Mudanças climáticas ampliam desigualdade para mulheres rurais, alerta ONU

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Fotos: EBC

As mulheres rurais representam mais de um quarto da população mundial. Também correspondem a 43% da força de trabalho agrícola em todo o mundo, destaca a ONU Mulheres, neste domingo (15), Dia Internacional das Mulheres Rurais. No entanto, segundo a agência da ONU, elas raramente são proprietárias de terras e têm pouco acesso a insumos agrícolas, financiamento e tecnologias para a resiliência climática.

A ONU Mulheres enfatiza ainda que são as mulheres rurais algumas das grandes responsáveis por garantir a segurança alimentar para suas comunidades e criar resiliência climática em temos de mudanças no planeta. Mas, na comparação com os homens, assinala a agência da ONU, elas estão situação muito desvantajosa, o que pode se agravar em meio às mudanças climáticas.

Neste ano, o Dia Internacional das Mulheres Rurais tem como tema os “desafios e oportunidades na agricultura resiliente ao clima para a igualdade de gênero e o empoderamento das mulheres e meninas rurais”.

O Dia Internacional das Mulheres Rurais é seguido pelo Dia Mundial da Alimentação – em 16 de outubro, com o tema “Mudar o futuro da migração: investir na segurança alimentar e no desenvolvimento rural” – e pelo Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza (17 de outubro). Esses temas, lembra a agência da ONU, são fortemente vinculados ao empoderamento das mulheres rurais.

“As mulheres agricultoras são tão produtivas e empreendedoras quanto os homens, mas nem sempre conseguem obter preços comparáveis para as suas culturas”, diz Phumzile Mlambo-Ngcuka, diretora-executiva da ONU Mulheres e subsecretária-geral das Nações Unidas.

Meios de subsistência

“Também não têm acesso igual à terra, crédito, insumos agrícolas, mercados e cadeias agropecuárias de alto valor, essenciais para os seus meios de subsistência”, acrescenta Phumzile.

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Ela enfatiza que a ONU Mulheres, a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), o Programa Mundial de Alimentos (PMA) e o Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA) estão atuando juntos para mudar isso por meio de programas de empoderamento das mulheres.

Com o clima em mudança, aponta a ONU Mulheres, o acesso desigual das mulheres a terra, água e energia é ainda mais impactado. “Ao mesmo tempo, as desigualdades e discriminações de gênero que restringem o poder de decisão das mulheres rurais e a participação em suas famílias e suas comunidades são exacerbadas pelas mudanças climáticas e desastres climáticos”, assinala a agência.

E cita um exemplo: à medida que as enchentes e as secas aumentam, as meninas e mulheres rurais gastam mais tempo e esforços para coletar e proteger a água e o combustível, perdendo oportunidades geradoras de renda e acessando menos a educação.

“Um clima em mudança também significa que há uma janela de oportunidades cada vez menor para reduzir as disparidades de gênero na agricultura”, adverte a ONU Mulheres.

“A grande maioria dos pobres do mundo vive em áreas rurais e o fim da desigualdade de gênero na agricultura é essencial para garantir a segurança alimentar, construir a resiliência climática e acabar com a pobreza.”

Isso permitirá, conclui o organismo internacional, que as mulheres agricultoras adotem abordagens agrícolas resilientes ao clima na mesma proporção que os homens e aumentem a produtividade agrícola global.

De acordo com estimativas da ONU, o acesso igualitário das mulheres à terra e outros ativos produtivos poderia aumentar os produtos agrícolas em até 20% na África.

 

AGROEMDIA

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