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 A fome como estratégia

Gil Reis*

 O estouro populacional em menos de 200 anos redundou na previsão da ONU de que chegaremos ao ano de 2050 com 10 bilhões de habitantes. Não sabemos, por enquanto, qual é a estimativa para a população mundial no final deste século. Diante disso, a União Europeia, onde alguns países padecem hoje de um crescimento populacional nunca visto, em virtude do movimento migratório, se uniu à ONU para traçar estratégias de autodefesa. A estratégia bem visível para a redução populacional é a fome. O instrumento utilizado é o ambientalismo, sabotando a produção de alimentos, que, segundo a doutrina, provoca o aquecimento global e as alterações climáticas. Os centros urbanos e as guerras são esquecidos propositalmente.

Para um melhor esclarecimento sobre o poder da fome, recorro ao artigo “A fome, ou mais propriamente carestia, é uma crise social e econômica acompanhada de má nutrição em massa, epidemias e aumento na mortalidade”, publicado na Wikipédia. Transcrevo trecho do texto:

“Apesar de muitos casos de fome em massa coincidirem com falta de suprimentos alimentícios regional ou nacional, fome também tem ocorrido por atos econômicos ou política militar de privar certas populações de alimentos o suficiente para garantir a sobrevivência. Historicamente, fomes têm ocorrido por causa de secas, falha de colheita e pestes, e também por causas criadas pelo homem como guerra ou políticas econômicas mal planejadas. Durante o século XX, um estimado número de 70 milhões de pessoas morreram de fome em todo o globo, dos quais um estimado de 30 milhões morreram durante a fome de 1958-1961 na China. Outros casos terríveis de fome ocorridos durante o século XX foram o desastre de 1942-1945 em Bengala e vários casos de fome na União Soviética, incluindo o Holodomor, o caso de fome em massa de Josef Stalin sofrido na Ucrânia entre 1932-33. Outros grandes casos de fome ocorreram pelo final do século XX, como o desastre no Camboja na década de 1970, a fome de 1984-1985 na Etiópia e a falta de comida generalizada na Coreia do Norte durante a década de 1990.

Nota-se que as fomes modernas são invariavelmente o resultado de políticas econômicas mal planejadas, fomes em massa causas de propósito para empobrecer ou marginalizar certas populações ou atos de guerra deliberados. Economistas políticos têm investigado as condições políticas que a fome pode ser prevenida. Amartya Sen demonstra que as instituições liberais que existem na Índia, incluindo eleições competitivas e imprensa livre, tiveram um papel significativo em evitar uma fome em massa neste país desde sua independência.

No início do século XX, fertilizantes nitrogenados, novos pesticidas, agricultura em desertos e outras tecnologias agrárias começaram a serem usadas como armas contra a fome. Entre 1950 e 1984, a revolução verde transformou a agricultura ao redor do mundo, em que a produção de grãos aumentou em mais de 250%. Mas esta revolução não funciona em área cujo problema da fome é a guerra ou problemas políticos.

No meio do século XXII antes de Cristo, uma repentina e curta mudança climática causou queda no volume de chuvas, resultando em décadas de seca no Egito. A fome e os problemas civis ocasionados acredita-se que tenha sido a causa do colapso do reino antigo. Um dos registos do primeiro período intermediário dizia ‘Todo o alto Egito está morrendo de fome e as pessoas estão comendo suas crianças’. Historiadores da fome africana documentaram vários casos na Etiópia e têm explorado os mecanismos tradicionais adotados pelas sociedades africanas para minimizar o risco e prover comida para os mais vulneráveis em tempos de crise.

Não é preciso ir muito longe na história para perceber que a fome provocada por fenômenos naturais é comum ao longo dos milênios. Naturalmente que as políticas humanas, com suas guerras e decisões desastrosas ou propositais, também contribuem decisivamente.

“Existem apenas duas classes sociais, a dos que não comem e a dos que não dormem com medo da revolução dos que não comem.” Milton Santos (1926-2001), geógrafo brasileiro.

*Consultor em Agronegócio

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do AGROemDIA

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