Prefeita tira licença maternidade
Gil Reis*
As mulheres estão assumindo o poder em vários países, o que considero muito bom. Felizmente a gravidez não é doença. Um exemplo mais recente vem do país do “sol nascente”, a Reuters publicou, em 20 07 2026, a matéria “Prefeita japonesa faz história com licença-maternidade que causou polêmica”, assinada por Joseph Campbell, que transcrevo trechos.
“A prefeita de uma pequena cidade japonesa tornou-se a primeira prefeita em exercício no país a tirar licença-maternidade nesta segunda-feira, uma decisão que gerou algumas críticas no Japão e atraiu a atenção da mídia internacional.
Shoko Kawata, prefeita de Yawata, uma cidade com cerca de 69.000 habitantes no oeste do Japão, disse que planejava ter filhos quando se tornou a prefeita mais jovem do Japão em 2023, aos 33 anos.
No entanto, embora as funcionárias da cidade de Yawata tenham direito a 16 semanas de licença-maternidade, não existia um protocolo semelhante para o cargo de prefeito, o que a obrigou a criar um.
‘Fiquei muito surpresa ao saber que sou a primeira prefeita a tirar licença-maternidade. Isso me fez perceber que, até agora, simplesmente não houve muitas mulheres jovens, ou mulheres em geral, que se tornaram prefeitas’, disse Kawata à Reuters na Prefeitura de Yawata na sexta-feira.
Uma de suas últimas obrigações públicas antes de entrar em licença-maternidade aconteceu na sexta-feira, quando ela participou de uma procissão de rua antes do festival Taiko de Yawata. Mas, em vez de cavalgar no topo do mikoshi, ou santuário xintoísta portátil, como manda a tradição, Kawata, que estava em estágio avançado de gravidez, caminhou atrás dele.
Embora Sanae Takaichi tenha se tornado a primeira mulher a ocupar o cargo de primeira-ministra do Japão no ano passado, a enorme desigualdade de gênero no país é particularmente evidente em sua política, dominada por homens. O Japão ficou em 118º lugar entre 148 países no relatório mais recente do Fórum Econômico Mundial sobre a desigualdade de gênero e em 125º lugar na categoria de empoderamento político.
Kawata afirmou que ainda há muito espaço para reformas, especialmente se o país, com sua população envelhecida, pretende melhorar uma das taxas de natalidade mais baixas do mundo. As mulheres japonesas têm direito legal a cerca de 14 semanas de licença-maternidade e geralmente recebem cerca de dois terços de seus salários, além de um bônus por nascimento, embora algumas funcionárias públicas tenham condições melhores.
‘As pessoas falam sobre igualdade de gênero e reforma no estilo de trabalho, mas precisamos construir uma sociedade em que as pessoas, em todas as profissões, inclusive entre aquelas em cargos de liderança, não hesitem em ter filhos. Caso contrário, acredito que o declínio populacional contínuo resultante da queda nas taxas de natalidade e a consequente deterioração econômica serão inevitáveis’, disse ela.
Kawata disse que a maioria dos moradores locais a apoiou e que seus colegas a incentivaram a tirar a licença, mas ela ficou desapontada com algumas críticas online que surgiram com a ampla cobertura da mídia sobre sua licença. Seu bebê está previsto para setembro.
‘Pessoas que nunca tinham ouvido falar de mim antes só ficaram sabendo por meio de reportagens sobre minha licença-maternidade. Algumas pessoas me criticaram online, sugerindo que eu não estava fazendo meu trabalho e que estava lá apenas para tirar licença-maternidade. Isso foi decepcionante’, disse ela.
A maioria dos moradores de Yawata entrevistados pela Reuters disse apoiar a decisão de Kawata. Mas alguns, incluindo a moradora local e dona de casa Chie Fujita, questionaram o fato de a prefeita receber seu salário integral durante o período de licença.
‘Sou mulher e já dei à luz, então acredito que, como direito da mulher, ela deve poder tirar licença-maternidade. No entanto, em relação ao salário dela, não concordo que ela receba 100% durante a licença’, disse Fujita”
Acho inteiramente justo que a mulheres tenham o direito de engravidar, mesmo trabalhando, e recebam integralmente seu salário durante a gravidez, que como já disse antes, não é doença e não reduz sua capacidade de trabalho.
Deixe-me dizer em que acredito: no direito do homem de trabalhar como quiser, de gastar o que ganha, de ser dono de suas propriedades e de ter o Estado para lhe servir e não como seu dono. Essa é a essência de um país livre, e dessas liberdades dependem todas as outras. Margareth Thatcher.
*Consultor em Agronegócio
**Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do AGROemDIA

