Tecnologia Uber: uma inovação Schumpeteriana

Waldir Leite Roque/Professor Titular UFPB

A inovação incremental tornou-se parte fundamental do desenvolvimento econômico baseado em conhecimento. Alguns dos leitores certamente ainda se lembram das fitas cassete utilizadas em toca-fitas portáteis que viram walkman, diskman, tocadores de mp3, pendrives e hoje estamos com smartfones com as músicas nas nuvens, tudo isso em menos de 40 anos. O conceito de telefonia fixa evaporou-se e milhões de quilômetros de cabos espalhados pelo mundo tornaram-se inúteis, além das várias empresas produtoras dos mesmos. A Kodak, tradicionalmente conhecida por produzir máquinas e filmes fotográficos, sucumbiu à inovação das minicâmaras digitais nos celulares. 

Joseph Schumpeter, famoso economista austríaco, dizia que a tecnologia é uma criação destrutiva. Os exemplos acima comprovam que uma inovação tecnológica elimina uma inovação recente ou mesmo conceitos e empresas tecnologicamente bem estabelecidos no mercado.

Quem não sabe o que é um táxi? Este foi por muito tempo o serviço de transporte individual privado mais conhecido no mundo. Os táxis pretos de Londres, com seus glamours, são como um símbolo da cidade; os táxis de Nova Iorque são reconhecidos no mundo inteiro pela sua cor marcante, amarelo intenso e por serem grandes, confortáveis e até terem participado de inúmeros filmes. No Brasil não é diferente, os táxis também têm suas cores marcantes em diferentes cidades e até com frotas especiais para os aeroportos.

A Uber e outras empresas de serviços como Airbnb são uma inovação destrutiva, segundo Schumpeter, com base no princípio da economia compartilhada. Os táxis são controlados por proprietários individuais ou por grupos com uma frota de carros. A economia circulante do serviço de táxi tem um carácter local, sendo mais distribuída, enquanto a economia gerada pelo Uber e sistemas semelhantes concentra-se em uma única empresa, que no caso específico é estrangeira. Apenas a empresa Uber controla mais de 7 milhões de motoristas e suas corridas diárias no mundo inteiro.

Da mesma forma que hoje adolescentes não sabem o que é diskman, muito menos um aparelho de telefone fixo com discador redondo ou uma máquina de datilografar, em pouco mais de 10 anos o táxi não fará mais parte do vocábulo e memória dessa nova geração. Isso não é um mal em si, mas para países que não desenvolvem tais tecnologias a dependência torna-se inequívoca e fragiliza a economicamente.

A inovação incremental, quer em produtos ou em processos, está presente em todas as áreas, inclusive no mundo do agronegócio com a rápida evolução da agricultura de precisão. Por isso quem não é capaz de inovar padece e perece, e só é capaz de inovar o país que investe seriamente em educação, ciência, tecnologia e desenvolvimento sustentável.

Imagem: Wikicommons

AGROemDIA

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