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A África dá a volta por cima

Gil Reis*

África é o terceiro continente mais extenso (depois da Ásia e da América) com cerca de 30 milhões de quilômetros quadrados, cobrindo 20,3% da área total da terra firme do planeta. É o segundo continente mais populoso da Terra (atrás da Ásia) com cerca de um bilhão de pessoas (era a estimativa para 2005, representando cerca de um sétimo da população mundial, e 54 países independentes. A população africana é a mais jovem entre todos os continentes; a idade média em 2012 era de 19,7 anos, quando a idade mediana mundial era de 30,4 anos. Wikipédia.

A África costuma ser regionalizada de duas formas. A primeira valoriza a localização dos países e os divide em cinco grupos: África setentrional, África Ocidental, África Central, África Oriental e África meridional. A segunda regionalização usa critérios étnicos e culturais, como a religião e etnias predominantes em cada região, sendo dividida em dois grandes grupos, a África Branca ou setentrional, formada pelos oito países da África do norte, mais a Mauritânia e o Saara Ocidental, e a África Negra ou subsaariana, formada pelos outros 44 países do continente. Wikipédia.

As descrições nos mostram o perfil da África hoje. As coisas estão mudando no continente africano como demonstra o site RealClear Energy que, em 07 de abril de 2006, publicou a matéria “Combustíveis fósseis lançam luz de esperança na África” assinada por Vijay Jayaraj

“Minha recente conversa em uma rede social com um amigo próximo em Lagos terminou abruptamente e em silêncio. Horas depois, ele me respondeu com um pedido de desculpas: a bateria do celular havia acabado e o bairro dele estava aguardando o restabelecimento da energia elétrica havia quase o dia todo.

As interrupções de energia são comuns na maior cidade da Nigéria, com mais de 13 milhões de habitantes. Isso me fez lembrar da Índia dos anos 90, onde a produção de energia era um processo caótico e incipiente. Os apagões eram uma constante em nossas vidas. Hoje, graças ao uso entusiástico do carvão na Índia, meus filhos não precisam de velas para fazer a lição de casa. Usinas termelétricas a carvão fornecem energia para 1,4 bilhão de pessoas. Os apagões ainda acontecem, mas são exceção.

Quero essa mesma certeza para as famílias africanas. Durante décadas, organizações internacionais de ajuda e instituições financeiras, reféns da burocracia do Acordo de Paris e das fantasias de emissões líquidas zero, sufocaram o financiamento de projetos que envolviam combustíveis fósseis. Em vez disso, foram oferecidos incentivos modestos para a implementação de energia eólica e solar, fontes de energia pouco confiáveis ​​e caras.

Mas a narrativa está mudando. Uma tênue esperança de energia em escala industrial começa a surgir por todo o continente. Dos depósitos de gás natural da África Ocidental aos novos gasodutos da África Oriental e às bacias marítimas da África Austral, uma história promissora está emergindo. Os africanos se recusam a aceitar o empobrecimento permanente em nome da ortodoxia climática. Estão rompendo com as amarras do alarmismo e escolhendo os abundantes hidrocarbonetos como o único caminho comprovado para a prosperidade.

O Renascimento Energético da África Ocidental é um fato. Na África Ocidental, Gana garantiu um novo investimento de US$ 3,5 bilhões para impulsionar a produção de petróleo e gás. Segundo os acordos, os parceiros do programa Jubilee/TEN planejam investir US$ 2 bilhões, enquanto os parceiros do OCTP contribuirão com cerca de US$ 1,5 bilhão. O desenvolvimento incluirá o aumento do fornecimento de gás para geração de energia.

O Senegal entrou em um novo capítulo definitivo com a Fase 1 do projeto Grande Tortue Ahmeyim (GTA), que agora produz gás. A base de recursos do GTA permite uma expansão que pode atender à demanda interna de energia e abastecer os mercados globais.

Guiné Equatorial aposta alto. Na Guiné Equatorial, Malabo e Yaoundé assinaram um acordo há muito aguardado para desenvolver os campos de gás de Yoyo-Yolanda, que possuem reservas estimadas em 2,5 trilhões de pés cúbicos de gás. A Guiné Equatorial também assinou um acordo com a gigante italiana de energia Eni, que se concentrará na análise e avaliação geológica, preparando o terreno para uma retomada da exploração.

O país está se preparando para a rodada de licenciamento “EG Ronda”, em abril de 2026, que oferecerá 24 blocos de petróleo e gás ao mercado, e alterou sua Lei de Hidrocarbonetos para melhorar as condições fiscais, deixando claro para o mundo que a Guiné Equatorial está aberta à extração de recursos.

Em Moçambique, a gigante francesa de energia Total Energies retomou a construção de um gigantesco projeto de gás natural liquefeito (GNL) de 20 bilhões de dólares. Com previsão de produzir mais de 13 milhões de toneladas métricas de GNL por ano, o projeto poderá gerar até 35 bilhões de dólares em receitas para o Estado moçambicano ao longo de sua vida útil.

No leste, Uganda e Tanzânia estão avançando nas negociações para a construção de um oleoduto para produtos petrolíferos refinados. Isso garantirá que essas duas nações sem litoral não fiquem reféns de interrupções na cadeia de suprimentos ou de aumentos repentinos nos preços globais.

A exploração marítima na Bacia de Orange, na Namíbia, identificou uma estimativa de 21 bilhões de barris de petróleo leve, além de gás de alta qualidade, o que poderia revitalizar planos há muito paralisados, cruciais para estratégias industriais.

O Norte da África desperta. Talvez a reviravolta mais impressionante esteja acontecendo no Norte da África. A Líbia, um país assolado pela instabilidade durante anos, está retornando com força total ao cenário energético. Pela primeira vez desde 2007, Trípoli concedeu com sucesso blocos de exploração de petróleo e gás a grandes empresas estrangeiras como Chevron, Eni, Qatar Energy e Repsol.

A Líbia pretende aumentar a produção de petróleo em 200 mil barris por dia (bpd), atingindo 1,6 milhão até o final deste ano, com a meta de 2 milhões de bpd até 2030. Para a Líbia, mais produção significa mais empregos e divisas para reconstruir a infraestrutura destruída pelo conflito. O petróleo bruto fluirá das bacias de Sirte e Murzuq, e os benefícios se refletirão em salários, estradas e linhas de energia.

Os formuladores de políticas africanos agora exigem processamento doméstico, negociam termos que aumentem a participação local e investem em treinamento e cadeias de suprimentos. Os defensores do clima podem rotular isso de heresia. As pessoas racionais reconhecem isso como uma resposta à persistente pobreza energética.

Ao explorarem suas reservas de petróleo e gás, os líderes africanos não estão destruindo o planeta; estão salvando seu povo.”

Esta matéria resume que a África precisa para construir o seu futuro. Um desconhecido resumiu o que ocorre com a África:

“Toda manhã na África, a gazela acorda. Ela sabe que precisa correr mais rápido que o mais rápido dos leões para sobreviver. Toda manhã um leão acorda. Ele sabe que precisa correr mais rápido que a mais lenta das gazelas senão morrerá de fome. Não importa se você é um leão ou uma gazela. Quando o sol nascer, comece a correr.”

*Consultor em Agronegócio

**Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do AGROemDIA

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