Tito Matos: Código Florestal, um exemplo do agro brasileiro para o mundo

Tito Matos*

O Código Florestal Brasileiro (CFB) completou neste mês de maio 10 anos de vigência. A legislação é resultante de muitas negociações, muitos debates, muitas audiências públicas em Brasília e nos diferentes biomas. Agressões aconteceram também. As ONGs ambientalistas fizeram de tudo para dificultar a aprovação da matéria. Foi um deus nos acuda. O resultado final representou um significativo avanço para o desenvolvimento agropecuário de nosso país. Foram discussões transparentes e democráticas para se chegar ao texto da Lei 12.651/12, aprovada por 410 votos contra 63 pela Câmara Federal.

Parlamentares, agricultores, criadores, profissionais da imprensa e até ambientalistas são testemunhas dessa luta para se instituir regras claras para a regularização ambiental das propriedades rurais. Foi um espinhoso caminho que resultou numa moderna legislação, única no planeta. É conveniente esclarecer que nenhum outro país do mundo dispõe de uma legislação florestal tão completa como a nossa.

Vale destacar aqui o trabalho, a dedicação e o destemor do inesquecível deputado Moacir Micheletto, que teve a coragem de assumir a presidência da comissão especial do Código Florestal, que durante alguns meses conduziu, ao lado do ex-deputado Aldo Rebelo, como relator, os trabalhos para a construção de um equilibrado texto, muito embora não fosse o texto dos sonhos nem de um lado nem de outro. Os dois souberam combater o bom combate, com o apoio da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) e da Comissão de Agricultura da Câmara Federal.

Não é segredo para ninguém que o Brasil é hoje, no cenário mundial, um dos principais produtores agrícolas e um dos maiores exportadores de alimentos. O mundo depende da produção de grãos e de proteína animal do Brasil. E a tendência é que tenhamos um papel cada vez mais preponderante no mercado agrícola global. Aliás, este é um apelo da FAO, que nos convida a sermos protagonistas nesse cenário, onde cerca de 800 milhões de criaturas ainda passam fome no mundo. Certo é que o agro brasileiro aceitou o desafio.

Nosso destemido produtor rural deveria merecer mais compreensão, apoio e simpatia daqueles que vivem na cidade a consumir todos os dias alimentos de boa qualidade”

Somos competitivos. E como tal assustamos os nossos concorrentes.

Os números sempre crescentes, sempre positivos do agronegócio, mostram os avanços do Brasil não só na produção agrícola e animal, como na conservação ambiental. Os ministros com os quais trabalhei não tinham receio em dizer, em qualquer plenário, ou mesmo em entrevistas, e em alto e bom tom, que produção e preservação não são excludentes. Foram eles: Francisco Turra, Pratini de Moraes, Roberto Rodrigues e Guedes Pinto.

O agronegócio brasileiro pode conviver, sim, num meio ambiente harmônico, de maneira sustentável, sem o ranço ideológico, como costuma acontecer. A nossa legislação florestal é um exemplo palpável desse raciocínio. E o setor produtivo rural não fica atrás.  Aqui não é preciso derrubar uma só árvore para aumentar a produção.

Os números mostram que estamos na vanguarda da execução de práticas agrícolas inovadoras, voltadas à redução de efeitos prejudiciais ao ambiente e à busca incessante de sustentabilidade. É o que se denomina de agricultura tropical, hoje copiada pelos países de clima semelhante ao nosso, mas temida pelos nossos concorrentes que financiam certas ONGs que sobrevivem e insistem em alfinetar a quem produz alimentos em nosso país.

Não foi a expansão da área plantada que levou o agronegócio brasileiro a produzir nesta safra mais de 270 milhões de toneladas de grãos. Foi a nossa produtividade. Como alcançamos esse invejável desempenho? Fácil revelar: pesados investimentos em tecnologia, pesquisa, inovação, clima, e, acima de tudo, persistência, desprendimento, coragem e a competência do nosso destemido produtor rural, que no nosso entender deveria merecer mais compreensão, apoio e simpatia daqueles que vivem na cidade a consumir todos os dias alimentos de boa qualidade.

*Jornalista, ex-assessor de imprensa do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), da Companhia de Financiamento da Produção (CFP), da Comissão de Agricultura da Câmara dos Deputados e da Frente Parlamentar da Agricultura (FPA)

**Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do AGROemDIA

AGROemDIA

O AGROemDIA é um site especializado no agrojornalismo, produzido por jornalistas com anos de experiência na cobertura do agro. Seu foco é a agropecuária, a agroindústria, a agricultura urbana, a agroecologia, a agricultura orgânica, a assistência técnica e a extensão rural, o cooperativismo, o meio ambiente, a pesquisa e a inovação tecnológica, o comércio exterior e as políticas públicas voltadas ao setor. O AGROemDIA é produzido em Brasília. E-mail: contato@agroemdia.com.br - (61) 99244.6832

Deixe uma resposta

%d blogueiros gostam disto: