FAO teme volta do Brasil ao Mapa da Fome

Se não voltar a crescer de forma sustentada, não tiver fortalecimento do mercado de trabalho e correção dos valores de transferência de renda, o Brasil corre o risco de retornar ao Mapa da Fome, divulgado periodicamente pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) desde 1990. O alerta é do diretor-geral da FAO, o brasileiro José Graziano da Silva.
O país saiu do Mapa da Fome em 2014, quando caiu para menos de 3% o percentual da população que estava consumindo uma quantidade de calorias inferior ao necessário para uma alimentação adequada. Até 2013, o Brasil tinha mais de 5% dos habitantes ingerindo menos calorias que o recomendado e, por isso, aparecia na parte avermelhada do mapa.
Agora, com o aumento do contingente de famílias extremamente pobres e que não recebem qualquer tipo de assistência social – o número chegou a 7 milhões de pessoas em 2016 –, o temor da FAO é que o Brasil volte ao Mapa da Fome mundial.
“A fome no Brasil está relacionada ao crescimento econômico, ao nível de emprego e do salário mínimo e às políticas de transferência de renda”, disse Graziano, em entrevista ao jornal Valor Econômico.
Empregos formais
“É preocupante o aumento do desemprego. Conforme o IBGE, o país voltou a crescer. É preciso ver se isso será suficiente para reverter a tendência e gerar empregos formais”, acrescentou.
Pelos dados da mais recente PNAD Contínua do IBGE, divulgados em novembro, o desemprego da população ativa no último trimestre é de 12,2%, mais de 12 milhões de pessoas.
De acordo com estudos da FAO, cerca de 2 milhões de famílias viviam com renda inferior a R$ 133,72 mensais por pessoa no ano passado, mas não estavam entre os beneficiários do Bolsa Família e nem do Benefício da Prestação Continuada (BPC).
Além disso, segundo o IBGE, o percentual de famílias consideradas extremamente pobres e sem acesso a quaisquer benefícios de assistência social passou de 2,9% no primeiro trimestre de 2016 para 3,3% no mesmo ano.
O desemprego no Brasil atinge principalmente regiões metropolitanas e rurais, causando considerável redução do poder aquisitivo. Aliado à redução dos programas de proteção social, isso é uma variável que pode afetar o desempenho da segurança alimentar.

