Retrato do Brasil: 14 mortos na maior chacina do Ceará

cachina ceara
Foto: Sindicato dos Policiais Civis de Carreira do Estado do Ceara (Sinpol-Ce)

Helena Martins/Da Agência Brasil*

Uma festa no bairro Cajazeiras, na periferia de Fortaleza, terminou com ao menos 14 pessoas mortas na madrugada deste sábado (27). Homens armados invadiram o local e dispararam contra o público do Forró do Gago. Segundo a Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social do Ceará, é a maior chacina já registrada no estado.

Das vítimas, sete já foram identificadas. Os nomes não foram divulgados, mas a secretaria informou que três são homens maiores de idade e quatro são mulheres, duas maiores e duas adolescentes.

Pelo menos seis pessoas feridas no tiroteio seguem internadas no Instituto Doutor José Frota (IJF), maior centro médico de urgência e emergência da capital cearense.

Em entrevista à imprensa, o secretário da Segurança Pública e Defesa Social, André Costa, disse que as investigações já foram iniciadas, mas que ainda não é possível precisar o motivo do crime:

“O que temos de concreto é que, às 0h39min, recebemos uma chamada da Ciops [Coordenadoria Integrada de Operações de Segurança] de um tiroteio em um local no bairro das Cajazeiras, conhecido como Forró do Gago. De imediato, viaturas do Cotam [Comando Tático Motorizado] compareceram ao local, depois foram outras. Chegando lá, encontraram corpos e foram feitos trabalhos periciais”.

Facções criminosas

A chacina reforça o cenário de violência que marca o estado hoje. O Atlas da Violência 2017, estudo feito pelo Ipea e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, mostra que a taxa de homicídios por 100 mil habitantes no Ceará cresceu 47% entre 2010 e 2015, ano em que foram contabilizados 4.163 homicídios.

Professor da Universidade Federal do Ceará e pesquisador do Laboratório de Estudos da Violência, Luiz Fábio Paiva ressaltou que parte desse número está ligada às facções criminosas.

A hegemonia do crime no estado, segundo o pesquisador, tem sido disputada por dois grupos: uma aliança formada pelo Comando Vermelho e pela Família do Norte e, de outro, um grupo local conhecido como Guardiões do Estado, que receberia o apoio do Primeiro Comando da Capital (PCC). Para ele, o poder público é “completamente ineficaz no enfrentamento dessa situação”.

Na coletiva, o secretário de Segurança negou que o estado teria perdido o controle da segurança pública para as facções criminosas. “Não há perda de controle. É um evento isolado”, disse Costa, acrescentando que “é uma situação criminosa, que foi organizada, que foi planejada e que veio a ser executada”.

Ele comparou a situação com ataques em boates e shows em outros países, como nos Estados Unidos. Para Costa, “não há motivo para pânico, para temor”.

Já Paiva assinalou que não se trata de um fato isolado, mas de uma “sistemática de homicídios”. “Tivemos um momento de ‘pacificação’, de acordo entre esses grupos, mas logo em seguida tivemos uma deflagração de uma guerra entre vários grupos que atuam no Ceará. E, consequentemente, logo em seguida, começamos a observar várias chacinas”, acrescentou o pesquisador.

Em junho de 2017, uma chacina resultou em seis mortes no bairro Porto das Dunas, também em uma festa. Em novembro, quatro adolescentes privados de liberdade foram retirados por criminosos do Centro Educativo Mártir Francisca e assassinados. “São várias chacinas sem resolução, sem que os responsáveis sejam presos e devidamente punidos”, pontuou Paiva.

Em nota, a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) informou que uma pessoa foi presa, suspeita de participação na chacina e que um fuzil foi apreendido. A pasta alegou que mais detalhes não seriam divulgados neste momento para não comprometer as investigações, que contam com o trabalho das polícias, perícia forense e outros órgãos.

*Colaborou Renata Martins, repórter da Rádio Nacional

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