O risco de colapso para o agronegócio brasileiro

William Tabchoury*

Um dos setores que funcionam bem no país é o agronegócio, responsável diretamente por 26% do PIB e, com a sua agroindústria e acessórios, por cerca de 50% de toda a riqueza produzida no Brasil.

Com isso, o abastecimento de alimentos à população e a geração de dividendos na balança comercial têm salvado a economia nacional e trazido um pouco de alívio aos milhões de brasileiros que sofrem com a falta de moradia, saúde, transporte, educação, segurança, dentre outros serviços essenciais.

Nesta linha, toda e qualquer manifestação que levante a bandeira por melhoria nas condições essenciais de vida dos brasileiros, e redução das disparidades, é bem-vinda e deve ser apoiada.

A manifestação dos caminhoneiros levantou a lebre do peso que tem o elevado custo do transporte no país, inviabilizando prestadores destes serviços, usuários do sistema e, por fim, toda a população.

Nesta linha, ela é válida e cumpriu o seu papel. Por outro lado, a continuidade de paralisação do transporte tem gerado, a exemplo das balas perdidas, a sua primeira vítima inocente: trata-se de toda a cadeia de perecíveis do agronegócio, incluindo a vegetal e animal.

O não escoamento dos perecíveis, a exemplo do leite, aves, suínos, hortifrutigranjeiros, dentre outros, têm levado à imediata perda de milhões de toneladas de alimentos no campo, com morte de animais e descarte de comida nobre, que está virando lixo!

Ainda sem sentir a falta de alimentos, uma das principais preocupações nas cidades é a falta de combustíveis, embora já comecem a faltar alguns alimentos perecíveis. Caso não haja uma solução para o impasse, em breve a população sentirá com a falta de alimentos e de outros gêneros essenciais.

Além disso, o país está deixando de exportar alimentos para o exterior, colocando também pessoas e animais lá fora na situação de desabastecimento, além da enorme perda da imagem do país, em função do descumprimento de contratos, dentre outros efeitos deletérios para a nossa economia.

Como era de se esperar, as ações do governo federal e do poder público têm sido inócuas e não conseguiram solucionar a crise até agora. Em menos de uma semana, o Brasil está virando uma Venezuela.

O pior é que o mais grave ainda está por vir, caso não se resolva imediatamente a questão do transporte.

Caso a paralisação continue, para o agronegócio, o efeito virá em cascata: primeiro um colapso na rede de perecíveis, em seguida, de semi-perecíveis e, por último, de pouco perecíveis. Também para a população o efeito do desabastecimento seria desastroso: agravaria ainda mais as condições de saúde, transporte, alimentação, segurança, moradia e educação.

Estamos diante de uma situação muito grave e delicada. Torcemos para as lideranças do poder público, do agronegócio e dos caminhoneiros tenham sabedoria, prevaleça o bom senso e encontrem uma solução iminente para este impasse, evitando-se um agravamento da crise e o colapso do agronegócio brasileiro!

*Engenheiro agrônomo, formado pela ESALQ/USP

AGROEMDIA

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