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Vegetarianos lançam filme contra o leite; produtores reagem: “Inverdades”

Da redação//AGROemDIA

Antes mesmo do seu lançamento, previsto para o dia 24 deste mês, o curta-metragem Órfãos do Leite, produzido pela Sociedade Vegetariana Brasileira (SVB), já provoca mais uma divergência entre os adeptos de alimentação sem proteína animal e os defensores dos alimentos convencionais. Inspirado no recente abandono de búfalos no interior de São Paulo, o filme critica a produção de leite e queijos, sob o argumento de que ela tem impacto negativo para os animais. Para o Movimento Construindo Leite Brasil, casos isolados não refletem a realidade da pecuária leiteira nem podem servir para ignorar a preocupação do setor com o bem-estar animal.

A SVB informa que o filme reconta “a difícil realidade vista na Fazenda Água Sumida, no município de Brotas (SP), onde centenas de búfalas foram encontradas pela polícia agonizando de fome e sede, em novembro de 2021. As imagens dos animais abandonados pelo fazendeiro servem de fio para contar o impacto negativo que a produção de alimentos de origem animal, como leite e queijo, tem na vida das búfalas, vacas e bezerros”.

“Precisávamos contar e eternizar essa história para que as pessoas pudessem entender a relação desses órfãos com a indústria de leite e derivados”, diz a diretora, roteirista e apresentadora do curta, a publicitária Larissa Maluf, que trabalhou como voluntária em Brotas e coordena a comunicação da SVB. O filme será exibido no YouTube e no site orfaosdoleite.com.br – além do áudio em português, o vídeo terá versões em inglês, espanhol e Libras.

Equívoco

Representantes do Construindo Leite Brasil, da Aproleite Goiás e do coletivo União e Ação, os produtores Marco Sérgio Xavier Batista e Leonel Fonseca consideram grave o caso de Brotas, mas acham “um equívoco usá-lo para atacar a produção de leite e queijos, principais produtos da pecuária leiteira, atividade que tem ajudado a garantir, através dos séculos, alimentação à humanidade”. Na opinião deles, o filme “reproduz inverdades”.

“A relação do produtor com as vacas é afetiva, elas são entes das nossas famílias”, pontua Marco Sérgio. O bem-estar animal, acrescenta, é fundamental para a pecuária de leite. “As vacas precisam de tratamento adequado para produzir bem. O cuidado com os animais, da alimentação e às instalações, é uma exigência da atividade. O carinho com as vacas é algo essencial nesse processo. Maus-tratos não fazem parte do cotidiano da propriedade leiteira.”

Caso extremo

De acordo com a diretora do filme, apesar de ser um caso extremo, o que houve em Brotas não é um isolado. “Dois novos casos de maus-tratos com vacas e bezerros usados na indústria do leite e da carne foram descobertos neste mês, em Cunha (SP) e em Uberaba (MG), confirmando o modo de operar de muitas produções com animais.”

A produção desses alimentos, assinala Larissa, exige que vacas, búfalas ou cabras sejam mães, o que ocorre por volta dos dois anos, quando passam por inseminação para ficarem prenhes. “Separados das mães, os órfãos do leite nascem apenas para atender uma demanda do mercado e depois são descartados ou destinados à produção da vitela, onde ficam presos em baias sem poder caminhar para sua carne ser mais macia.”

Foto: Divulgação/Senar/MG

Interesse comercial

O curta da SBV defende ainda que uma alimentação sem produtos de origem animal é benéfica aos consumidores. “Uma alimentação 100% à base de vegetais, que exclui todos os alimentos de origem vegetal, não somente é possível como também é comprovadamente uma das formas mais efetivas de cuidar da sua saúde”, pontua a nutricionista e diretora de campanhas da SVB, Alessandra Luglio.

Conforme Marco Sérgio, o apelo do filme em defesa do consumo de alimentação sem proteína animal mostra que o bem-estar animal pode ter sido usado para disputa de mercado. “Percebemos que algumas falácias buscam desviar o foco, mas a real intenção é comercial, haja vista a presença cada vez maior no mercado de produtos análogos ao leite e derivados, que nada tem a ver com proteína animal.”

Comprometimento

O produtor goiano avalia que o filme desconsidera o trabalho da pecuária leiteira brasileira. “Para oferecer um leite de qualidade à sociedade os produtores tomam uma série de cuidados, que passam pela gestação, genética, trato animal, bem-estar animal e meio ambiente. Temos consciência de tudo isso e grande zelo pelas vacas. A propriedade leiteira está longe de ser o que a SVB quer fazer crer.”

Marco Sérgio ressalta que o leite é um alimento comprovadamente saudável. “É lamentável que a SVB faça um filme para desmerecer a cadeia leiteira.” Apesar disso, ele vê na iniciativa da SVB uma oportunidade para que os produtores de leite mostrem aos consumidores a seriedade de seu trabalho. “Somos eficientes e comprometidos com a qualidade do nosso produto, com o bem-estar animal e com o meio ambiente.”

Cadeia leiteira

Na opinião do representante da base produtora do leite, a SVB erra ao basear o roteiro do filme em uma exceção para responsabilizar o todo, no caso, a cadeia leiteira, formada por mais de 1 milhão de propriedades rurais, em sua maioria pertencentes a pequenos e médios produtores.

“É claro que há exceções e elas precisam ser punidas com base na legislação. Agora, é inaceitável que queiram desqualificar nosso trabalho, rotulando a produção de leite e queijos como atividades contrárias ao bem-estar animal, ainda mais quando expõem a recomendação para o consumo de alimentos sem proteína animal, ou seja, estão disputando o mercado consumidor, preocupados com seu bolso”, afirma Marco Sérgio.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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