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Sistema de saúde cubano em declínio

Gil Reis*

Sucesso no passado não garante sucesso no futuro. Ter sucesso significa obter êxito, triunfar, prosperar ou alcançar objetivos. Sinônimos comuns incluem dar certo, vencer, conquistar, realizar, conseguir, logar, resultar e vingar. A expressão indica um desfecho positivo ou a realização com êxito de um objetivo, também associado a ‘chegar lá’ ou ter um resultado favorável.

A Reuters publicou, em 26 de março de 2026, a matéria “Médicos cubanos sofrem com esgotamento profissional e apagões, enquanto o outrora prestigiado sistema de saúde entra em declínio”, assinada por Daniel Trotta, que transcrevo trechos.

“Um médico cubano com mais de 25 anos de experiência, como a maioria dos cubanos que recebem salário do governo, precisa de uma renda extra para se sustentar. Para evitar os frequentes cortes de energia, ele acorda às 5 da manhã para cozinhar arroz e feijão para vender, complementando sua renda, já que os custos com ônibus e táxi superam seu salário mensal de 8.000 pesos, ou aproximadamente US$ 16. O sistema de saúde de Cuba, há muito considerado uma grande conquista da revolução de 1959 e de décadas de regime comunista, vem sofrendo um declínio evidente há anos, à medida que a economia em crise e as severas sanções econômicas dos EUA cobram seu preço.

Em um país de 10 milhões de habitantes, 96 mil cubanos estão na fila de espera para cirurgias, sendo 11 mil crianças, segundo o Ministério da Saúde Pública de Cuba. A previsão é de que a lista de espera possa chegar a 160 mil até o final do ano. Mais de 300 cirurgias pediátricas por semana sofrem com a falta de medicamentos, oxigênio, anestesia e outros materiais. Cerca de 32 mil gestantes podem não conseguir realizar o mínimo recomendado de três ultrassonografias.

O médico, que pediu para permanecer anônimo por medo de represálias, disse que o estresse constante de racionar os cuidados o afetava profundamente, trazendo à tona lembranças dos piores dias da pandemia de coronavírus. ‘Aqui sempre houve promessa de saúde pública. Gratuita’. Um sistema de primeira classe, disse o médico. ‘Não sei por quanto tempo mais conseguiremos suportar isso. Há cada vez menos médicos, menos recursos para os pacientes, mas os pacientes continuam chegando.’ Embora a economia cubana tenha seus próprios problemas, as sanções americanas prejudicaram ainda mais a equipe médica do país, carinhosamente conhecida como o ‘Exército de Jalecos Brancos”.

Médicos do sistema público de saúde dizem que seus colegas estão sofrendo de esgotamento profissional, deixando o país ou abrindo mão de salários mensais de 7.000 a 8.000 pesos – o equivalente a US$ 14 a US$ 16, segundo uma taxa de câmbio não oficial comumente utilizada – para trabalhar em pequenos comércios, como garçons ou faxineiros.

Agora possuímos um portfólio de medicamentos anti-obesidade e nossa esperança é que possamos não apenas desenvolver essas moléculas para ajudar a atender às necessidades dos pacientes,

A Reuters entrevistou outros dois médicos que preferiram não ser identificados, mas relataram histórias semelhantes de desespero. Além disso, durante visitas oficiais autorizadas, acompanhadas por funcionários do governo, a Reuters entrevistou outros três médicos, quatro enfermeiras e um alto funcionário do Ministério da Saúde. Essas entrevistas também revelaram dificuldades para a profissão, embora em termos menos alarmantes.

Os médicos, que falaram anonimamente, dizem que os suprimentos básicos estão escassos, obrigando a equipe a trazer materiais de limpeza de casa ou a esfregar o chão apenas com água. Luvas descartáveis, antes limpas e reutilizadas diversas vezes, desapareceram completamente. Sem bolsas de urina disponíveis, os médicos têm recorrido a garrafas de água ou Coca-Cola, disse um deles.

Isso coincidiu com um aumento nos casos de hepatite e diarreia, disseram dois dos médicos. A Reuters não conseguiu verificar nenhuma ligação, mas um alto funcionário do Ministério da Saúde afirmou que houve um aumento nas infecções devido à escassez de antibióticos.

A escassez de combustível e as consequentes interrupções no fornecimento de água potável impedem o abastecimento quando as bombas estão inoperantes, fechando algumas clínicas de atenção primária.

‘Eles não fecharam oficialmente. Não podem dizer isso publicamente. Mas não estão realizando consultas porque não há água’, disse o segundo médico.

Quando a energia acaba, e antes que os geradores entrem em funcionamento, as enfermeiras da unidade neonatal de um hospital correm para bombear manualmente o ar dos ventiladores para os bebês, disse uma enfermeira ao Drop Site News.

‘O Exército de Jalecos Brancos não decepcionará o povo de Cuba, apesar das difíceis circunstâncias que enfrentamos hoje’, disse Tania Margarita Cruz, vice-ministra da Saúde Pública, em uma coletiva de imprensa na semana passada. No entanto, ela afirmou que a crise energética resultou em uma redução nas consultas médicas, nas internações hospitalares e no fornecimento de itens básicos. Cuba está tratando 117 mil pacientes com câncer, dos quais 16 mil precisam de radioterapia, 12 mil de quimioterapia e 400 de cirurgia, disse Cruz.

‘Como é difícil para uma família cubana com um paciente com câncer, especialmente uma criança com câncer’, disse Cruz. ‘Não temos os medicamentos necessários para o protocolo de excelência que sempre foi aplicado neste país.’ Cruz não quis apresentar um número de mortes decorrentes dos efeitos das sanções americanas, e outros funcionários da área da saúde também não o fizeram. Mas ela reconheceu uma ‘diminuição nas taxas médias e gerais de sobrevivência de pacientes e crianças cubanas’ com câncer. Cruz também observou que a escassez de antibióticos pode ‘levar à morte do paciente’.

Questionado sobre o esgotamento profissional dos médicos, Cruz mencionou um aumento salarial recente e afirmou que o ministério instituiu um programa para elevar o moral, melhorando as condições de trabalho, as oportunidades profissionais e a pesquisa. No ano passado, o governo aumentou o pagamento noturno para 100 pesos por hora, ou US$ 2,40 no total para um turno de 12 horas. O bônus por alto desempenho em certas especialidades era de 20 pesos, ou 4 centavos de dólar por hora.

Apesar da mensagem oficial otimista, os médicos na linha de frente questionam quanta dificuldade mais eles podem suportar. Os três médicos que falaram anonimamente à Reuters são antigos aliados do governo e disseram que sua paciência está se esgotando. ‘Todos nós temos medo de nos manifestar’, disse um dos médicos, acrescentando que levantar objeções pode prejudicar carreiras. ‘Já vi médicos chorarem’, disse ela. “Com essa crise, eles choram. Pararam de trabalhar, ficaram deprimidos. Dá para ver no rosto deles.”

Esta é a triste realidade da área de saúde em Cuba hoje, o sucesso tão alardeado pelo mundo inteiro não pode ser mantido.

“Então a menininha disse à ‘fessora’: Meu irmão acha que é uma galinha. A professora respondeu: Oh, Deus do céu! O que é que vocês estão fazendo para ajudar o pobre menino? A menininha respondeu: Nada. Mamãe diz que a gente tá precisando de ovos.”

*Consultor em Agronegócio

**Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do AGROemDIA

 

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