Melhor distribuição de renda desafia agricultura na América Latina

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Livro aponta necessidade de divisão mais justa dos benefícios econômicos na região – FAO

O futuro da agricultura e da vida no campo na América Latina e Caribe passa por dois desafios principais: melhorar a produtividade agrícola de modo sustentável e assegurar uma distribuição mais justa dos benefícios econômicos entre os habitantes dos territórios rurais. Isso é o que aponta a nova edição do livro Perspectivas da Agricultura e do Desenvolvimento Rural nas Américas.

O livro foi lançado na Costa Rica pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), pelo Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA) e pela Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal).

“O desenvolvimento agrícola da região tem sido exitoso, mas não tem tido os efeitos sociais necessários. Hoje somos líderes mundiais na agricultura, mas quase metade da população rural vive na pobreza”, diz Luiz Carlos Bedushi, oficial de Políticas em Desenvolvimento Territorial da FAO.

De acordo com Bedushi, a Agenda 2030 e os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável representam um novo marco de ação para que os países implementem políticas voltadas à proteção do meio ambiente, à inclusão social e ao crescimento econômico.

“Se queremos acabar com a fome, com a insegurança alimentar e com as práticas não sustentáveis, é indispensável que os países da América Latina e do Caribe redobrem esforços para aumentar a produtividade e reduzir as desigualdades nas cadeias agroalimentares”, acrescenta o Representante do IICA nos Estados Unidos, Miguel García-Winder.

Ele também sinaliza que é necessário intensificar os investimentos em inovação, infraestrutura produtiva e em facilitação do comércio, além de aumentar o acesso dos produtores mais vulneráveis a ativos e serviços produtivos. Para Winder, é necessário ainda promover os vínculos com mercados de maior valor agregado.

Perspectivas futuras para a agricultura da região

Segundo a publicação, a América Latina e do Caribe está se consolidando como uma grande exportadora de grãos e oleaginosas. A estimativa é que a posição nos mercados mundiais de frutas, de hortaliças e de bebidas também seja fortalecida.

As perspectivas indicam que a produção pecuária regional continuará se consolidando, mas deverá enfrentar questionamentos devido aos seus efeitos ambientais e práticas não sustentáveis.

O livro projeta que a aquicultura será um dos setores de maior crescimento no futuro e que o setor florestal deve fortalecer suas funções econômicas e sociais.

A publicação destaca, entre as recomendações, a necessidade de implementar estratégias integradas de políticas públicas. Isso inclui melhorar as políticas macroeconômicas nos países e a realização de reformas estruturais que garantam sustentabilidade social e econômica da agricultura.

Para que isso aconteça, será necessário modernizar as regulamentações, fortalecer os mercados internos e as políticas comerciais, além de impulsionar os investimentos, a inovação e o desenvolvimento da infraestrutura.

O estudo também recomenda o aumento de novas tecnologias, de maquinários, da agricultura de precisão e o melhoramento da integração das cadeias agroalimentares. O uso de sistemas de informação e a geração de evidências necessárias para que os países possam tomar melhores decisões também será um fator determinante.

O relatório ainda sinaliza que os países devem aprofundar os esforços para enfrentar e atenuar os efeitos das mudanças climáticas e melhorar os processos de monitoramento e avaliação de políticas públicas.

Da redação, com informações da FAO Brasil

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