Apesar de o governo federal ter anunciado uma proposta de acordo com algumas entidades do setor de transportes de cargas, os caminhoneiros mantêm a greve contra a alta do diesel, deflagrada na segunda-feira (21). Nesta sexta-feira (25), a categoria continua com bloqueios em várias estradas, afetando alguns portos, incluindo o de Santos (SP), o maior do país.
Os protestos têm causado preocupação em relação ao risco sanitário no país, já que o fornecimento de rações e o transporte de animais e cargas refrigeradas estão comprometidos.
Além disso, a paralisação dos caminhoneiros provocou desabastecimento em várias cidades do país. Postos estão sem combustíveis, e o transporte coletivo de grandes cidades, como São Paulo, foi reduzido nesta sexta.
Segundo a assessoria de imprensa da Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp), o fluxo de caminhões no Porto de Santos praticamente não ocorre e verifica-se redução nas operações de recepção e entrega de mercadorias pelos terminais, embora as operações de carga e descarga de navios continuem a ser realizadas.
No Porto de Paranaguá (PR), a última atualização é de que os protestos diminuíram o movimento de cargas em 27% ante o normal para esta época do ano. O terminal registrou uma queda nas exportações de granéis, ao passo que a importação de fertilizantes foi interrompida em berços de atracação em que o transporte da carga é feito por caminhões.
Na Via Dutra, principal eixo de ligação entre São Paulo e Rio de Janeiro, há ao menos quatro pontos de interdição, nos municípios paulistas de Jacareí, Pindamonhangaba e Lorena e nos fluminenses de Barra Mansa e Seropédica.
Na Anhanguera, que liga a capital paulista ao interior do Estado, há bloqueios tanto na chegada a São Paulo quanto na região de Limeira.
Há também manifestações na Fernão Dias, rodovia entre São Paulo e Minas Gerais. De acordo com a concessionária que administra a estrada, são 16 bloqueios ao longo da via, espalhados nos dois Estados.
A acordo feito pelo governo com representantes do setor de transporte de cargas, anunciado na noite de quinta-feira (24), após sete horas de reunião, prevê o congelamento do preço do diesel nos níveis anunciados pela Petrobras nesta semana, por 30 dias.
Em troca, os representantes dos caminhoneiros consultariam a categoria para suspender a greve por 15 dias.
Pelo acordo, o Congresso também votará um projeto de lei que estabelece um preço mínimo para o frete, os reajustes da Petrobras serão feitos a cada 30 dias – não mais diariamente— e a Contribuição de Intervenção do Domínio Econômico (Cide) sobre o diesel será zerada.
Ao anunciar o acordo, o governo fez questão de enfatizar que ele não alterará a política de preços da Petrobras e que a União compensará a estatal por eventuais perdas. A estimativa é de um custo da ordem de R$ 5 bilhões.
Da redação, com informações da Agência Reuters
