
Gil Reis*
O que significa ser pró-humanidade? Ser pró-humanidade é trabalhar em favor do desenvolvimento, da saúde, da alimentação de cada ser humano e da humanidade como um todo. Significa ainda promover e proteger a produção de alimentos, de medicamentos, do fornecimento de energia viável e acessível, do conforto, das conquistas alcançadas ao longo da existência da humanidade. Ser pró-humanidade é condenar discursos inflamados, campanhas terroristas ou atitudes que impeçam a evolução. É exatamente o inverso do que o ambientalismo e os ambientivistas pregam e executam.
É preciso que sejam evitadas todas as ações e atitudes que prejudiquem tudo o que conquistamos até hoje para concretizar uma falácia que vem sendo divulgada ao longo dos anos. Um bom esclarecimento sobre o assunto foi publicado no site CFACT, através do artigo “Os combustíveis fósseis constituem a base das nossas cadeias de abastecimento médico e alimentar”, de autoria de Ronald Stein, engenheiro e consultor político sênior em alfabetização energética do CFACT. Reproduzo trechos:
“De acordo com o plano do presidente Joe Biden para livrar a América dos combustíveis fósseis, tal plano eliminaria a indústria médica, que é completamente dependente dos produtos feitos a partir de derivados de petróleo, e eliminaria os fertilizantes à base de petróleo para cultivar as culturas que alimentam os 8 bilhões de pessoas no planeta terra. Surpreendentemente, Biden deve estar alheio às consequências do seu plano, uma vez que os esforços para cessar a utilização do petróleo podem ser a maior ameaça à civilização – e não às alterações climáticas.
Biden apoia o fim do fracking, da exploração e da importação de petróleo, que cortam a cadeia de abastecimento de petróleo bruto às refinarias. Sem petróleo bruto para fabricar, a eliminação da cadeia de abastecimento das 131 refinarias em funcionamento nos EUA eliminaria esse sector transformador. Sem refinarias, não existirão nenhum dos derivados do petróleo fabricados a partir do petróleo bruto – a base de mais de 6.000 produtos na nossa economia e estilos de vida.
Sem a cadeia de abastecimento de petróleo bruto, não só a indústria de refinação é história, mas os efeitos dominó dos impactos destrutivos serão exercidos sobre as indústrias médica, alimentar, electrónica e de comunicações, uma vez que são todas totalmente dependentes dos produtos fabricados. Derivados de petróleo fabricados a partir de petróleo bruto. Qualquer criança com ensino fundamental pode entender que a brisa e a luz do sol só podem produzir eletricidade intermitente dependente do clima.
A indústria médica depende de produtos derivados de derivados fabricados a partir do petróleo que produzem todos os equipamentos médicos críticos, tais como: sistemas de ultrassom, desfibriladores, válvulas expiratórias, válvulas inalatórias, sistemas de tomografia computadorizada, raios X, medicamentos, máscaras, luvas, sabonete, desinfetantes para as mãos para hospitais, aventais de proteção, luvas e protetores faciais para médicos e enfermeiros. Enquanto Biden tenta reduzir as emissões a qualquer custo, em favor de alguma eletricidade dependente do clima, proveniente da brisa e da luz do sol, que só pode sobreviver com subsídios maciços, as importações e exportações de carvão continuam a aumentar internacionalmente para satisfazer as necessidades de produção de eletricidade dos países em desenvolvimento, como refletido no relatório Merrill Lynch Global Energy Weekly.
O petróleo que reduziu a mortalidade infantil, prolongou a longevidade para mais de 80 anos de idade e permitiu que o mundo povoasse de 1 a 8 bilhões de pessoas em menos de 200 anos, é agora necessário para fornecer infra-estruturas alimentares, médicas, de comunicações e de transporte, para manter e aumentar essa população. Como se atrevem indivíduos e governos pró-humanidade a apoiar o banimento dos combustíveis fósseis, quando o seu banimento seria a maior ameaça à civilização, resultando na morte de milhares de milhões de pessoas por fome, doenças e mortes relacionadas com o clima?
Eliminar o uso de combustíveis fósseis reverteria a maior parte do progresso que a humanidade fez nos últimos séculos. As invenções do automóvel, do avião e do uso do petróleo no início de 1900 nos levaram à Revolução Industrial e às vitórias na Primeira e Segunda Guerra Mundial. Os países mais saudáveis e ricos de hoje têm agora mais de 6.000 produtos que não existiam há algumas centenas de anos, todos fabricados a partir de combustíveis fósseis – os mesmos combustíveis fósseis que Biden quer eliminar.
De acordo com o plano de Biden para livrar o estilo de vida e as economias americanas dos combustíveis fósseis, tal plano iria paralisar as forças armadas, o programa espacial e o Força Aérea Um. Também eliminaria as enormes exigências energéticas das companhias aéreas, dos navios de cruzeiro e dos navios mercantes, e eliminaria a indústria médica, electrónica e de comunicações, que são totalmente dependentes dos 6.000 produtos fabricados a partir de derivados do petróleo.
A primeira utilização de fertilizantes à base de petróleo ocorreu em 1946 e hoje o nosso abastecimento alimentar depende de hidrocarbonetos. A população mundial de 8 bilhões de almas depende de fertilizantes à base de petróleo para fazer crescer as culturas e alimentar os animais que são consumidos todos os anos. Qualquer cessação dos hidrocarbonetos resultará imediatamente na aniquilação de milhares de milhões de almas, fazendo com que o globo volte a ter uma população de 1950 de aproximadamente 2,5 mil milhões de almas.
Como pode um Presidente Biden pró-humanidade apoiar as vacinas contra a COVID para salvar milhares de vidas e, simultaneamente, apoiar a libertação do mundo dos combustíveis fósseis que seriam a maior ameaça à civilização, resultando na morte de milhares de milhões de pessoas por fome, doenças e mortes relacionadas com o clima?”
Como dizem nos cursos de consultoria ‘um mau aconselhamento competentemente implementado leva a quebra de qualquer empresa’. Apesar de o presidente Biden se autointitular pró-humanidade, seus consultores não o são, o que ficou bastante claro no artigo de Ronald Stein. A total ignorância a respeito do petróleo promovem providências esdrúxulas e prejudiciais à humanidade. Temos que nos acautelar diante das proibições do nosso Ministério de Meio Ambiente no sentido de explorar e extrair petróleo em determinadas regiões. Antes do prejuízo de tais medidas do nosso MMA à humanidade nos manterão dependentes da importação de petróleo, fazendo com que os nossos combustíveis fiquem cada vez mais caro.
“A História está repleta de pessoas que, como resultado do medo, ou por ignorância, ou por cobiça de poder, destruíram conhecimentos de imensurável valor que, em verdade, pertenciam a todos nós. Nós não devemos deixar isso acontecer de novo” – Carl Sagan (1934-1996) foi um cientista planetário, astrônomo, astrobiólogo, astrofísico, escritor e divulgador científico.
*Consultor em Agronegócio
**Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do AGROemDIA
