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A humanidade enfrentará guerras por alimentos

Gil Reis*

O quadro que se delineia nos dias de hoje para quem for medianamente inteligente é de falta de alimentos. A ONU, antes de enveredar pela ‘tresloucada’ aventura ambiental, previu que em 2050 a população mundial alcançará a espantosa cifra de 10 bilhões de habitantes. O crescimento populacional não se estancará em 2050. Ao contrário. Com mais habitantes, a geração de filhos sofrerá, a cada década, um aumento exponencial. Está na época de começarmos a estudar uma solução.

O ensinamento de Confúcio é muito claro: ‘Se queres prever o futuro, estuda o passado’. Ao segui-lo, não se precisa ir muito longe: a história registra que os seres humanos levaram milhares de anos para atingir a população de 2 bilhões de habitantes e em, apenas, 200 anos a população cresceu mais 6 bilhões. Para os sábios associados à ONU e ao Clube de Roma foi muito fácil descobrir os vilões que provocaram o enorme crescimento populacional – os combustíveis fósseis e os defensivos agrícolas.

Os defensivos agrícolas e os combustíveis fósseis tiraram os seres humanos da escravidão da fome. Até o advento dos dois fatores todos viviam em comunidades rurais cercadas pelas culturas de alimentos porquanto os mesmos chegavam às mesas transportados de carroças. Como a maior parte dos alimentos são perecíveis não podiam ser cultivados à distancias superiores que pudessem ser transportados por veículos de tração animal. Paralelamente qualquer praga que atingissem às lavouras provocavam a fome que devastava às comunidades rurais.

Eis que surge o aproveitamento dos combustíveis fósseis para mover veículos sem necessidade de tração animal e que podiam percorrer maiores distâncias sem que os alimentos perecessem, no rastro desse aproveitamento veio o congelamento. As comunidades se libertaram da área rural e se tornaram o embrião dos grandes centros urbanos de hoje. O desenvolvimento dos defensivos agrícolas com a utilização da ciência química as pragas das lavouras foram, aos poucos, sendo controladas chegando ao nível do que vemos hoje. A mortandade de crianças caiu enormemente e a humanidade, finalmente liberta, começou a crescer.

A solução capitaneada pelo clube de Roma e ONU foi o aproveitamento das alterações climáticas usando como arma a ecologia criaram a seita do ‘ambientalismo’ para sabotar a produção rural combatendo os defensivos já denominados de agrotóxicos e os combustíveis fósseis como destruidores do planeta. A ideia é voltarmos ao século XVII e anteriores onde o crescimento populacional era evitado pela fome. É no conceito dos criadores a solução final e perfeita salvando a humanidade através da destruição da humanidade. No caminho novos fatores surgiram.

Em 26 de junho de 2024 o site RT publicou a matéria “Mundo caminha para guerras alimentares”. Transcrevo:

“As tensões geopolíticas e as políticas protecionistas têm exacerbado a inflação globalmente, de acordo com a Olam Agri. O mundo enfrenta ‘guerras alimentares’, uma vez que as tensões geopolíticas desencadearam um aumento do protecionismo no meio de preocupações com a diminuição da oferta, de acordo com um dos maiores comerciantes globais de matérias-primas agrícolas, Olam Agri, citado pelo Financial Times na quarta-feira. A trading com sede em Singapura faz parte do Grupo Olam, que opera em mais de 60 países e fornece alimentos e matérias-primas industriais a 22.000 clientes em todo o mundo.

‘Lutamos muitas guerras pelo petróleo. Vamos travar guerras maiores por comida e água’, disse o executivo-chefe da Olam Agri, Sunny Verghese, na conferência de consumidores Redburn Atlantic e Rothschild, na semana passada. O CEO alertou que as barreiras comerciais impostas pelos governos que procuram sustentar as reservas alimentares nacionais exacerbaram a inflação alimentar. De acordo com o relatório, os preços dos alimentos começaram a subir na sequência da pandemia e dispararam após a escalada do conflito na Ucrânia e das sanções ocidentais contra a Rússia. As restrições resultaram no bloqueio de algumas exportações de cereais e fertilizantes, agravando a insegurança alimentar nos países mais pobres e exacerbando a crise do custo de vida.

Ao mesmo tempo, os grandes comerciantes de commodities agrícolas obtiveram lucros recordes em 2022, destacou Verghese. De acordo com o CEO, a elevada inflação dos preços dos alimentos foi, em parte, o resultado da intervenção governamental, à medida que os países mais ricos acumulavam excedentes de produtos estratégicos que tinham ‘criado um desequilíbrio exagerado entre a procura e a oferta’. Mundo está ‘muito longe’ das metas de fome, alerta ONU.

‘Índia, China, todos têm reservas reguladoras’, disse Verghese, acrescentando: ‘Isso só está a agravar o problema global’. As alterações climáticas, que prejudicaram a produção agrícola a nível mundial, também levaram ao aumento do protecionismo em todo o mundo, argumentou Verghese. Ele mencionou que a Indonésia proibiu as exportações de óleo de palma em 2022 para proteger o mercado local e a Índia impôs restrições à exportação de certos tipos de arroz no ano passado, num esforço para conter o aumento dos preços internos. ‘Você verá cada vez mais disso’, disse Verghese.

Ele apelou à reunião de executivos da indústria de consumo, que incluía os dirigentes da Coca-Cola e da Associated British Foods, para ‘acordar’ e tomar mais medidas em relação às alterações climáticas. O chefe dos direitos humanos da ONU, Volker Turk, alertou anteriormente que o mundo está a avançar para um futuro catastrófico, onde dezenas de milhões de pessoas estarão em risco de fome, a menos que as alterações climáticas sejam abordadas de forma adequada. Os eventos climáticos extremos estão a ter um impacto negativo significativo nas colheitas, nos rebanhos e nos ecossistemas, suscitando novas preocupações sobre a disponibilidade global de alimentos, disse ele.”

O artigo publicado pelo site RT descreve os outros fatores, entretanto, não inova na solução pregando o controle dos eventos climáticos que vem se repetindo ao longo de milênios no nosso planetinha desde o seu surgimento no universo. Seguindo o conceito da navalha de Occam (também conhecida como a “lei da parcimônia”) que é um princípio lógico onde a melhor solução é aquela que apresenta a menor quantidade de premissas possíveis, ou seja a mais simples, o que resolveria o enfrentamento das alterações climáticas seria a ‘adaptação,’ como sempre fizeram os seres humanos ao longo de milênios, aos eventos climáticos e não a complicada e inalcançável ‘mitigação’.

Naturalmente à adaptação aos eventos climáticos resolveria o enfrentamento das alterações climáticas, entretanto não resolveria o problema do crescimento populacional. A humanidade com a enorme criatividade que possui precisa estudar profundamente para chegar a uma solução que não envolva o sacrifício de milhões de seres humanos, por enquanto vamos ler o que sugeriu o físico teórico, cosmólogo e autor britânico, reconhecido internacionalmente por sua contribuição à ciência, sendo um dos mais renomados cientistas do século Stephen Hawking, 1942 – 2018:

“Penso que a raça humana não tem futuro senão no espaço.”

*Consultor em Agronegócio

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do AGROemDIA

 

 

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