
Gil Reis*
Vale qualquer absurdo para amedrontar as pessoas no rastro da nova crença ambiental. Todos os dias são publicados novos argumentos contra o ‘modus vivendi’ dos habitantes deste maravilhoso planeta. Na medida que perceberam a passividade e credulidade das pessoas que lhes davam atenção, os pregadores do ‘apocalipse climático’, autores do terrorismo ambiental, se sentiram livres para rechear o proselitismo da crença do fim do mundo de todos os absurdos possíveis e imagináveis. Desta feita, o alvo são as plantas domésticas.
O site American Thinker publicou, em 9 de janeiro deste novo ano, artigo com este título: “Aparentemente, as plantas domésticas agora contribuem para as mudanças climáticas”, de autoria de Chris Talgo, diretor editorial do Heartland Institute. Transcrevo trechos:
“Os desmancha-prazeres das alterações climáticas têm feito grandes esforços nos últimos anos, ligando praticamente tudo e qualquer coisa como contribuinte para as alterações climáticas. Fogões a gás? Verificar. Máquinas de lavar louça? Verificar. Comer carne? Verificar. Eventos esportivos? Verificar. Respirando? Verifique também.
Dada esta história, devo dizer que não fiquei tão surpreendido quando li um artigo recente no Washington Post que afirmava: ‘As plantas de interior têm um custo para o planeta’. Segundo o autor do artigo, ‘tornar espaços interiores mais verdes também pode ter um custo ambiental. Os caminhões que transportam as plantas emitem carbono, os vasos de plástico e os fertilizantes sintéticos são feitos de petróleo e a colheita de componentes do solo, como a turfa, pode destruir os habitats de formação lenta.’
Praticamente tudo o que compramos e consumimos na era moderna é transportado por caminhão, trem e/ou navio de carga. Por exemplo, a maioria dos dispositivos tecnológicos que os americanos compram hoje em dia são transportados por todo o mundo, da Ásia aos Estados Unidos. O mesmo se aplica à grande maioria dos alimentos, bugigangas e confortos que usamos diariamente.
Declarar que devemos abster-nos de comprar estes produtos simplesmente porque têm de ser transportados por grandes distâncias através de um comboio, caminhão ou navio de carga que utiliza combustíveis fósseis é um absurdo. Se implementássemos esta ‘estratégia para salvar o planeta’ em todo o nosso estilo de vida, evitando a compra de produtos que precisam de ser transportados, a economia mundial pararia, a vida seria miserável e o florescimento humano despencaria.
Em vez de comprar uma planta numa estufa ou num viveiro, o autor sugere ‘procurar trocas de plantas locais ou clubes de jardinagem na sua área, que são frequentemente organizados online ou em sites de redes sociais. Outros jardineiros geralmente ficam felizes em lhe dar mudas de suas próprias plantas, que você pode propagar e transformar em suas próprias plantas’.
O autor também argumenta que as pessoas deveriam evitar colocar suas plantas domésticas em ‘vasos de plástico pretos e baratos que se desfazem rapidamente’ em favor de ‘vasos de terracota e cerâmica que durem’. Embora eu compreenda perfeitamente que os potes de terracota e de cerâmica são mais duráveis e duradouros do que os de plástico, devemos também reconhecer que os potes de plástico são muito mais acessíveis. Para as pessoas que vivem de salário em salário, o que inclui mais de 60% dos americanos, talvez o pote de plástico seja a única opção que podem pagar.
Por outro lado, o fomento do medo das alterações climáticas está repleto de más ideias e soluções terríveis para problemas inexistentes. A guerra dos lunáticos climáticos contra as plantas domésticas é ridícula, mas também revela o quão distantes essas pessoas estão.
Em vez de criticar os americanos pelo simples desejo de ter uma planta de casa saudável e acessível, que traga prazer às pessoas, reduza o estresse, limpe o ar interno e tenha uma boa aparência geral, seria revigorante se o Washington Post e toda a grande mídia neste caso, tivessem feito a devida diligência no que diz respeito às alterações climáticas. Se o fizessem, poderiam perceber que as alterações climáticas não são uma crise existencial, que os combustíveis fósseis são a força vital da economia moderna e que as plantas domésticas não são más para o planeta.”
Não é importante que os absurdos utilizados para amedrontar as pessoas sejam verdadeiros ou coerentes, é preciso apenas que causem medo em todos para que se ajoelhem perante o novo deus ambiental que brada: ‘Sigam os meus mandamentos. Caso contrário, padecerão no fogo eterno do inferno ambiental. A grande arma usada diariamente contra todos é o medo.
“O medo é o assassino da mente. O medo é a pequena morte que leva à aniquilação total. Enfrentarei meu medo. Permitirei que passe por cima e através de mim. E, quando tiver passado, voltarei o olho interior para ver seu rastro. Onde o medo não estiver mais, nada haverá. Somente eu restarei.”- Da obra Duna, do Frank Herbert (1920-1986) escritor de ficção científica e jornalista americano.
*Consultor em Agronegócio
** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do AGROemDIA

