Trigo: setor cobra política de proteção aos produtores

trigo

O Brasil precisa ter uma política de proteção ao produtor de trigo, defendeu o deputado Luís Carlos Heinze (PP-RS). Na última safra, em 2016, as perdas ultrapassaram R$ 500 milhões, estimou o parlamentar. Grande parte do prejuízo, assinalou, deve-se à falta de apoio aos produtores, que gastam muito para produzir o cereal que está com o preço baixo. Além disso, acrescentou, há a concorrência com o produto de outros países do Mercosul.

“Tem que ter uma política de proteção ao produtor nacional. Nada contra o trigo argentino ou paraguaio, mas em primeiro lugar temos que dar atenção ao produtor brasileiro”, ressaltou Heinze, ao participar de audiência pública na Comissão de Agricultura da Câmara Federal. A reunião foi proposta pelo deputado para analisar as dificuldades enfrentadas na produção e comercialização de trigo no Brasil.

Na audiência, o superintendente da Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar), Robson Mafioletti, apresentou dados sobre as importações brasileiras de trigo. Nos últimos 10 anos, as compras externas do cereal custaram ao Brasil US$ 18,4 bilhões. Nesse período, foram adquiridas lá fora 67,5 milhões de toneladas. No ano passado, foram gastos US$ 1,48 bilhão com as importações de 7,34 milhões de toneladas.

Segundo Mafioletti, nesta safra, o Paraná plantou 955,8 mil hectares, o que significa uma redução de 13%, ante 1,1 milhão cultivado anteriormente.  A produção estimada é 2,8 milhões de toneladas, uma queda de 19%.

Descasamento

Ana Paula Kowalski, assessora da Federação da Agricultura do Paraná (FAEP), criticou o descasamento entre os custos de produção da lavoura e o preço mínimo do governo.  Os produtores, observou, gastam entre R$ 40 e R$ 50 para produzirem um saco de trigo, enquanto o preço de garantia está em torno de R$ 37, valor que sequer cobre os desembolsos dos agricultores, sem considerar os riscos climáticos e o pesado seguro rural para a lavoura. Atualmente, o trigo é comercializado entre R$ 32 e R$ 35 o saco.

Um dos palestrantes da audiência pública, o presidente da Comissão do Trigo da Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul, Hamilton Guterres Jardim, defendeu a autossuficiência brasileira na produção do cereal. “Temos que pensar, sim, nessa autossuficiência. Para tanto, há necessidade de se ter políticas públicas, política de Estado, para esta cultura”.

Hamilton revelou que cada hectare plantado de trigo gera um emprego direto e outro indireto. “Tomara que esta audiência seja o ponta pé inicial para este objetivo”, ressaltou.

Vários empecilhos à produção do trigo no Brasil foram citados pelos participantes da audiência, desde o elevado custo do seguro privado, entre 12 e 16%, enquanto para o automóvel é de 6% em média, até a proibição da utilização de embarcações com bandeira estrangeira na cabotagem, o que contribui para o encarecimento do transporte do produto para as regiões consumidoras. Foram lembradas também as limitações na aplicação de agroquímicos. “Extremamente exigentes, ao contrário do que ocorre nos países vizinhos”.

Foto: Secretaria de Agricultura do RS

 

AGROemDIA

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