Custos de produção de soja e milho devem subir mais de 25% na próxima safra

Foto: Paulo Pires/FecoAgro/Divulgação

Os custos de produção da soja e do milho devem ter alta superior a 25% na safra 2021/22.  A estimativa foi divulgada, nesta segunda-feira (17), pela Federação das Cooperativas Agropecuárias do Estado do Rio Grande do Sul (FecoAgro/RS).

Com isso, o desembolso do milho chegou a 27,36% em relação à safra 2020/2021. O custo operacional por hectare ficou em R$ 4.549,94, aumento de R$ 977,49 por hectare. Já o custo total de produção é de R$ 6.625,43. Em termos de comparação com a safra anterior, o valor é superior em R$ 1.590,85 por hectare.

Mesmo assim, neste mês de maio de 2021, a relação de troca está mais favorável, se comparado às últimas 10 safras, em consequência dos bons preços neste ano.

Para cobrir os custos, aponta o levantamento, conduzido pelo diretor técnico da FecoAgro/RS, Tarcísio Minetto, o produtor precisará colher 51,70 sacas de milho ao preço atual, de R$ 88,00 a saca, para o desembolso e necessitará 75,29 sacas para cobrir o custo total.

Soja

No caso da soja, os cálculos da FecoAgro/RS apontam um desembolso de R$ 3.098,25 por hectare, aumento de 29,98% comparado com safra passada e superior em R$ 714,70 por hectare. O custo total ficou em R$ 4.800,76 por hectare, elevação de 31,78% se comparado com o valor de R$ 3.643,02 da temporada passada.

Para que produtor gaúcho consiga cobrir o seu desembolso será necessário vender a um preço médio de R$ 51,64 a saca e para cobrir o custo total terá que vender a um preço médio de R$ 80,01 a saca. O sojicultor vai precisar colher 18,78 sacas de soja para cobrir o desembolso e de 29,10 sacas por hectare para cobrir o custo total. Ainda assim, é a relação de troca mais favorável das últimas nove safras, desde a safra 2012/2013.

Segundo o levantamento da FecoAgro/RS, a valorização do dólar frente ao real e a elevação dos preços dos principais produtos agrícolas em relação à ciclos anteriores impulsionaram a alta dos custos dos fertilizantes de demais insumos como defensivos, o que eleva o desembolso para próxima safra.

Combustíveis

Outro fator destacado pela entidade na estimativa é o aumento dos combustíveis e nos preços das máquinas e equipamentos, que também tiveram altas expressivas, o que teve impacto na elevação nos custos das lavouras.

De acordo com o presidente da FecoAgro/RS, Paulo Pires, mantendo-se os atuais preços pagos e os custos projetados, o produtor terá uma rentabilidade melhor na cultura do milho do que na soja, “o que é importante para a cadeia de produção animal e a economia do Rio Grande do Sul”.

O levantamento da FecoAgro/RS destaca ainda que, embora o produtor esteja mais capitalizado neste ano, é preciso ter cautela neste momento de bons preços, porque o mercado é volátil e a atividade agrícola está sujeita a riscos.

O estudo conclui que “é importante que o produtor se proteja com seguro agrícola e trave seus custos sempre buscando a sustentabilidade na produção”.

 

 

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