Em 15 anos, desmatamento no Cerrado foi maior do que na Amazônia

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Ipam diz que não há planejamento na expansão do agro no Cerrado Foto: Brasil.Gov.Br

O Cerrado perdeu 236 mil quilômetros quadrados de mata entre 2000 e 2015. No mesmo período, a Amazônia – bioma duas vezes maior – teve redução de 208 mil km2. Os dados foram divulgados pelo Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam), na 23ª Conferência do Clima, que começou no último dia 6 e vai até 17 (sexta-feira), em Bonn (Alemanha).

Segundo o Ipam, o desmatamento no Cerrado gerou a emissão de 8,16 milhões de toneladas de CO2, o principal gás do efeito estufa. O volume equivale a 3,6 anos da emissão total do Brasil registrada em 2016.

Para o Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia, a expansão da agropecuária no bioma tem sido feita sem planejamento territorial adequado, colocando em risco a viabilidade do negócio e a conservação da natureza.

A ocupação desordenada do segundo maior bioma do Brasil, acrescenta a entidade, tem consequências para o próprio agronegócio. Entre 2014 e 2015, mais de 4 mil quilômetros quadrados das plantações no Cerrado estavam em áreas inaptas à produção agrícola, com padrões irregulares de chuva, por exemplo.

O Cerrado cobre 24% do território brasileiro e engloba oito das 12 bacias hidrográficas do país. Metade – assinala o Ipam – já foi derrubada e a área pode aumentar mais: no Matopiba, região entre Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, a agricultura tem avançado sobre áreas de vegetação natural, quando o padrão era ocupar terras já desmatadas, onde antes havia pasto.

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No Matopiba, especulação imobiliária incentiva desmatamento – Foto: Brasil.,Gov.Br

Modelos ineficientes de produção

“Cerca de 30 milhões de hectares do Cerrado já estão desmatados, sem uso ou com modelos ineficientes de produção. Trabalhar bem essas áreas deve ser prioridade da decisão sobre a expansão da agropecuária nesse bioma”, afirma o pesquisador do IPAM, Tiago Reis, principal autor da avaliação.

“Planejamento territorial e incentivos para o uso eficiente do solo devem reorientar os investimentos, de forma a gerar benefícios econômicos, sociais e ambientais para o Brasil”, diz Reis.

O gerente sênior de política florestal da organização Environmental Defense Fund, Chris Meyer, considera importante incluir o setor privado de commodities na discussão do assunto. “É preciso que se exija o cumprimento da lei, como o Código Florestal, para trazer legalidade ao processo, e então trabalhar para aumentar as exigências de conservação.”

Já o pesquisador Arnaldo Carneiro, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), chama a atenção para outro fator que incentiva o desmatamento no Cerrado: a especulação de terras.

“No Matopiba, o que tem estimulado a abertura de novas áreas são grandes investimentos imobiliárias, por vezes com fundos de pensão americanos que funcionam como esponjas, atraindo pessoas para novas fronteiras”, afirma. “Isso vai além do diálogo com todo o setor privado e os consumidores.”

 

AGROemDIA

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