Além do vazio sanitário, o estado também implantou a chamada calendarização do plantio, limitando-o até 31 de dezembro.

O vazio sanitário busca reduzir a sobrevivência do fungo causador da ferrugem asiática durante a entressafra e, assim, atrasar a ocorrência da doença na safra. O vazio sanitário começou em Mato Grosso e em Goiás em 2006, sendo adotado nos anos seguintes nos demais estados.

Já a calendarização visa reduzir o número de aplicações de fungicidas ao longo da safra. Com isso, busca reduzir a pressão de seleção de resistência do fungo aos fungicidas.

Hoje, há três grupos químicos de produtos usados no controle da doença. Segundo relatos de produtores, dois já perderam a eficiência isoladamente, só sendo recomendados em misturas.

De acordo com a pesquisadora, GO e MT passaram a adotar a calendarização a partir de 2014, quando a Embrapa observou a queda da eficiência das estrobirulinas, um dos três fungicidas. Isso acendeu alertou para a necessidade de aumentar as estratégias de manejo da ferrugem.

“Mato Grosso ampliou o vazio e implantou a calendarização, fechando a janela de semeadura por instrução normativa, mas depois derrubou a instrução. Só em 2015 a instrução foi retomada definitivamente. Portanto, o primeiro estado a implementar a limitação no período de plantio foi Goiás”, diz a pesquisadora.

Por isso, acrescenta Cláudia, em Goiás não apareceram mutantes na última safra para o último grupo químico registrado, as carboxamidas. “A gente gosta de destacar Goiás porque foi o primeiro onde funcionou. Ao concentrar a semeadura, o produtor reduz a concentração de fungicida e atrasa o processo de seleção, que era a nossa hipótese, agora confirmada na prática.”

Apesar da comprovação, assinala a pesquisadora, a recomendação da Embrapa de limitar a janela de semeadura para atrasar o processo de resistência não está sendo adotadas nos demais estados.

Mudança no calendário

“Ficou provado que era efetivo fechar a janela, porque reduz o número de aplicação de fungicidas na safra, diminuindo a pressão para residência do fungo. Em Goiás, até agora, a frequência de mutação praticamente não encontrou mudança. O ideal seria que todos os estados tivessem feito isso em 2014. Mato Grosso do Sul, por exemplo, está implementando só agora. E esse calendário variou de estado para estado”, acrescenta.

Na avaliação do presidente da Aprosoja Goiás, Bartolomeu Pereira, valeu a pena apoiar a iniciativa junto com o órgão de defesa de Goiás. “Os produtores apoiaram a mudança no calendário de plantio pautados nas recomendações dos maiores especialistas da área, inclusive da Embrapa. Hoje estamos vendo na prática os benefícios desaa decisão e esperamos que os demais estados também adotem”.

Durante a reunião foi debatida também a possibilidade de criação de um calendário nacional para o vazio sanitário, que atualmente é definido por cada estado.

“O fungo evolui muito rápido. Passaram-se quatro anos desde que orientamos os estados a adotar o vazio. Não dá para esperar. Fechar a janela de semeadura é uma estratégia para reduzir o número de aplicações e tentar preservar os fungicidas. Vai complicar muito o controle da ferrugem daqui pra frente. Ainda não está tarde. Ainda temos ferramentas para controlar de forma rigorosa em todos os estados para conseguir preservar essas moléculas”, ressalta Cláudia.

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