
Com o objetivo de resgatar a riqueza biológica nativa do bioma Pampa e ao mesmo tempo garantir boa produtividade pecuária, o projeto RestaurAPA inicia nesta sexta (26) o plantio de espécies de gramíneas nativas em duas propriedades rurais na Área de Proteção Ambiental (APA) do Ibirapuitã, na Fronteira Oeste gaúcha. Para isso, os técnicos do projeto realizaram a colheita de sementes de campo nativo do Bioma Pampa ocorrentes na região e semearam áreas piloto.
A ação de semeadura nas primeiras propriedades ocorre simultaneamente a técnicas de manejo que visam eliminar dos campos a gramínea invasora Capim-annoni (Eragrostis plana Nees), espécie exótica e de baixo potencial nutritivo, que ocupa parte dos campos do Bioma Pampa. O Projeto RestaurAPA é financiado pelo Fundo Global para o Meio Ambiente (Global Environment Facility), gerenciado pelo Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (Funbio) e executado pela Universidade La Salle (Unilasalle), em parceria com a Emater/RS e Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).
Para a colheita de variedades nativas, os técnicos isolaram por 80 dias uma área de 2,1 hectares em Santana do Livramento (RS). O ponto isolado foi escolhido por ser livre de Capim-annoni e rico em espécies nativas. Nesse local as gramíneas se desenvolveram até a fase reprodutiva, gerando sementes. Ao todo, 26 espécies estavam em fase de dispersão e agora devem enriquecer as áreas de campo atendida pelo projeto nas quais há pouca pastagem nativa. A ação, ainda que experimental, é importante para compreender a capacidade de germinação e estabelecimento das espécies nativas em áreas degradadas, explica o pesquisador Rafael Borges, da UniLaSalle, que estará acompanhado pela pesquisadora Mariana de Souza Vieira (UniLaSalle) e pelos engenheiros agrônomos Leonardo Guimarães (Emater/RS) e Biane de Castro (Uergs), durante a semeadura. A equipe ainda deve monitorar o desenvolvimento da vegetação pós-semeadura de forma experimental.
Entre as espécies nativas colhidas de alto poder nutricional, Mariana elenca as gramíneas: capim-melador-rasteiro (Paspalum pauciciliatum), capim-caninha (Andropogom lateralis), capim-rabo-de-lagarto (Mnesithea selloana) e a leguminosa pega-pega (Desmodium incanum). “O intuito desta ação foi justamente coletar as espécies ocorrentes em área em bom estado de conservação e transferi-las de uma área para outra sem qualquer tipo de seleção, e assim permitir que as espécies, e as proporções que elas ocorrem, fossem o mais próximo possível da composição original de um campo nativo bem conservado”, explica Mariana.
Em um levantamento inicial, o Projeto RestaurAPA registrou 329 espécies vegetais nos campos da APA do Ibirapuitã. Todas as propriedades atendidas apresentaram alguma incidência de Capim-Annoni.
RestaurAPA
O Projeto RestaurAPA conta com financiamento do Fundo Global para o Meio Ambiente (Global Environment Facility), sendo gerenciado pelo Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (Funbio) e executado pela Universidade La Salle (Unilasalle), em parceria com a Emater/RS e a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). São beneficiadas 20 famílias de pequenos e médios pecuaristas da Área de Proteção Ambiental (APA) do Ibirapuitã, que fica nos municípios de Santana do Livramento, Quaraí, Rosário do Sul e Alegrete.
Ao todo, 1.931 hectares receberão novos manejos agropecuários. Uma das atividades principais é o combate ao Capim-annoni, espécie exótica e invasora, que causa prejuízos para os produtores, além de dificultar a regeneração do campo nativo. Para acompanhar todas as novidades siga o perfil do Instagram oficial: https://www.instagram.com/restaurapa/.
