
Gil Reis*
“É nosso dever garantir a preservação do território da Amazônia e de seus habitantes aborígines para o desfrute pelas grandes civilizações europeias, cujas áreas naturais estejam reduzidas a um limite crítico.” – Conselho Mundial de Igrejas Cristãs reunidas em Genebra, 1992.
Os que se juntaram agora à horda (tribo errante, bando indisciplinado, caterva, chusma) de detratores dos amazônidas, que fiquem sabendo que tais ataques têm sido recorrentes desde o século passado e os objetivos foram muito bem explicados pelo Conselho Mundial de Igrejas Cristãs nos idos de 1992. Há muito venho chamando a atenção do resto do Brasil para os ataques aos amazônidas e qual a sua finalidade. O caminho encontrado foi o da criminalização. Até agora todas as soluções achadas pelas autoridades, ao longo do tempo, envolvem ‘punitivismo’, dando razão àqueles que nos criminalizaram.
Enquanto nos punem, os países que nos atacam e exploram ficam impunes, seus Embaixadores desfilam em nosso país e são recebidos com toda deferência. No dia 9 de julho de 2009, uma bela e ensolarada quinta feira, minha revolta diante dos ataques explodiu, mais uma vez, e publiquei um artigo em defesa da Amazônia “O amazônida é um devastador de florestas: deslavada mentira”, que reproduzo na íntegra sem atualizações:
“Costumo a monitorar, acompanhar e ler tudo que os inimigos da Amazônia dizem. Afinal, o “preço da liberdade é a eterna vigilância” (esta frase tem tantos autores que já merece ser de “autor anônimo”).
Há pouco quando, comentava um artigo do Jean-Yves Carfantan, consultor da AgroBrasConsult e autor do livro “Le choc alimentaire”, recém-lançado na França, que, verdade seja dita, não demonstra ser um dos inimigos, comecei a reunir algumas informações:
– O Brasil tem mais de 210 milhões de cabeças de gado, das quais 10%, 20 milhões, estão no Pará. Das 110 mil fazendas produtoras, 90 mil tem até 200 cabeças, ou seja, são pequenas propriedades.
Enquanto escrevia, tive um “estalo”, um “insight”, como se acordasse de um mau sonho, um pesadelo, que vou tentar explicar.
Vivemos todos anestesiados, induzidos e hipnotizados pelas notícias e artigos veiculados pela grande imprensa, de boa-fé, informações que são verdadeiros sofismas – mentiras disfarçadas de verdade –, capazes de convencer os leitores, explorando a credulidade de todos.
As informações têm uma aparente coerência, sempre acompanhadas de “verdades científicas” não tão provadas, que todos nós as engolimos e repetimos, principalmente porque a credibilidade dos veículos de comunicação que as transmitem é tão grande e já testada que nós sequer imaginamos que possam não ser verdadeiras.
O Brasil, o mundo e até mesmo nós, da região, acreditamos em uma verdade que vem sendo pregada ao longo dos anos: “O amazônida é um devastador de florestas!”. A hipnose coletiva é tão verdadeira que nós começamos a acreditar e ficar muito preocupados com o fato, pensando: os meus vizinhos têm que parar de desmatar.
A única diferença entre nós e os indígenas, que também são amazônidas, é a dimensão do zoológico sob a tutela governamental”
Todo um paradigma foi construído, com tantos detalhes e cuidados, que fica muito difícil quebrá-lo. Entretanto, não se pode “enganar todos, todo tempo”. Um belo dia, você acorda do pesadelo, como eu, e vê como é fácil quebrar o paradigma apenas usando a matemática e raciocinando.
Raciocinem comigo:
O Pará, um estado da Amazônia, apesar de todas as más notícias veiculadas pelo mundo diariamente, tem preservado 76% de seu território e nos 24% restantes explora a agricultura, extrai minério e desenvolve cidades de mais de 200 mil habitantes. A maior concentração está na Grande Belém, única metrópole da Amazônia, que possui vários municípios conturbados, com 2,5 milhões de pessoas. A criação de gado no estado, entretanto, soma 20 milhões cabeças de gado.
As outras 180 milhões de cabeças (90% do rebanho nacional) são criadas no resto do Brasil.
Diferentemente do Pará, que, repito, preserva 76% de sua área, o resto do país preserva, em média otimista, 25% a 30% de seu território.
Diante destes fatos, fica no ar a grande pergunta:
– É verdade que o amazônida é um devastador de florestas?
Não, é a mais deslavadas mentira já divulgada no mundo.
Qual é a intenção das ONGS, ditas ambientalistas, que fazem questão de espalhar tal mentira?
– Isto é uma outra história que será aos poucos desvendada, quando os brasileiros começarem a acordar, culminando com um movimento para expulsar essas organizações que tentam sabotar o nosso progresso.
Todavia, é bom que ninguém esqueça que há 30 anos os mesmos países que querem salvar a Amazônia festejavam a idéia do “futurólogo” de peso (pesava cento e tantos quilos) Hermann Khan e o seu Hudson Institute, para a criação do “Lago Amazônico”, a implantação de vários lagos na região, que, interligados, ligariam o Oceano Atlântico ao Pacífico – A nossa memória é tão curta e nossa credulidade é tão grande!”
Desde 9/7/2009 algumas coisas mudaram. O rebanho paraense ultrapassou 10% do rebanho nacional e Belém não é mais a única metrópole da Amazônia. Os ataques das ONGs internacionais aumentaram e hoje estão encontrando mais eco junto às autoridades. Nos fatiaram e dividiram, criaram uma série de reservas de todo o gênero, confinaram os nossos indígenas em verdadeiros jardins zoológicos, impedindo-os de cultivar e sujeitando-os ao controle da União. Poucos perceberam que nós, os amazônidas, não podemos fazer nada sem a autorização governamental, perdemos a autonomia e o livre arbítrio.
A grande mídia nos furta a liberdade de expressão quando abre espaço apenas para nos criticar e não divulga nada dos nossos anseios e das nossas contestações. Produzir em toda a nossa propriedade adquirida com o nosso suado dinheirinho? Nem pensar em fazê-lo, somos limitados a apenas 20% do que é nosso, deixando os demais 80% intocados, e responsabilizados caso alguém os invada e os usem. A única diferença entre nós e os indígenas, que também são amazônidas, é a dimensão do zoológico sob a tutela governamental.
“Quando você perceber que, para produzir, precisa obter a autorização de quem não produz nada; …; então poderá afirmar, sem temor de errar, que sua sociedade está condenada”, Ayn Rand, na obra ‘A revolta de Atlas’.
*Consultor em Agronegócio
