
Os dados da Estatística da Produção Pecuária, divulgados pelo IBGE, confirmam um cenário preocupante para o setor leiteiro. No segundo trimestre deste ano, a aquisição de leite cru pelos estabelecimentos que atuam sob algum tipo de inspeção sanitária (federal, estadual ou municipal) teve o pior resultado desde 2016. Nos meses de abril, maio e junho, informa o IBGE, foram comprados 5,40 bilhões de litros de leite, o que representa queda de 7,6% em relação ao mesmo período de 2021.
“O setor leiteiro encontrou dificuldade para repassar os custos da cadeia produtiva para o consumidor final. O preço do leite sofreu considerável aumento no período, mas, mesmo assim, não conseguiu compensar os custos com a suplementação alimentar dos rebanhos e outras despesas como energia e medicamentos”, diz Bernardo Viscardi, supervisor de indicadores pecuários do IBGE.
Ainda de acordo com ele, fatores climáticos também contribuíram para a queda das aquisições de leite cru. “A escassez de chuvas em estados do Centro-Sul no primeiro trimestre comprometeu a qualidade da silagem, usada para complementar a alimentação dos animais durante o período tipicamente seco do 2º trimestre”.
Houve reduções em 20 das 26 UFs participantes da Pesquisa Trimestral do Leite. Em nível de unidades da Federação, as quedas mais significativas ocorreram em São Paulo (-115,67 milhões de litros), Goiás (-98,62 milhões de litros), Minas Gerais (-95,81 milhões de litros), Rio Grande do Sul (-65,81 milhões de litros), Paraná (-22,07 milhões de litros) e Mato Grosso (-21,66 milhões de litros).
Os acréscimos mais relevantes ocorreram em Sergipe (+18,18 milhões de litros) e Santa Catarina (+17,45 milhões de litros).
Minas Gerais continuou liderando o ranking de aquisição de leite, com 25,0% da captação nacional, seguido por Paraná (14,7%) e Rio Grande do Sul (12,7%), conforme a Estatística da Produção Pecuária, divulgada na última terça-feira (6).
