Gil Reis*
Vivemos neste país que, apesar de tudo, é um país maravilhoso onde as mulheres, via de regra, são ouvidas e respeitadas com raríssimas exceções e quando isso não ocorre o mundo masculino é abalado e a civilização “pisa no freio”. A civilização humana foi construída pelo trabalho conjunto dos dois sexos. Onde é falsamente alardeado que o sexo feminino é frágil comete-se um erro colossal. Como na física o sucesso humano é resultado da soma das partes. As religiões ocidentais levaram muito tempo para reconhecer que a mulher tinha uma função muito superior que apenas a reprodução.
As mulheres no Afeganistão vivem uma das situações mais graves de violação de direitos hoje. Desde agosto de 2021, com a volta do Talibã ao poder, as restrições aumentaram muito. Meninas acima do 6º ano estão proibidas de ir à escola. Universidades foram fechadas para mulheres. A maioria das mulheres foi proibida de trabalhar em ONGs, órgãos públicos e muitos setores privados. Só podem atuar em saúde e educação básica, e com muitas restrições. Precisam de um ‘mahram’ – um parente homem – para viajar distâncias maiores que 72km. São obrigadas a usar burca ou hijab que cubra o corpo todo. Foram proibidas de entrar em parques, academias, salões de beleza e cafés. Voz cantada e música feminina também foram restringidas. Relatos de prisões, espancamentos e execuções públicas por ‘crimes morais’. O Talibã justifica com uma interpretação rígida da lei islâmica e da ‘tradição’. Organizações da ONU e de direitos humanos classificam como ‘apartheid de gênero’. Mesmo com risco, muitas mulheres afegãs continuam protestando, dando aula secreta em casa, trabalhando de forma clandestina e denunciando para o mundo. Jornalistas e ativistas estão entre as mais perseguidas.
A Reuters publicou, em 12 de agosto de 2026, a matéria “Metade das mulheres afegãs raramente sai de casa devido ao aprofundamento das restrições do Talibã, afirma agência da ONU”, assinada por Olivia Le Poidevin, que transcrevo trechos.
“Metade das mulheres afegãs agora sai de casa apenas uma ou duas vezes por mês, já que as restrições impostas pelo Talibã limitam sua liberdade de movimento e participação na vida pública, segundo dados divulgados pela ONU Mulheres.
Enquanto o Talibã se prepara para comemorar o quinto aniversário de seu retorno ao poder esta semana, o Afeganistão continua sendo o único país do mundo a proibir meninas de cursarem o ensino secundário e mulheres de frequentarem a universidade, afirmou a agência da ONU que promove a igualdade de gênero.
Meio século após a tomada do poder pelos talibãs em agosto de 2021, o Afeganistão desmantelou sistematicamente os direitos de metade de sua população, tornando-se um caso atípico global sem paralelo no mundo moderno”, afirmou a ONU Mulheres em um comunicado.
Saif-ul-Islam Khyber, porta-voz do Ministério para a Propagação da Virtude e Prevenção do Vício, que aplica muitas das normas governamentais relativas às mulheres, disse à Reuters que as notícias de que as mulheres não se sentem seguras para sair de casa são falsas e que as mulheres no país têm acesso a todos os seus direitos.
‘Esta é a primeira vez em aproximadamente 50 anos que todos os cidadãos do Afeganistão sentem que estão vivendo em segurança’ disse ele, acrescentando que a situação dos direitos das mulheres no país estava caminhando em uma ‘direção positiva’.
O Talibã impediu que cerca de 2,4 milhões de meninas afegãs tivessem acesso ao ensino secundário desde que retomou o poder no Afeganistão em 2021, informou a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO).
A ONU Mulheres afirmou que as autoridades talibãs emitiram mais de 100 decretos visando mulheres e meninas desde que assumiram o poder, institucionalizando a discriminação e aprofundando o que descreveu como a crise de direitos das mulheres mais grave do mundo.
Os talibãs argumentam que respeitam os direitos das mulheres de acordo com sua interpretação da lei islâmica e da cultura afegã.
Mais da metade das mulheres entrevistadas pela agência da ONU relataram sair de casa duas vezes por mês ou menos, enquanto quase três quartos disseram se sentir inseguras ao sair sem um guardião masculino, conhecido como mahram.
De acordo com a agência da ONU, as restrições também agravaram a crise de saúde mental. Sete em cada dez mulheres descreveram sua saúde mental como ‘ruim’ ou ‘muito ruim’, citando isolamento, perda de oportunidades e acesso limitado a redes de apoio.
A agência alertou que decretos recentes enfraqueceram ainda mais as proteções legais das mulheres. Medidas introduzidas este ano aboliram a igualdade legal entre homens e mulheres, fortaleceram a autoridade masculina no casamento e dificultaram o processo de divórcio para as mulheres, afirmou.
As mulheres também continuam amplamente excluídas da economia. Apenas 7% das mulheres estão empregadas, em comparação com 84% dos homens, de acordo com o relatório da ONU Mulheres.
A agência afirmou que seu relatório foi baseado em uma pesquisa porta a porta com 2.190 pessoas, realizada entre fevereiro e março de 2025, e em pesquisas telefônicas com 2.811 pessoas, conduzidas entre abril e maio de 2026.”
Como afirmei antes a exclusão da força feminina é o maior erro que o mundo pode cometer.
“Qualquer mulher que entenda os problemas de cuidar de uma casa está muito perto de entender os de cuidar de um país” – Margareth Thatcher
*Consultor em Agronegócio
**Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do AGROemDIA

