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Bolsonaro se reúne com produtores para tratar do endividamento rural

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Bolsonaro ouve de lideranças da agropecuária relato sobre crise no setor –  Divulgação

O presidente Jair Bolsonaro determinou aos ministérios da Economia e da Agricultura, Pecuária e Abastecimento que aprofundem a análise sobre o endividamento rural. Ele também pediu às duas pastas que se reúnam, na tarde da próxima quarta-feira (20), com as lideranças dos produtores para avaliar possíveis medidas para equacionar o problema das dívidas agrícolas e dos altos custos de produção da atividade primária.

Os produtores e entidades como a Andaterra querem uma ampla securitização dos débitos e a eliminação do passivo do Funrural. O setor, que apoiou a campanha de Bolsonaro nas eleições presidenciais, também defende a reforma da Previdência, o pacote anticrime e quer apresentar propostas para a reforma tributária, a fim contribuir para a retomada do crescimento econômico.

Bolsonaro se reuniu com representantes da pecuária de corte, pecuária de leite, do arroz, da cana-de-açúcar e soja, na manhã dessa sexta (15), no Palácio do Planalto.  O encontro teve a participação do ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni; do líder do governo na Câmara, deputado major Vitor Hugo (PSL-GO); e do secretário de Assuntos Fundiários do Mapa, Nabhan Garcia.

A audiência com Bolsonaro representou a abertura de um canal direto dos produtores com o Palácio do Planalto. O encontro começou a ser articulado na quarta (12), quando a Andaterra reuniu lideranças do setor para começar a preparar o Movimento Brasil Verde Amarelo, pré-agendado para ocorrer entre 10 e 15 de maio, em Brasília.

Entre as lideranças que participaram da reunião, estavam o orizicultor Juarez Petri, da Andaterra-RS e do Movimento Te Mexe Arrozeiro; o pecuarista Paulo Leonel, diretor do Grupo Adir (SP); o presidente da Aprosoja Brasil, Bartolomeu Pereira, o presidente da Abraleite, Geraldo Borges, e representantes da ABCZ (bovinos) e da Feplana e Orplana (cana-de-açúcar).

Estudo sobre endividamento

Segundo projeções, as dívidas rurais somam R$ 700 bilhões (R$ 300 bi com bancos nacionais e R$ 400 bi com tradings, cooperativas e cerealistas). Na abertura da reunião, o setor enfatizou a Bolsonaro que o problema do endividamento não é responsabilidade de sua administração, mas de governos anteriores.

Paulo Leonel entregou a Bolsonaro um estudo, feito por uma assessoria econômica, sobre o endividamento no setor pecuário somente da porteira para dentro das propriedades. As dívidas da pecuária, conforme o diretor do Grupo Adir, são de cerca de R$ 100 bilhões.

Juarez Petri também entregou ao presidente documentos sobre o endividamento e as reivindicações dos arrozeiros. Alguns desses pedidos já haviam sido apresentados ao Mapa. Os representantes dos setores de leite, cana e soja igualmente expuseram a situação que estão enfrentando.

Bolsonaro pede que ministérios da Economia e Agricultura avaliem crise no setor – Divulgação

As duas faces da agropecuária

Conforme Juarez Petri, Paulo Leonel falou ao presidente que a agropecuária brasileira se divide em dois setores: um é o do agronegócio, representando por revendas de insumos, máquinas e fertilizantes e as indústrias alimentícias; o outro é o da agricultura, da porteira para dentro, que produz matéria-prima para a agroindústria.

“O Paulo Leonel assinalou que o agronegócio, em geral, está bem e se dá bem em qualquer lugar do mundo. O problema é da porteira para dentro, onde se vive uma situação muito difícil, porque os custos de produção no país estão muito elevados”, lembrou Juarez Petri.

Ainda de acordo com o dirigente do Movimento Te Mexe Arrozeiro e da Andaterra-RS, Paulo Leonel citou a grande concentração bancária no país. “Hoje, temos apenas cinco ou seis bancos que financiam a agricultura. Isso é quase um oligopólio financeiro.”

Juarez Petri relatou também que Paulo Leonel criticou o discurso do ministro Paulo Guedes (Economia), que tem falado em “desmamar a agricultura”, de que é preciso “prepará-la para se virar sozinha”, e alertou sobre o risco que o país corre com a possível abertura da venda de terras para estrangeiros.

“Como estamos nesta situação de dificuldade e com a possibilidade de abrir a venda de terras para estrangeiros, o capital internacional terá muita facilidade para arrematar os leilões, porque banco não quer receber terra, quer dinheiro. Isso é um grande risco para o país e para as propriedades de quem fornece o pão nosso de cada dia”, disse Juarez Petri.

Paulo Leonel ressaltou ao presidente, informou Juarez Petri, que o equacionamento da crise vivida pelos produtores rurais possibilitará a agricultura dar um salto e contribuir para impulsionar o crescimento econômico, com geração de emprego.

Durante o encontro, o representante da Andaterra e do Movimento Te Mexe Arrozeiro esclareceu que o Movimento Brasil Verde Amarelo é em apoio ao governo Bolsonaro e as reformas do Estado brasileiro. “Nossa proposta é apoiar o presidente Bolsonaro na busca do crescimento econômico”, pontuou Juarez Petri.

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