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Praga ambientalista ataca agricultura urbana

Gil Reis*

O planeta e a humanidade já foram vítimas de várias pragas ao longo dos milênios que causaram a destruição da vida animal e vegetal. Nenhuma delas, entretanto, voltadas a coibir e tornar proibitiva a produção de alimentos, como o ambientalismo. Os alimentos são a base da existência de toda a vida animal na superfície deste nosso sofrido planeta. Por favor não confundir a nova crença ambientalista com a preservação necessária da natureza, do meio ambiente e do planeta, sem considerar, minimamente, a manutenção da vida humana que não sobreviverá a falta de alimentos por mais resilientes que sejamos. As mortes pela fome já começaram nos países mais pobres.

Como disse antes, “nada nem ninguém está protegido da praga ambientalista”. Agora começaram a atacar a agricultura urbana. A Forbes AGRO publicou em 4 de fevereiro de 2024 o artigo “Fazendas urbanas têm pegada de carbono seis vezes maior que a agricultura convencional”, de autoria de Robert Hart. Transcrevo trechos:

“Pesquisadores da Universidade de Michigan avaliaram 73 explorações agrícolas nas cidades e mostram os impactos e desafios para acertar o passo desta atividade. Em média, as frutas e legumes cultivados em explorações agrícolas urbanas têm pegadas de carbono seis vezes maiores do que os produtos cultivados por meio da agricultura convencional, de acordo com um estudo liderado por investigadores da Universidade de Michigan que incluiu 73 explorações agrícolas e jardins urbanos.

Cada porção de frutas e vegetais cultivados em fazendas urbanas gera uma média de cerca de 500 gramas de dióxido de carbono (cerca de meio quilo), em comparação com cerca de 70g a 80 gramas, por porção, de produtos produzidos convencionalmente, descobriram os pesquisadores.

Os cientistas afirmam que a sua investigação é o primeiro estudo em grande escala da prática cada vez mais popular que de fato explica como a maioria dos alimentos são cultivados em ambientes urbanos, com a maioria das pesquisas anteriores focadas em métodos de alta tecnologia e uso intensivo de energia, como estufas em telhados e quintas verticais, em oposição às explorações agrícolas de baixa tecnologia que cultivam culturas no solo em áreas ao ar livre.

Uma análise dos 17 locais de agricultura urbana, nos EUA, que superaram a agricultura convencional identificou várias maneiras pelas quais os agricultores urbanos poderiam ser mais competitivos em termos de carbono, disseram os pesquisadores, como prolongar a vida útil de infraestruturas como canteiros e galpões elevados (a agricultura comercial em grande escala geralmente usa equipamentos para décadas, reduzindo os custos do carbono).

Os agricultores urbanos também poderiam reutilizar resíduos, como entulhos de construção – por exemplo, para edifícios e infraestruturas – ou utilizar a água da chuva para reduzir a sua pegada de carbono, de acordo com os pesquisadores.

‘A maior parte dos impactos climáticos nas fazendas urbanas é causada pelos materiais usados ​​para construí-las – a infraestrutura’, disse Benjamin Goldstein, que co-liderou o estudo e é professor assistente na Escola de Meio Ambiente e Sustentabilidade de Michigan. ‘Eles só funcionam durante alguns anos ou uma década. O efeito estufa vem muito dessa produção de materiais que não são utilizados de forma eficaz. A agricultura convencional, por outro lado, é muito eficiente nesses processos, o que torna difícil competir com ela.’

De acordo com Goldstein, a escolha do que produzir também ajuda muito a determinar o quão ecologicamente correta é uma fazenda urbana. Ele disse que as descobertas de que as culturas mais competitivas em carbono incluíam alimentos como tomate e espargos podem ser usadas para ‘extrapolar para culturas semelhantes’. Outras culturas cultivadas em estufas, como tomates, pepino, alface, pimentão, espinafre e morangos, também poderiam produzir alimentos competitivos em carbono para os agricultores urbanos, disse ele. O pesquisador também destaca outras culturas transportadas por via aérea, como feijão verde e frutas vermelhas, que poderiam ser boas escolhas.

Embora os investigadores afirmem que as suas descobertas sugerem que é necessário tomar medidas para garantir que a agricultura urbana ‘não prejudique os esforços de descarbonização urbana’, sublinham que esta prática traz muitos benefícios para além do seu potencial não realizado de redução das emissões de carbono. Eles dizem que uma pesquisa com agricultores urbanos relatou, de forma esmagadora, melhorias na saúde mental, na dieta e nas redes sociais decorrentes da prática.”

O artigo nos mostra, de uma forma quase meiga, que os pesquisadores da Universidade de Michigan tratam a agricultura urbana, dando a impressão que estão defendendo-a, quando, na realidade, estão ampliando o ataque à produção de alimentos, saltando do campo para as cidades. É impressionante como esquecem, como se não existisse o monóxido de carbono (CO), gás muito mais letal que o dióxido de carbono (CO2). Os habitantes dos centros urbanos respiram diariamente uma quantidade não recomendada de CO. Alguns cientistas climáticos de hoje esquecem da força da natureza com a qual os seres humanos tem convivido ao longo de milênios para poder cultivar e manter as suas fontes de alimentação.

“Devemos lembrar o que é a Natureza; que grandeza, compostura de profundidade e tolerância há nela. Você pega trigo para lançar no seio da Terra; seu trigo pode ser misturado com palha, palha picada, lixo de celeiro, poeira e todo lixo imaginável; não importa: você o lança no tipo apenas terra; ela cultiva o trigo – todo o lixo que ela absorve silenciosamente, envolve-o, não diz nada sobre o lixo” — Thomas Carlyle, escritor, historiador, ensaísta, tradutor e professor escocês durante a Era Vitoriana.

*Consultor em Agronegócio

**Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do AGROemDIA

 

 

 

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