O xadrez mundial

gil reis paris 29 03 2020
Gil Reis, consultor em agronegócios – Foto: Arquivo pessoal

Gil Reis*

Estou acompanhando atentamente toda a movimentação que vem ocorrendo no Brasil e no mundo. O grande tabuleiro do xadrez mundial – no qual nós, pobres mortais, somos meros peões e os dirigentes cavalos/torres/bispos/reis/rainhas –, que no início me enchia de perplexidade e difícil entendimento, de repente começou a se descortinar. O jogo de poder tornou-se de uma clareza cristalina no momento em que uni o raciocínio, a lógica e bom senso, deixando de lado o senso comum.

O mundo e suas verdades

Vou começar sendo óbvio. O mundo não estava preparado para a globalização e, principalmente, para a disseminação de pânico e histeria coletiva por uma corrente da imprensa mundial extremista e irresponsável, que abafou as correntes radicais que exercem o verdadeiro papel da imprensa – radical no sentido de procurar a raiz dos problemas, dar transparência, denunciar e informar.

Aliada a toda essa complicação causada pelo Covid 19, está a OMS (sustentada por enormes recursos carreados pela ONU, sobre a qual dia desses comentarei a atuação danosa contra alguns países, inclusive, para o Brasil). Com inabilidade e incompetência, o OMC teve, num primeiro momento, uma atuação pífia, não dando verdadeira importância à atual virose. Com isso, deixou de usar as barreiras tradicionais para contê-la. Por isso, viu-se obrigada, logo depois, a declarar a pandemia e transferir aos seus mantenedores a missão que sempre foi sua.

Onde está aquela OMS que conseguiu conter um dos vírus mais terríveis da história, restringindo-o a apenas a três países da África e derrotando-o?

O mundo descurou-se totalmente dos sistemas públicos de saúde, principalmente nos países totalitários. Isso incentivou o mundo livre, como se os dirigentes fossem meros adolescentes que se acham super-homens e agora pagam muito caro por essa crença.

Paralelamente, o mundo enfrenta um problema que, na área empresarial, ocorre desde que foi criada a primeira empresa: há dirigentes que se preocupam única e exclusivamente com a área de recursos humanos em contraposição aos que olham apenas para a área financeira – as duas posições estanques causam enormes prejuízos, chegando a provocar a falência da maioria das empresas que não acordam a tempo para a situação.

O xadrez mundial mostra, como vem ocorrendo no Brasil, que as correntes de solução horizontal e vertical para pandemia jamais serão compatíveis, tanto do ponto de vista de saúde pública quanto do ideológico.  Logo, essas duas linhas apenas se cruzarão. Assim, creio que a saída está nas linhas paralelas, que poderão apontar caminhos para superação deste momento de crise mundial desencadeado pelo novo coronavírus na vida de todos nós, com impacto em todas as atividades econômicas, da indústria ao comércio, dos serviços à agropecuária – pilar da economia brasileira.

A propósito, antes mesmo do surgimento da pandemia, já assistíamos no Brasil ao sacrifício do setor mais exitoso de atividade econômica: o do agronegócio. Asfixiada pela altíssima carga tributária, pelos juros escorchantes e pela política de governos passados que privilegiam os tais campeões nacionais, buscando eliminar os pequenos produtores, como se fossem pragas, a cadeia agropecuária convive há um bom tempo com os vírus do endividamento e da insegurança jurídica, cujo maior exemplo é a injusta cobrança do passivo do Funrural.

Neste contexto em que verticalidade e horizontalidade dominam o debate em torno da pandemia, sem que tenhamos soluções para outras questões urgentes, como a crise no agro,  fica apenas um recado, adaptando o que disse um célebre escritor: o medo é a morte pequena, chega, nos atinge, passa através de nós e vai embora. Quando se vai, constatamos que, apesar de tudo, o que resta somos nós de volta à realidade para enfrentá-la da maneira que pudermos.

*Consultor em agronegócios

AGROemDIA

O AGROemDIA é um site especializado no agrojornalismo, produzido por jornalistas com anos de experiência na cobertura do agro. Seu foco é a agropecuária, a agroindústria, a agricultura urbana, a agroecologia, a agricultura orgânica, a assistência técnica e a extensão rural, o cooperativismo, o meio ambiente, a pesquisa e a inovação tecnológica, o comércio exterior e as políticas públicas voltadas ao setor. O AGROemDIA é produzido em Brasília. E-mail: contato@agroemdia.com.br - (61) 99244.6832

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