Depois da porteira – Meio ambiente x produção de alimentos: tem como equilibrar?

Nelson Moreira, jornalista e CEO Agropress Marketing e Comunicação

Nelson Moreira*

A pandemia trouxe mais uma vez à consciência do homem que tudo neste planeta interdepende da ação do outro. Achamos que somente o que está na parte acima da superfície é que nos mantém vivos, mas, em verdade, há muito mais coisas que concorrem para este fator. Por exemplo, existem microplânctons no fundo do oceano que são responsáveis por manter este sistema em equilíbrio e, também, por absorver o dióxido de carbono e liberar oxigênio para a atmosfera.

Se eles forem extintos, muitos seres morrem.

Pensar em meio ambiente é pensar em limites. Já tem anos que há uma disputa entre produção agrícola e proteção ao meio ambiente. Qual o limite para um e para o outro? Como ter convergência entre os dois? É sabido que quando se altera o microambiente de uma área, por menor que seja, tudo que estava interconectado àquele local, sofre interferência. A vida neste planeta é sistêmica.

E é incrível perceber que o criador deste planeja planejou cada detalhe para que a ação de um sofresse a reação de outro. Vejam novamente o exemplo do vírus covid-19. Uma pessoa infectada pode transmitir para pelo menos duas pessoas que, se não curadas, transmitirão para mais quatro e assim por diante. O efeito onda na água se propaga em tudo o que fazemos neste ambiente que vivemos.

É muito frequente olharem para o campo com a visão de que os produtores são contra a preservação do meio ambiente e, ao mesmo tempo, seus algozes. Houve um tempo em que por conta da falta de tecnologia e conhecimento, e o errado pensamento de que a natureza se renova rapidamente, sim, produtores preservaram o minimamente necessário para a sua sobrevivência, em geral, as nascentes dos rios e eles mesmos para poderem usufruir da água. Mas isto já tem muitas décadas. Com o avanço das pesquisas foi possível melhorar a produtividade, a lucratividade, sem necessariamente aumentar a área de produção. Hoje, a produção agropecuária no Brasil utiliza apenas 7,6% do total do território (Evaristo Miranda/Embrapa 2017). E a cada safra aumenta a produtividade sem aumentar o uso da área de forma significativa.

O movimento ambientalista surge a partir da segunda guerra, após a explosão da bomba atômica no Japão. Assustados com o potencial destrutivo do homem, embasaram suas teses nos pensamentos de São Francisco de Assis que defendia a fraternidade e vivência do homem com respeito à natureza e suas criaturas. Ao criarem instituições mundiais, os ambientalistas passaram a defender a colocação de limites à exploração da natureza e da terra, para que os recursos não fossem extintos e, por consequência, a raça humana junto.

Então, se olharmos para os princípios e objetivos de cada grupo, podemos perceber que, de certa forma, querem a mesma coisa; a preservação das espécies e do homem. Uns através da produção de alimentos, outros através da produção sem exaurir os recursos que o planeta possui e oferece para que as espécies nele vivam.

E qual a medida do senso comum, do meio termo? O vídeo abaixo pode dar uma inspiração.

*Jornalista, CEO Agropress Marketing e Comunicação

AGROemDIA

O AGROemDIA é um site especializado no agrojornalismo, produzido por jornalistas com anos de experiência na cobertura do agro. Seu foco é a agropecuária, a agroindústria, a agricultura urbana, a agroecologia, a agricultura orgânica, a assistência técnica e a extensão rural, o cooperativismo, o meio ambiente, a pesquisa e a inovação tecnológica, o comércio exterior e as políticas públicas voltadas ao setor. O AGROemDIA é produzido em Brasília. E-mail: contato@agroemdia.com.br - (61) 99244.6832

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