Vítima de generalizações, Amazônia sofre novo ataque de interesses internacionais 

Gil Reis, consultor em agronegócios – Foto: Divulgação

Gil Reis*

Até hoje, os inimigos externos como não conseguiram invadir, ocupar ou dominar a Amazônia, mas agora decidiram bombardeá-la com todas as armas possíveis, recorrendo a dados e argumentos questionáveis, quando não totalmente improcedentes. Nesta nova batalha contra a região, usam a estratégia de “guerrilha midiática”, ignorando que o Brasil é, como comprovam os números, o país que mais preserva no planeta e o que tem a legislação mais rigorosa em relação ao meio ambiente.

A Amazônia sempre sofreu generalizações desonestas no que se refere à preservação ambiental, tanto no front externo quando no interno. Às vezes, a sensação é que o território que representa dois terços do país não faz parte do Brasil, tamanha é a ofensiva contra a região vinda de todos os lados, sempre com um objetivo claro: desgastar a nossa imagem internacional para debilitar a economia nacional como um todo, de norte a sul.

O lamentável é que a estratégia internacional de deterioração da imagem da Amazônia começa a fazer efeito no Brasil. Tanto que a coação e a chantagem já estão pressionando as decisões do governo federal em relação à Amazônia com base nessas generalizações criminosas, que atingem frontalmente o povo que habita e sobrevive na região.

Existem bandidos e irresponsáveis na Amazônia? Sim, como existem por igual no país inteiro. Porém, os empresários e o povo da Amazônia são sérios, decentes e empreendedores, dotados de consciência de cidadania que desafia a de algumas regiões. Inaceitável, portanto, querer compará-los a   bandidos que vêm de outros lugares do Brasil para praticar crimes na região amazônica. Tentar confundi-los com esses forasteiros-bandoleiros é um enorme desrespeito com o povo da Amazônia.

Mais inaceitável ainda é vermos agora parte dos representantes de empresas nacionais – algumas tão nacionais quanto a Torre Eiffel e a Estátua da Liberdade – fortalecer a estratégia internacional de ataque à Amazônia, por meio de cartas endereçadas ao vice-presidente da República e presidente do Conselho da Amazônia, Hamilton Mourão, e aos poderes Legislativo e Judiciário.

O lamentável é que a estratégia internacional de deterioração da imagem da Amazônia começa a fazer efeito no Brasil”

A ofensiva contra a Amazônia não contempla, em momento algum, preocupação com a sobrevivência dos habitantes da região. Não há, nesse movimento, qualquer proposta efetiva de desenvolvimento regional. O que se busca, unicamente, é a preservação dos negócios para além da Amazônia – especialmente no centro-sul – daqueles que passaram a fazer coro aos escusos interesses internacionais.

Por isso, espanta o desconhecimento das empresas signatárias de tal carta sobre a realidade da Amazônia. Ignoram totalmente a luta diária de seu povo pela sobrevivência e os sacrifícios para o desenvolvimento e a defesa de dois terços do território brasileiro, alvo histórico da cobiça de corsários, hoje a bordo de naus tripuladas por ongueiros patrocinados por endinheirados ávidos por criar reserva de mercado.

O resultado dessa articulação lesa-pátria já dá sinais extremamente preocupantes com a informação de que o governo pretende editar uma medida proibindo as “queimadas” ilegais e legais durante 120 dias. Ou seja, o governo pretende transformar as atividades legais em ilegais. Se tal intenção se materializar, veremos a ilegalidade triunfar, mesmo que temporariamente, sobre a legalidade por pressão de interesses puramente econômicos.

O que a região precisa é de apoio aos seus habitantes para ensejar a grande alavancagem para o desenvolvimento nacional”

Custo a crer que o governo, que sempre respeitou as leis, vá atropelar a legalidade para se submeter à pressão transnacional que busca sedimentar seus tentáculos sem qualquer respeito com a soberania das nações, no caso a brasileira.

Espero que prevaleça o entendimento da ministra da Agricultura, Tereza Cristina, que defendeu recentemente o desmatamento ilegal zero. Ou seja, combate intenso a tudo o que é ilegal, sem jogar na ilegalidade os cidadãos que agem dentro da lei.

É preciso entender que a Amazônia entra agora no período de “estiagem” com a redução das chuvas, o que enseja a combustão espontânea. Será que os investidores internacionais e as empresas nacionais desconhecem a existência na região de um fenômeno natural denominado raio, que provoca incêndio nas florestas na época de seca?

Será que desconhecem que os desassistidos pequenos produtores rurais, a maioria na Amazônia, utilizam como meio de produção as queimadas legais?

Não importa aos inimigos do Brasil que o INPE confirme a redução de 23% no desmatamento no bioma Amazônia em relação a 2019 e queda de 10% nos últimos 20 anos.

O que a região precisa é de apoio aos seus habitantes para ensejar a grande alavancagem para o desenvolvimento nacional.

A proibição das queimadas legais na região Amazônica é um dos maiores passos para o que será conhecido no futuro como “o suicídio do Brasil”.

*Consultor em agronegócios

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