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A sustentabilidade da cadeia da carne e a ignorância sobre a produção de alimentos  

 

Gil Reis*

Os ambientalistas e ambientivistas estão cada vez “mais perdidos que cego em tiroteio”. A desorientação desses predadores se deve, entre outros fatores, ao absoluto desconhecimento dos assuntos e setores que criticam, como é o caso da cadeia produtiva da carne bovina. Falam muito em sustentabilidade. Sustentabilidade, conforme seu próprio conceito, está relacionada ao desenvolvimento sustentável, ou seja, é formada por um conjunto de ideias, estratégias e demais atitudes ecologicamente corretas, economicamente viáveis, socialmente justas e culturalmente diversas.

Os tais ‘predadores da produção’ usam apenas ‘atitudes ecologicamente corretas’, esquecendo totalmente do restante do conceito: “economicamente viáveis, socialmente justas e culturalmente diversas”. Rodrigo Padovani, médico veterinário, especialista em Agronegócio e Irradiação de Alimentos, M.Sc em Higiene e Tecnologia de POA, Pós graduando em ESG e com experiência em regulação e gestão pública em inocuidade alimentar e saúde animal, escreveu recentemente, no Linkedin, artigo intitulado “Sustentabilidade da cadeia produtiva de carne bovina”, no qual nos dá a noção correta da sustentabilidade da cadeia da carne bovina. Transcrevo:

“Numa época em que se evidencia a importância dos países promoverem a transição do sistema econômico linear para o circular, que priorizem o uso de recursos naturais, por meio de modelos de negócios, cujos processos de fabricação tenham menor dependência de matéria-prima virgem, e que usem insumos mais duráveis e renováveis, destacamos que a cadeia produtiva de carne bovina implementa diversas práticas sustentáveis há décadas.

Não ao acaso surgiu o famoso ditado popular – ‘do boi se aproveita até o berro’! Atualmente, são mapeados 49 segmentos industriais que dependem dos subprodutos bovinos. Exemplos desses aproveitamentos são os resíduos do processo de abate de animais destinados às graxarias. Nessas fábricas são produzidas farinhas de carnes e ossos, que podem ser utilizadas como matéria-prima na produção de ração de animais, além do sebo usado para fabricação de cosméticos e biodiesel. As tripas são processadas em indústrias denominadas ‘triparias’, das quais podem ser obtidas envoltórios naturais para a fabricação de embutidos cárneos ou para produção de fios cirúrgicos. Do processamento das peles frescas se obtém o couro e as raspas e aparas utilizadas para a fabricação de gelatina.

Isto posto, entendemos que é compreensível aprimorar controles aplicados na cadeia produtiva bovina visando a sustentabilidade. Um exemplo disto é a adoção de um processo de rastreabilidade de animais mais eficiente e capaz de comprovar que a origem desses animais seja advinda de propriedades rurais cumpridoras das regras sanitárias e ambientais vigentes, bem como a adoção de novas tecnologias no manejo de bovinos voltado a reduzir a emissão de gases de efeito estufa. Contudo, também temos a leitura de que a ação das indústrias de reciclagem animal, inseridas nesta cadeia produtiva, não podem ser desprezadas para proteção do meio ambiente.

Desta forma, se considerarmos toda a cadeia produtiva bovina, incluindo a importante participação as indústrias da reciclagem animal, pode-se notar que a produção de carnes no Brasil sempre foi baseada num modelo de negócio sustentável, devido ao aproveitamento de ‘subprodutos” e “resíduos’ para a produção de produtos nobres e de valor agregado, cujo processamento empregado mitiga o impacto ambiental.

Assim, cremos que a desmistificação quanto à percepção externa de que a criação de bovinos para produção de carnes no país é agente poluente, passa pela adoção constante de novas práticas que visem a sustentabilidade, associado ao esclarecimento a sociedade dos controles já implementados pelos atores da cadeia produtiva de carne bovina, tendo uma abordagem holística.”

Através do artigo do Rodrigo Padovani, podemos diagnosticar ‘de plano’ que a única especialidade dos ambientalistas e ambientivistas, verdadeiros predadores da produção alimentar, é a ignorância total e absoluta sobre os assuntos que abordam, como já frisamos. A agroindústria e os pecuaristas, estes sim, são os verdadeiros promotores da sustentabilidade abordando na íntegra todos o conceito da expressão.

Continuam a insistir no termo ‘mitigação’, sem ter noção do conceito da expressão. A mitigação, em meio ambiente, consiste em intervenções, visando reduzir ou remediar os impactos ambientais nocivos da atividade humana. Também se refere ao ato de suavizar os efeitos de um evento, quando adotam a postura de curar a doença matando o paciente.

A ignorância sobre os assuntos abordados levam à divulgação de uma verdadeira ‘enxurrada’ de mentiras. Enquanto a ciência envereda por caminhos errados, insiste em tentar, sem qualquer sucesso palpável, resolver o aquecimento global e as alterações climáticas, fenômenos que há muito vêm sendo estudados por cientistas sérios como naturais. O que deveria estar sendo estudado e promovido é a capacidade das pessoas de adaptação a situações adversas.

Os seres humanos, desde o início da sua existência na face do planeta terra, têm enfrentado todos os tipos de adversidades climáticas, aprendendo a se adaptar a elas. O leitor ficará espantado pelo número de cidades subterrâneas existentes no mundo, sem qualquer explicação razoável da existência delas, o que, na minha opinião, se trata da capacidade dos seres humanos de resistir e sobreviver a toda e qualquer adversidade climática através das mudanças de atitude e adaptação às novas realidades.

“Uma mentira que é meio verdade é a pior das mentiras” – Alfred Tennyson, (1809-1892), 1º Barão de Tennyson, poeta inglês.

*Consultor em Agronegócio

**Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do AGROemDIA

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