A ciência e a crença

Gil Reis*

Muitas vezes, tenho sido chamado de negacionista. A acusação é verdadeira quanto ao fato de negar as teses dos ‘cientistas oficiais’ do IPCC que acusam os seres humanos de serem os causadores das mudanças climáticas e do aquecimento global. Todavia, nunca fui contra a necessidade de preservação do meio ambiente. Recentemente, li o texto de uma postagem que lembrava a frase de Karl Raimund Popper (1902-1994), professor austro-britânico, considerado um dos maiores filósofos da ciência do século XX, que reproduzo aqui:

“Uma das coisas mais estúpidas que já se ouviu hoje em dia é ‘Eu acredito na ciência’. Se a ciência fosse uma questão de crença, seria chamada de religião. Em vez disso, trata-se de sempre questionar, duvidar e verificar se não há muito dinheiro por trás de uma causa hipotética.”

Como o leitor pode perceber a frase não faz referência ao que acontece hoje, pois Popper faleceu em 1994, mas ao mal que sempre acompanhou certas teses científicas: a sedução do dinheiro. Novamente, diante do que acontece hoje em termos de ‘verdades científicas, temos que recorrer ao que sempre repetiu em seus livros a escritora de obras policiais, muitas vezes considerada ‘rainha/dama da literatura do crime’, Agatha Christie: “Para desvendar a razão do crime e descobrir o criminoso, siga o dinheiro”.

“A filosofia de Karl Popper – o racionalismo crítico – é apresentada. Para ele, todo o conhecimento é falível e corrigível, virtualmente provisório. … A refutabilidade demarca a ciência da não-ciência e a atitude de colocar sob crítica toda e qualquer teoria permite o aprimoramento do conhecimento científico. Popper é conhecido por sua rejeição das visões indutivistas clássicas sobre o método científico em favor do falsificacionismo” – transcrições de vários textos.

Depois de expostas as opiniões de alguém considerado um dos maiores filósofos da ciência do século XX, vamos às teses dos ‘cientistas oficiais cooptados pela caixinha do IPCC’. Os seres humanos são os causadores de todas as desgraças de tragédias oriundas das mudanças climáticas e do aquecimento global. Os bovinos ficam no mesmo patamar dos humanos por emitirem, através de seu processo digestivo, os gases responsáveis pelo aquecimento global – CO2 e metano. Pregam de ‘ceca a Meca’ que os levantamentos realizados do aumento desses dois gases na atmosfera comprovam a conclusão.

As teses das alterações climáticas e aquecimento global como obra dos seres humanos e bovinos são seguidas pelos ambientalistas, sem falar de alguns falsos ambientalistas que usam os argumentos com finalidade político-partidário. Vamos a realidade de fatos, intencionalmente omitidos: falemos sobre as erupções vulcânicas nos dois últimos séculos que jogaram na atmosfera trilhões e trilhões de toneladas de CO2 e metano.

No mundo todo há, diariamente, mais de uma dezena de atividades vulcânicas (erupções de lava, lançamento de cinzas e gases). No entanto, há erupções que marcam ou marcaram a história em função de sua intensidade e dimensão dos impactos causados a nós seres humanos.

A gélida ilha à norte da Inglaterra experimentou um protagonismo na mídia mundial em abril de 2010, por conta dos impactos da erupção de um de seus vulcões. O impronunciável vulcão Eyjafjallajökull expeliu uma quantidade altíssima de partículas de cinzas pequenas e afiadas como vidro estilhaçado. Esse grande volume de cinzas flutuou até o sudeste da Europa e provocou a maior perturbação do tráfego aéreo do continente desde a 2ª Guerra Mundial. Foram quase 2 bilhões de dólares em prejuízos para as companhias aéreas, fruto de mais de 100 mil cancelamentos de voos.

Nas Filipinas, assim como na Indonésia, há vários vulcões ativos. No entanto, em 1991, o país experimentou uma das mais impactantes erupções vulcânicas de sua história. O Monte Pinatubo teve uma explosão tão intensa que as lavas, cinzas e rochas alcançaram a estratosfera, atingindo mais de 30 quilômetros de altura! O material piroclástico emitido pela erupção viajou todo o planeta. Esse volume de cinzas provocou a queda de temperatura no globo em 0,5º C no ano seguinte à erupção. Para entender o volume de material expelido, saiba que telhados desabaram com o peso das cinzas e lavouras inteiras foram perdidas porque ficaram submersas em uma camada espessa de material de origem vulcânica.

Vulcão Pelée em Martinica, ilha caribenha, em 1902. A erupção é mundialmente conhecida por ser a que mais vitimou pessoas no século XX, cerca de 30 mil mortos. Outro dado impressionante é que na ilha caribenha, a cidade de Saint Pierre, foi varrida do mapa. Todos os habitantes morreram, à exceção de duas pessoas: um sapateiro e um prisioneiro. Em 8 de maio de 1902, o vulcão emitiu uma quantidade tão gigantesca de material piroclástico gasoso e repleto de cinzas em altíssimas temperaturas, que provocou a morte de todas as pessoas e animais que ela atingiu.

A erupção do Krakatoa, em 1883, é provavelmente uma das mais conhecidas da história moderna. Não à toa, pois os impactos desse evento são realmente impressionantes. A intensidade da explosão foi tamanha que há relatos de pessoas que a escutaram a aproximadamente 5.000 quilômetros de distância, em países como Austrália e Índia. Sobreviventes em um raio de 15 km do vulcão tiveram sequelas auditivas em razão do barulho. O número de vítimas fatais é superior a 30 mil pessoas. Número justificado pela magnitude da explosão que expeliu uma nuvem de material vulcânico que alcançou mais de 30 quilômetros de altitude. A câmara magmática (que fica na base do vulcão) rompeu e a lava escaldante caiu na água do mar, que criou imediatamente nuvens de vapor de altíssimas temperaturas. As pessoas que entraram em contato com esse vapor foram as primeiras a morrer. A região atingida ficou dias sem ver a luz do sol e o planeta todo ficou mais escuro durante meses por conta das cinzas em lançadas na atmosfera.” – Erupções vulcânicas históricas, por Amarolina Ribeiro.

Mais recentemente, no último dia 15 de janeiro, o vulcão submarino no Pacífico Sul Hunga-Tonga-Hunga-Ha’apai já havia entrado em erupção pela primeira vez nessa sexta-feira (14). Desta vez, moradores foram obrigados a fugir para regiões mais altas. A erupção durou oito minutos e foi tão forte que foi ouvida “como um trovão distante” nas ilhas Fiji, a mais de 800 km de distância, disseram autoridades locais.

A sugestão de Popper é que estudemos, analisemos e investiguemos quem são os maiores financiadores da ciência e dos cientistas climáticos, quais os seus objetivos reais capazes de produzir retorno com grande lucro das quantias investidas. Lembram do que dizia Agatha Christie?

Será que depois de tomar conhecimento de todos esses eventos naturais capazes de provocar alterações climáticas e aquecimento/resfriamento global, o leitor continuará a acreditar que somos nós e os bovinos os responsáveis, como afirmam os ambientalistas, pelas alterações climáticas e aquecimento global? É claro que, independentemente das teses, ideologias e crenças, devemos preservar e cuidar do nosso meio ambiente. O povo do agro já tem consciência disso.

*Consultor em Agronegócio

 

 

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Um comentário em “A ciência e a crença

  • 1 de fevereiro de 2022 em 01:44
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    Onde Popper disse isso? Em qual livro e página?

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