Brasileiros, os novos maias?

gil reis 09 02 2020
Gil Reis, consultor em agronegócio – Arquivo pessoal

Gil Reis*

A civilização maia desenvolveu-se no sul do México e se compunha de cidades-estados, tornando-se, à época do que se convencionou chamar de América pré-colombiana, uma das mais desenvolvidas nas áreas de matemática e astronomia e com economia baseada na agricultura.

Depois de muitos estudos, pesquisas e inúmeras teorias de historiadores, antropólogos e arqueólogos sobre o fim da belíssima e próspera civilização maia, nenhuma delas foi suficientemente   convincente para explicar o seu fim e a dispersão de seu povo pelas Américas.

Os maias, durante os últimos 500 anos de sua história, sacrificavam aos seus Deuses animais e seres humanos. Conta a lenda que eram sacrificadas crianças e os adultos mais fortes e inteligentes por serem oferendas poderosas e que agradavam os seres celestiais. Em troca disso, receberiam a prosperidade.

Tais sacrifícios tiveram efeito contrário e perverso: o império maia enfraqueceu, perdeu os homens mais fortes, valentes e inteligentes; paralelamente, o sacrifício de crianças impediu, em grande parte, a renovação da população.

O que vem acontecendo no nosso país em relação a um dos setores que mais têm contribuído para o enriquecimento do seu povo, um dos que absorve maior mão de obra, responsável pelo aumento do PIB, por maior integração de seu território, por maior preservação ambiental, pelo maior sucesso nas exportações, por alimentar a população brasileira e o mundo?

Refiro-me ao agro, que vem sofrendo, ao longo dos últimos governos, uma perseguição oficial sem igual no mundo civilizado. Como exemplo, cito a luta da PGFN (Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional) para tornar constitucional o passivo retroativo do Funrural e a sua consequente cobrança, além do apoio de setores da sociedade ao MST, entre outras situações que buscam desgastar a imagem da agropecuária nacional.

Quanto ao passivo retroativo do Funrural, há promessas do presidente Jair Bolsonaro, desde a campanha, e do ministro da Economia, Paulo Guedes, de solucionar definitivamente o assunto sem prejuízos para os produtores e pequenos e médios adquirentes. Esperamos que tais providências se concretizem neste segundo ano de governo.

Talvez alguns acham exagero, mas basta examinar a enorme carga tributária (de todas as formas) que incide sobre a agropecuária, o desrespeito contra os produtores rurais, os pequenos e médios adquirentes, e a falta de gratidão aos homens e mulheres que alimentam o país, além das campanhas contra o agro, para percebermos as injustiças feitas contra o setor.

Atrevo-me a afirmar, novamente, que “a maioria dos nossos irmãos brasileiros “cospe nas mãos” de quem os alimenta.

Assisto diariamente parlamentares eleitos, com absoluta falta de conhecimento sobre o setor rural, propondo projetos de lei para elevar as taxações ou criando novas sobre o agro, sugerindo restrições ao uso das terras, na forma de criar os animais de produção e outras invenções introduzidas por ONGs financiadas por países que concorrem com o Brasil no mercado internacional.

Agora a bola da vez é a tributação das exportações, em absoluto desrespeito à imunidade tributária preceituada na Constituição. A gula arrecadatória de determinados governos estaduais elegeu o agro como tábua de salvação da má gestão. Esses governantes não perceberem que tal solução provocará o aumento do êxodo rural em direção aos centros urbanos, além da destruição econômica de seus próprios estados e do país.

A população urbana ainda não percebeu que o Brasil é um país rural por vocação e que todas as medidas que vêm sendo tomadas ao longo dos últimos governos e que continuam sendo aplicadas redundarão no fracasso e empobrecimento da civilização brasileira.

Os profetas que pregam contra o agro já começaram a decapitar os responsáveis pelo sucesso do setor rural, rolando suas cabeças pelas escadarias dos templos e usando todo o aparato e instrumental oficial disponível para a cobrança do passivo retroativo do Funrural.

Enquanto isso, o produtor na busca de uma solução, no afã da salvação, procura uma saída através do aumento da produtividade, sem perceber que tal atitude, sem um estudo criterioso, provoca efeito colateral cruel, reduzindo a sua renda.

Há 50 anos, a maioria dos alimentos que consumíamos no Brasil era importada. Corajosos homens e mulheres do agro redimiram este país, tornando-o respeitado e procurado pelos demais países em busca de alimentos para os seus cidadãos.

O conhecimento da história do Brasil não faz mal a ninguém, principalmente no que se refere à revolução do agro nas últimas cinco décadas.

Fica aqui um grito de alerta a todos nós, brasileiros: as práticas de eliminar o que é bom provocou a extinção da civilização maia; não permitamos que se use contra o nosso país a mesma estratégia danosa.

*Consultor em agronegócio

AGROemDIA

O AGROemDIA é um site especializado no agrojornalismo, produzido por jornalistas com anos de experiência na cobertura do agro. Seu foco é a agropecuária, a agroindústria, a agricultura urbana, a agroecologia, a agricultura orgânica, a assistência técnica e a extensão rural, o cooperativismo, o meio ambiente, a pesquisa e a inovação tecnológica, o comércio exterior e as políticas públicas voltadas ao setor. O AGROemDIA é produzido em Brasília. E-mail: contato@agroemdia.com.br - (61) 99244.6832

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