Mundo rural, a fonte de vida contestada pela propaganda enganosa das ONGs globais

Gil Reis*

Infelizmente a maior parte do povo deste lindo e produtivo país não consegue compreender os benefícios oriundos do mundo rural. Todos fazem, quando o poder aquisitivo permite, três refeições diárias e alguns até lancham, mas não percebem que a manutenção de suas próprias vidas, através dos alimentos, deve-se à produção rural. Todos os demais atos de viver são adicionais. É trágico, porém, existem pessoas que acreditam que tudo nasce nas prateleiras dos supermercados. Grande parte da juventude foi contaminada por um ideário, pregado notadamente nas escolas e livros didáticos, que tentar fazer crer que os produtores rurais são milionários destruidores do planeta.

Mas, não fiquemos apenas na alimentação. Você leu algum livro em papel recentemente? A matéria-prima do papel é produzida no campo. Os seus sapatos e os bancos de couro de seus carros são bonitos e confortáveis? A matéria-prima são produtos do campo. Minha jovem e meu caro rapaz, a moda hoje é revolucionária e é, para a atual geração, muito bonita, duradoura e confortável – a matéria-prima de mais de 99% dos tecidos vem da área rural. Que tal meu caro fumante: o seu cigarrinho está gostoso? O Brasil é o maior exportador de fumo, plantado no campo, do mundo. Apesar de todas as campanhas contra o tabagismo, o nosso país não pode prescindir das divisas de tal exportação. Para a análise do que se produz na área rural, até hipocrisia vale – rsrsrs.

Os exemplos que citei são ínfimos em relação aos benefícios da área rural. A nossa produção rural é tão avassaladora que assusta os países do chamado ‘mundo civilizado’ representado pela Europa. A nossa produção rural é tão grande e importante que o “Reino Unido (UK)” criou um mecanismo denominado de ‘due dilligence’, que está contaminando a UE. Esse mecanismo foi criado para impedir a importação não do que é produzido em propriedades que desmataram ilegalmente, mas o que é produzido em regiões que possuem desmatamento. Não pretendo defender o desmatamento ilegal e sim ressaltar a hipocrisia da medida implementada por uma região que desmatou 93% de suas florestas. Está mais do que claro que a tal ‘due dilligence’ foi criada para a região amazônica.

O site ‘NEOAGRO’ publicou em 23 de julho de 2022 o artigo “A simplicidade da roça”, de autoria do amigo Luciano Vacari. Transcrevo partes:

 “Vivemos um tempo em que a idolatria personalizada está adoecendo a sociedade. A necessidade de encontrar um representante perfeito nos impede, muitas vezes, de valorizar o coletivo, a origem e aquilo que realmente importa e reflete nossa essência. Quer exemplo maior do que desvalorização do campo, das pessoas que vivem nas roças, dos produtores rurais?

É muito cômodo culpar o agronegócio pelas crises ambientais, pelo desmatamento ou por qualquer outra mazela mundial, sem olhar o processo como um todo. O campo trabalha para atender as necessidades que surgem nas cidades, a demanda por produtos em larga escala não vem das fazendas ou dos pequenos municípios, mas dos grandes centros urbanos, onde a demanda por comida, fibras e energia é crescente e não há espaço nem meios para produção.

Além disso, de acordo com publicação recente da FAO, “a pandemia, a interrupção das cadeias de suprimentos internacionais e a guerra na Ucrânia interromperam severamente os mercados interconectados de alimentos, combustíveis e fertilizantes”. Com isso, segundo o levantamento, em junho de 2022, o número de pessoas que sofrem de insegurança alimentar severa era de 345 milhões em 82 países.

A história do Brasil não foi escrita nas cidades, mas no campo’’

E não é só de fome que estamos falando, porque infelizmente quando isso não atinge a pessoa, parece que deixa de existir e muitos não conseguem ver a importância que a agropecuária tem na produção de alimentos. Mas também é da roça que vem o algodão que veste as pessoas, o insumo para fabricar a cerveja, a matéria-prima para produzir o etanol, os óleos vegetais para produzir um cosmético.

A diversidade de produtos que tem sua origem no campo, seja na agricultura, na pecuária ou nas florestas, é infinita e não pode ser ignorada. Quando uma escola ensina que a agricultura está destruindo o meio ambiente, é preciso justamente explicar que existem formas de produzir sustentavelmente, conservando a biodiversidade e gerando emprego e renda. Mais do que isso, é preciso destacar que a grande parte dos produtores rurais trabalha em acordo com a legislação ambiental.

O ilegal, o destruidor do meio ambiente não pode ser o representante de quem produz, de quem investe em sistemas alimentares eficientes e em tecnologias inteligentes para produzir cada vez mais, em menos áreas. E o Brasil é o maior exemplo disso. Nos últimos dez anos, a produção de grãos aumentou 60%, passando de 162 milhões de toneladas na safra 2010/2011 para 260 milhões de toneladas na safra 2020/2021.

Paralelamente, a ocupação de área pelas lavouras cresceu somente 21%. Este fenômeno acontece porque a produção aumentou 500 quilos por hectares (kg/ha) neste período, passando de 3.266 quilos por hectare para 3.790 kg/ha.

Esta semana recebi de dois amigos sua nova música de trabalho, “É da roça que sai”, que busca justamente aproximar o campo e a cidade, mostrar de onde vem o alimento, a energia e a roupa que vestimos. Para aqueles que podem, a picanha do churrasco, o arroz e o feijão, o malte da cerveja ou o etanol do veículo. Enfim, tudo tem origem lá na roça, onde todo mundo tem um parente, para onde muitos querem voltar e onde, inacreditavelmente, muitos tentam se distanciar.

Como sempre, o artigo do Vacari é didático e educativo, trazendo, com muita simplicidade, verdades que muitos teimam ou fingem esquecer. O artigo ‘A simplicidade da roça’ traz de volta a simplicidade que muitos brasileiros perderam ao longo da história. A história do Brasil não foi escrita nas cidades, mas no campo. A contaminação promovida pelos colaboracionistas e ONGs internacionais me faz lembrar do filme “Inocência Perdida’ (Tart), dirigido por Christina Wayne e lançado em 2001.

É preciso lembrar que o agro somente é pop na visão daqueles que o combatem. A produção rural é feita com sangue, suor, lágrimas e muitos sacrifícios. A produção rural padece da maior ingratidão que um setor da economia pode sofrer – a falta de reconhecimento de grande parte dos brasileiros que se deixam levar pelas propagandas enganosas enquanto alimentam a si mesmos e as suas famílias com o que o mundo rural produz.

*Consultor em Agronegócio

**Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do AGROemDIA

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