Heroísmo
Gil Reis*
Na minha opinião, os heróis não surgem, o heroísmo é fruto de uma necessidade humana de autopreservação, a Wikipédia define bem: Herói (feminino: heroína) é uma pessoa real ou um personagem principal fictício que, diante do perigo, combate a adversidade por meio de feitos de engenhosidade, coragem ou força. São os primeiros seres humanos da literatura uma figura arquetípica, personagem modelo, que reúne, em si, os atributos necessários para superar, de forma excepcional, um determinado problema de dimensão épica. Do grego ἥρως (hērōs), pelo termo latino heros, o termo “herói” designava, originalmente, o protagonista de uma obra narrativa ou dramática. Para os gregos antigos, o herói situava-se na posição intermédia entre os Deuses e os Homens, sendo, em geral, filho de um Deus e de uma Mortal (Hércules e Perseu), ou vice-versa (Aquiles). Portanto, para os gregos antigos, o herói tinha uma dimensão semidivina.
Sobre o conflito Rússia X Ucrânia a Reuters publicou, em 26 de agosto de 2026, a matéria “Como um comandante ucraniano atravessou rapidamente a ‘zona de morte’ para salvar tropas feridas”, assinada por Vitalii Hnidyi e Dan Peleschuk, um exemplo de heroísmo que transcrevo trechos:
“Ao ver dois combatentes feridos abandonados no campo de batalha — um deles ainda preso a um drone terrestre imobilizado por um ataque russo — o comandante ucraniano Vladyslav Polskyi soube que precisava fazer algo.
O homem de 29 anos — um ex-professor de ciências que ingressou no exército em 2023 — estava observando os soldados em uma tela em seu posto de comando, a cerca de 15 km (9 milhas) de distância.
Entre eles estendia-se a ‘zona de abate’, repleta de minas e infestada por drones aéreos prontos para atacar qualquer coisa que se movesse.
Polskyi, cujo codinome militar é ‘Professor’, entrou em sua caminhonete cinza e passou em alta velocidade por campos queimados e carcaças carbonizadas de outros veículos deixados no campo de batalha do norte da Ucrânia. Ele não usava capacete nem colete à prova de balas.
‘Se tivesse acontecido comigo, eu gostaria que viessem me buscar e não me deixassem lá’, disse o tenente júnior à Reuters, relembrando sua missão de 15 de agosto para resgatar os dois homens, que pertenciam a outro batalhão.
Seu feito chamou a atenção do país e lhe rendeu a mais alta honraria militar, a de Herói da Ucrânia, dias depois. O presidente Volodymyr Zelenskiy entregou-lhe a condecoração durante as comemorações do Dia da Independência em Kiev, na segunda-feira.
‘As pessoas precisam ser cuidadas. Obrigado, Vladyslav!’, disse Zelenskiy ao anunciar a premiação.
Em entrevista à Reuters menos de uma semana após a operação, Polskyi descreveu a corrida em direção aos homens enquanto planejava como os colocaria na carroceria do caminhão.
Os dois soldados ucranianos haviam sido feridos durante uma missão de combate na região de Kharkiv e estavam sendo evacuados em cima de um veículo terrestre não tripulado quando este foi atingido por um dos pequenos e ágeis drones helicópteros russos carregados com explosivos.
As forças de Kiev têm utilizado veículos não tripulados controlados remotamente para ajudar a limitar o envolvimento humano em tarefas perigosas, como evacuações dentro da ‘zona de morte’, buscando obter vantagem contra o exército maior de Moscou.
O ataque bem-sucedido da Rússia revelou as limitações dos veículos relativamente lentos e rudimentares. O drone russo destruiu o terminal Starlink do drone terrestre, cortando a comunicação com o piloto e imobilizando-o.
Um dos soldados feridos conseguiu rastejar para uma vala à beira da estrada e se esconder na vegetação; o outro jazia indefeso sobre o veículo de quatro rodas sob o céu aberto, com o pé direito pendurado no osso.
A Ucrânia também tem feito uso generalizado de drones de ataque no campo de batalha e afirma estar matando ou ferindo cerca de 30.000 soldados russos por mês – um número que Moscou considera exagerado.
Ambos os lados frequentemente publicam vídeos de drones caçando soldados do outro lado na “zona de abate”.
Imagens de drones de vigilância, obtidas com exclusividade pela Reuters da unidade de Polskyi, o 475º Regimento de Assalto, mostram seu caminhão descendo em alta velocidade uma estrada de cascalho antes de virar e dar ré rapidamente em direção ao drone danificado.
A Reuters conseguiu verificar a localização exata do resgate usando as imagens completas. No entanto, o regimento pediu para não divulgar o local onde ocorreu por motivos de segurança.
Em outro posto de comando próximo, o líder do pelotão de drones, ‘Malyi’, acompanhava o resgate em tempo real pelas telas.
‘Todos no centro de comando ficaram chocados’, disse o jovem de 22 anos, que pediu para ser identificado apenas por seu indicativo de chamada. Ele acrescentou que um único drone russo ou uma mina terrestre poderia ter matado os três homens.
Polskyi — vestido com camiseta e bermuda — colocou os dois homens em sua caminhonete e correu para casa, conseguindo escapar dos drones russos que haviam sido detectados se dirigindo para seu novo alvo.
Olhando para trás, ele se lembrou do medo nos olhos dos homens. Ele também estava com medo. ‘Mas você precisa saber como controlá-lo’, disse ele.”
A matéria da Reuters assinada por Vitalii Hnidyi e Dan Peleschuk nos traz um exemplo de heroísmo recente ocorrido do outro lado do Atlântico que transcende o medo da morte.
“O medo é o assassino da mente. O medo é a pequena morte que leva à aniquilação total. Enfrentarei meu medo. Permitirei que passe por cima e através de mim. E, quando tiver passado, voltarei o olho interior para ver seu rastro. Onde o medo não estiver mais, nada haverá. Somente eu restarei.”- Frank Herbert / Duna
*Consultor em Agronegócio
**Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do AGROemDIA

