Gil Reis*
Como eu disse antes, incêndios nas diversas regiões nunca foram novidade. Desde que a grande mídia, escrita, falada e televisada começou a fazer cobertura, sempre em tom de novidade e catastrofismo como se fossem os maiores. Os temos acompanhados no nosso dia a dia desde o século passado. A novidade é que agora responsabilizam os seres humanos pelas alterações climáticas, não importa que vivamos em apenas 6% do planeta. A outra novidade é a citação, dependendo da situação do El Niño da La Niña.
O que não é novidade é a falta de prevenção de incêndios próximo às comunidades urbanas. Como Aceiros: faixas de terra sem vegetação ao redor das comunidades, propriedades, matas e estradas para interromper o avanço do fogo. O leitor já tomou conhecimento dessas providências? O que todos tem conhecimento vem através de matérias como a publicada pela Reuters, em 11 de fevereiro de 2026, “Calor recorde e incêndios devastadores marcam o início de 2026 no Hemisfério Sul”, assinada por Alexander Villegas e que transcrevo trechos.
“Da Argentina à Austrália e à África do Sul, o calor recorde e os incêndios florestais devastadores estão assolando o Hemisfério Sul no início de 2026, com cientistas prevendo que temperaturas ainda mais extremas podem estar por vir – e possivelmente outro recorde anual global – após três dos anos mais quentes já registrados. Em janeiro, uma onda de calor recorde atingiu a Austrália, elevando as temperaturas para perto de 50 graus Celsius (122 graus Fahrenheit), enquanto o calor e incêndios florestais catastróficos devastavam partes da América do Sul, incendiando áreas remotas da Patagônia argentina e matando 21 pessoas em cidades costeiras do Chile. Além disso, a África do Sul vem enfrentando os piores incêndios florestais dos últimos anos.
Os extremos estão ocorrendo mesmo com o mundo ainda sob a influência de resfriamento de um La Niña fraco, um ciclo climático marcado por águas mais frias no Pacífico central e oriental que começou em dezembro de 2024. Apesar desse fator moderador, as temperaturas estão atingindo recordes em vários locais. “Isso significa que o efeito das mudanças climáticas causadas pelo homem está superando a variabilidade natural”, disse o cientista climático Theodore Keeping, do Imperial College London e da colaboração internacional de pesquisa World Weather Attribution, especializado em pesquisas sobre incêndios florestais e calor extremo.
“À medida que entramos em uma fase neutra ou mesmo na fase El Niño, esperamos que a incidência de eventos de calor extremo em todo o mundo seja ainda mais amplificada”, acrescentou Keeping.
O El Niño normalmente tem o efeito oposto ao do La Niña, aquecendo o Pacífico central e oriental e aumentando as temperaturas globais. A previsão para este ano é de que a temperatura fique cerca de 1,46 graus Celsius (2,6 graus Fahrenheit) acima dos níveis pré-industriais, o que faria dele o quarto ano consecutivo com temperaturas superiores a 1,4 graus Celsius (2,5 graus Fahrenheit) acima dos níveis pré-industriais, de acordo com Adam Scaife, chefe de previsão de longo prazo do serviço nacional de meteorologia e clima do Reino Unido.
O tratado climático internacional de 2015, conhecido como Acordo de Paris, tinha como objetivo manter o aquecimento abaixo de 1,5 graus Celsius (2,7 graus Fahrenheit) acima dos níveis pré-industriais. “Se um El Niño de grande intensidade se desenvolver rapidamente em 2026, ainda é possível que 2026 seja um ano recorde”, disse Scaife. A Organização Meteorológica Mundial afirmou no mês passado que os últimos três anos foram os mais quentes já registrados.
FOGO SE ALASTRA DA FLORESTA ATÉ A ÁGUA
Embora a maioria dos incêndios florestais seja causada por atividades humanas, eles também são uma parte natural de muitos ecossistemas. O calor persistente, a seca e as temperaturas extremas, no entanto, estão transformando incêndios antes controláveis em eventos cada vez mais incontroláveis e destrutivos. Muitos ecossistemas não estão adaptados a condições tão quentes e secas, permitindo que os incêndios cresçam e se intensifiquem, muitas vezes causando danos permanentes, disse Keeping.
Os incêndios que devastaram o Parque Nacional Los Alerces, na Argentina, ilustram essa mudança, segundo a meteorologista Carolina Vera, do Centro de Pesquisas Oceânicas e Atmosféricas da Universidade de Buenos Aires.
O parque, considerado Patrimônio Mundial da UNESCO, abriga árvores com mais de 3.000 anos.
Autoridades locais determinaram que um raio causou o incêndio. Inicialmente, as chamas estavam sob controle. Mas Vera disse que uma onda de calor e ventos fortes fizeram com que o fogo se alastrasse por cerca de 20 km em um único dia, tornando-o o pior incêndio florestal na região em duas décadas. A região sofre com a seca desde 2008. As temperaturas durante as duas primeiras semanas de janeiro estiveram cerca de 6 graus Celsius (11 graus Fahrenheit) acima do normal.
‘Esses incêndios costumavam se extinguir sozinhos e faziam parte da dinâmica natural da floresta’, ‘Este é um exemplo de como as mudanças climáticas podem alterar um incêndio natural, pois aparentemente foi causado por um raio’, disse Vera.
Incêndios florestais irromperam na região sul do Chile no final de janeiro e se alastraram para a região metropolitana de Concepción, a terceira maior do país, destruindo centenas de casas e matando 21 pessoas em comunidades costeiras.
UM FUTURO REPLETO DE INCÊNDIOS
O calor recorde no sudeste da Austrália também alimentou os piores incêndios do país desde a temporada mortal de 2019-2020, quando 33 pessoas morreram.
O Hemisfério Sul aqueceu cerca de 0,15 a 0,17 graus Celsius (0,27 a 0,30 graus Fahrenheit) por década desde os anos 1970, em comparação com 0,25 a 0,30 graus Celsius (0,45 a 0,54 graus Fahrenheit) no Hemisfério Norte – principalmente porque seus vastos oceanos absorvem calor mais lentamente e devido ao derretimento da Antártida.
Manter essa adaptação é fundamental, incluindo a gestão da vegetação próxima às cidades pelas autoridades e o desenvolvimento de planos de evacuação eficazes, bem como o uso de materiais resistentes ao fogo pelas construtoras.
Os incêndios florestais estão causando danos econômicos crescentes. Um relatório de 2026 da corretora de seguros Aon (AON.N). Estima-se que as perdas globais seguradas por incêndios florestais cheguem a US$ 42 bilhões em 2025, um aumento em relação à média de US$ 4 bilhões anuais entre 2000 e 2024. Os incêndios de Los Angeles no ano passado foram os mais caros já registrados.”
Como sempre as autoridades e a maioria dos cientistas apaniguados da ONU possuem ‘visão em túnel’ ou seja encontraram um suspeito pelas alterações climáticas – o ser humano e deixaram de lado outras causas.
“Você criou o fogo e então pensou: ‘Ei, vamos ver para que serve esse troço. Beleza! … Não precisamos mais comer mastodonte cru! Quero o meu malpassado, por favor. Ah, merda, taquei fogo no Zé!’ — Opa, foi mal, Zé. Agora, você precisa descobrir como tratar uma queimadura. E como enfrentar alguém que goste de tacar fogo em outros zés e, talvez, queimar a aldeia. Quando menos se espera, você evoluiu e tem hospitais, tiras, controle climático e carne de porco por encomenda” – Nora Roberts na obra “Origem mortal”
*Consultor em Agronegócio
**Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do AGROemDIA

