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Agricultura familiar de Mato Grosso vive situação de abandono, diz presidente do Sinterp

Um dos maiores polos agrícolas do Brasil, Mato Grosso vive uma situação contraditória no campo. Enquanto a agricultura empresarial é uma das principais produtoras de soja, milho e algodão do país, a agricultura familiar anda ladeira abaixo, segundo o presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Pesquisa, Assistência e Extensão Rural do Estado de Mato Grosso (Sinterp), Gilmar Brunetto. De acordo com eles, os agricultores familiares não estão tendo apoio do governo do estado. Em consequência disso, a produção familiar está caindo.

Em entrevista ao site VGN, Brunetto disse que enfrenta aquilo que classifica como “fundo do poço” na Empresa Mato-grossense de Pesquisa, Assistência e Extensão Rural (Empaer). Segundo ele, o cenário é marcado pelo desinvestimento, tentativas de venda do patrimônio e descaso com a agricultura familiar.

Neste contexto, afirmou Brunetto, o mais afetado é a população do estado, que hoje está cada vez mais dependente de importações para comprar alimentos essenciais na alimentação. Mato Grosso importa mais de 80% de alguns produtos básicos, como feijão, frutas, derivados do leite e de suíno. Apenas de farinha de mandioca, que poderia ser facilmente produzido no estado, MT importa 95% do que consome.

Com a população rural envelhecendo e a maioria dos pequenos agricultores arrendando terras para a “agricultura empresarial”, o presidente do Sinterp vê um cenário devastador para o campo em Mato Grosso.

“Chegamos ao fundo do poço. Começou quando no ano passado quando exoneraram o ex-presidente Ronaldo Loff. Eles exonerar assim, vamos dizer: ‘vai para casa’, de uma forma muito assim desrespeitosa aí. Daí entrou o Suelme, ex-secretário da Seaf no governo Pedro Taques. Na gestão dele na Seaf, ele não fez nada pela Empaer, absolutamente nada na época, porque tinha uma disputa por poder com o presidente da época. Ele assumiu e nós até depositamos uma certa confiança por conhecer a agricultura familiar, mas infelizmente lembro o que o deputado Wilso Santos colocou que que ele seria o coveiro da Empaer. Ele não está sendo ainda, mas ele ajudou.”

Brunetto também reclamou da situação da Empaer. “Hoje nós servidores temos um compromisso com a agricultura familiar do estado de Mato Grosso, um compromisso assim sacerdócio dos extensionistas com esta atividade e o que vemos hoje é um sucateamento da Empaer. Nós hoje temos no estado 324 servidores no total dos quais apenas 220 atua diretamente com o pequeno produtor. Se compararmos, por exemplo, o Distrito Federal tem 15 escritórios e a mesma quantidade de profissionais que a Empaer Mato Grosso. Então está claro o descompromisso deste governo com a agricultura familiar, que nunca esteve numa situação tão crítica igual agora.”

O presidente do Sinterp enfatizou ainda que a agricultura familiar vive um momento de precariedade no estado. “Dos 140 mil agricultores, temos mais de 113 mil vulneráveis agricultores vulneráveis. Vulnerável é aquele agricultor que não consegue acessar as políticas públicas, principalmente o crédito, porque ele não tem o CAR, o Cadastro de Ambiental Rural. Ele não tem autorização prévia de funcionamento, sem esses dois ele não consegue acessar o crédito. Por falta deste apoio governamental as áreas, principalmente de um tamanho acima de 100 hectares 150 e 200 hectares, no Baixo Araguaia, no Nortão, aqui em Rondonópolis, estão sendo arrendadas para o plantio de soja, milho e algodão. O produtor desmata o que pode dentro da legislação. Vamos dizer que ele arrendou 50 hectares, ele ganha 10 sacas por hectares, são 500 sacas de soja, ele passa a ter uma rendinha. Porém, a maioria desses agricultores, além de serem vulneráveis, são agricultores acima de 60 anos. O que que vai acontecer com esse agricultor? Ele seguramente vai vender essa propriedade para aquele que está arrendando e que é da agricultura empresarial.”

Imagem de Gilmar Brunetto: Youtube

Imagem de agricultor familiar: Agência Brasil/ECB

Clique aqui para ler a entrevista de Gilmar Brunetto na ín

tegra.

 

 

 

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