Fetag-RS sai pessimista de negociação sobre o preço do tabaco na safra 2024/25
A Federação dos Trabalhadores na Agricultura no Rio Grande do Sul (Fetag-RS) divulgou nota, nesta semana, manifestando sua preocupação em relação às negociações com as empresas fumageiras para estabelecer o preço do tabaco na safra 2024/25. As últimas reuniões para tratar do assunto, realizadas ontem (15) e anteontem (14) não contaram com a participação de nove empresas. Essa ausência foi vista com um sinal negativo pelos representantes dos produtores de fumo.
Abaixo, a íntegra da nota da Fetag-RS:
“A Fetag-RS manifesta preocupação com a ausência de seis das onze empresas fumageiras convidadas para as reuniões realizadas na sede da Afubra, nos dias 14 e 15 de janeiro, destinadas à definição do preço do tabaco da safra 2024/2025. Essa ausência enfraquece o sistema integrado de produção, prejudicando diretamente a agricultura familiar. Além de não comparecerem, as empresas ausentes não apresentaram propostas, desrespeitando a determinação de trazer, no mínimo, ajustes que cobrissem o custo de produção.
Uma das exigências da comissão representativa era que as propostas das empresas contemplassem, no mínimo, o custo de produção, além de percentuais adicionais para corrigir defasagens acumuladas. No segmento Virgínia, duas empresas, China Brasil e UTC, apresentaram propostas cobrindo apenas o custo de produção. A Universal Leaf adicionou à variação do custo um reajuste de 1,05% para recuperação da tabela. A JTI revisou sua oferta anterior, propondo um reajuste de 10,50%, no entanto, esse índice é o percentual médio aplicado sobre todas as classes da tabela, desfavorecendo as classes com maior valor de remuneração. A BAT, no entanto, discordou do custo de produção previamente acordado com a comissão e não apresentou proposta.
No segmento Burley, as empresas que apresentaram propostas atenderam ou superaram a variação do custo de produção, alinhando-se às expectativas da comissão.
A Fetag-RS salienta que é fundamental valorizar o tabaco de qualidade produzido diretamente pelos agricultores, assegurando que a remuneração adequada esteja nas mãos dos produtores, e não de atravessadores. O agricultor deve ocupar o centro do sistema integrado, sendo reconhecido como o principal pilar desse modelo de produção, o que também fortalece a sustentabilidade no meio rural.
Para Camila Rode, diretora da Fetag-RS que esteve presente na negociação, “no mês de fevereiro, uma nova rodada de negociação deverá ocorrer e permaneceremos na luta para que o agricultor tenha garantida uma remuneração justa e adequada a atividade, já que a tabela de preço é uma ferramenta crucial para o agricultor, e precisamos dela forte para que em anos que a comercialização está desfavorável o produtor tenha garantia mínima”.
Também estiveram presentes representando a Fetag-RS a assessora de política agrícola Carla Schuh e o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Santa Cruz do Sul, Sérgio Reis.

