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A economia no mundo

Gil Reis*

Sempre tenho muito prazer em trazer para os leitores o que vem ocorrendo no resto do mundo e que afetam, de alguma forma o Brasil, afinal não somos uma ilha isolada do resto do planeta. Tudo que ocorre nos países mais ricos afeta os ‘primos’ mais pobres, até me atreveria a chamar de primos de 2° grau. A primeira a ser afetada é a nossa crença que os países desenvolvidos são verdadeiras fortalezas inabaláveis imunes às crises que abalam os países mais pobres ou em desenvolvimento como nos autoafirmamos.

Para que o leitor não fique imaginando que as informações que trago são fruto apenas dos meus estudos sobre a economia mundial, procuro trazer análises de equipes técnicas das mais diversas organizações envolvidas com o mercado cuja a sobrevivência depende de análise permanente da economia mundial e que podem afetar a nossa economia como é o caso dos estudos realizados pelo Banco C6 Invest com a equipe econômica integrada por Felipe Salles, Claudia Moreno, Claudia Rodrigues, Heliezer Jacob e Felipe Mecchi, em sua NEWSLETTER # 132 de 21/10/2024, que vale a pena ler e que transcrevo partes.

“A economia europeia não vai bem. Sem o impulso do crescimento da Alemanha, país de maior peso no bloco, o PIB da zona do euro caminha a passos lentos. Nem mesmo o corte de juros promovido pelo Banco Central Europeu tem ajudado a atividade econômica da região a reagir, e o fraco crescimento tornou-se uma preocupação. Quais são as perspectivas para os países do euro?

A fraqueza do ‘velho mundo’

Para grande parte dos países desenvolvidos, a recuperação econômica após a pandemia de covid-19 já é um assunto resolvido – mas não para a zona do euro. A economia do bloco europeu cresceu apenas 4% desde 2019. Para constatar a lentidão da atividade econômica na região, basta comparar com o desempenho dos Estados Unidos, que avançaram pouco mais de 10% no mesmo período. Grande parte da explicação para o problema europeu está na Alemanha, maior economia do bloco. Se antes os alemães lideravam o crescimento europeu, agora o país é a âncora que tem deixado a economia da região passos atrás.

Desde 2019, o PIB alemão cresceu 0,2%, o que significa que, no processo de recuperação pós-pandemia, a economia acabou parada no tempo. Para a Alemanha, o crescimento está estreitamente ligado ao sucesso da indústria, mas manter as fábricas funcionando tem sido desafiador. Com a imposição de sanções à Rússia, em razão da guerra na Ucrânia, a importação de gás natural do país cessou e os preços de energia dispararam na Alemanha em 2022. Ao longo do tempo, houve alguma normalização no mercado de energia local. A média dos custos em 2024 está distante do pico de 2022, mas segue 70% acima do registrado antes da guerra, em 2019.

Países como França e Espanha, que eram menos dependentes do gás russo, sofreram menos com o problema e encontraram caminhos mais ágeis para retomar o crescimento econômico. A Alemanha, por outro lado, ainda patina. Pressionadas pelo aumento dos preços de energia, pelo crescimento do custo da mão de obra e por um consumo doméstico fraco, muitas indústrias alemãs decidiram interromper a produção. A atividade industrial na Alemanha está 5% abaixo do registrado em 2021, antes de a guerra começar. Nos setores que são mais intensivos no consumo de energia, a produção está 15% menor.

Um dos sinais dos novos tempos foi o anúncio da Volkswagen, montadora que é símbolo da indústria alemã globalmente, de que considera fechar fábricas em seu país de origem. Por muito tempo, a Alemanha foi a referência global de exportação de produtos de alto valor agregado, como carros, máquinas e componentes químicos.

Um dos seus principais mercados consumidores era a China, que, até então, produzia itens de menor valor agregado, como componentes eletrônicos e bens de consumo (roupas, calçados etc. Agora, a China também quer a sua fatia da indústria de alta tecnologia. Um exemplo dessa estratégia é o investimento massivo que o país tem feito na produção de carros elétricos. Para competir na Europa, as montadoras chinesas instalaram fábricas em países do Leste Europeu.

Isso significa que não só a indústria da Alemanha perdeu um importante mercado consumidor, como agora a concorrência chinesa é crescente. Não são poucos os obstáculos para a retomada da maior economia da zona do euro, o que corrobora a percepção de que a Europa ainda deve enfrentar um período de baixo crescimento. O Banco Central Europeu tem apontado a fraqueza da economia como uma das razões para seguir com o ciclo de corte de juros na região iniciado em junho.

Na semana passada, a autoridade reduziu a taxa de depósito mais uma vez, para 3,25%. Há 13 anos o BCE não promovia dois cortes de juros consecutivos. Apesar disso, a flexibilização monetária não deve ser suficiente para reanimar a atividade econômica da Europa, dado que os juros elevados contribuem para o quadro de lentidão da economia, mas não são a principal causa do problema. Com poucos caminhos de crescimento à disposição, recuperar o brilho do passado parece pouco provável para os europeus, por ora.

E a China?

O PIB da China cresceu 4,6% no terceiro trimestre de 2024, na comparação com o mesmo período de 2023. O resultado segue abaixo da meta de crescimento do governo chinês para o ano, de cerca de 5%. Autoridades do país têm anunciado medidas de estímulo à atividade econômica, como o auxílio ao setor imobiliário e o fomento ao consumo doméstico. No entanto, os pronunciamentos recentes do governo forneceram poucos detalhes sobre como as propostas serão executadas – o que tem frustrado analistas de mercado.

Na nossa opinião, os estímulos econômicos podem garantir o crescimento próximo à meta em 2024. Mas há dúvidas sobre a capacidade de sustentar tais estímulos no longo prazo. Como falamos na edição 130, a China tem problemas estruturais que precisam ser endereçados. Um dos empecilhos é a crise das construtoras de imóveis. Em setembro, as vendas de moradias e investimentos imobiliários seguiram em retração. Os preços das casas diminuíram pelo 16º mês consecutivo. A combinação da crise imobiliária com o envelhecimento da população e o desemprego elevado entre os jovens faz com que o crescimento sustentável da China seja cada vez mais incerto.”

Creio que as informações trazidas pela equipe econômica do Banco C6 são muito importantes para os leitores que gostam de acompanhar a economia mundial e para os investidores. É preciso sempre lembrar que investir é uma atividade de grande risco e precisa ser respaldada por informações sempre atualizadas, porquanto amanhã não é o hoje amanhã e sim um novo dia sujeito as mudanças permanentes que ocorrem, principalmente na área econômica. Apesar da data da publicação feita pela equipe do C6 a economia mundial continua “efervescente”.

“Nada é permanente, exceto a mudança.” Heráclito de Éfeso (540 a 470 a.C.). Reforçando a ideia da mudança (devir), Heráclito afirmou também a impossibilidade de se entrar num mesmo rio duas vezes. Ao retornar, o rio e suas águas já estariam mudados, já seria outro rio, pois tudo o que existe está em constante transformação.

 *Consultor em Agronegócio

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do AGROemDIA

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