Mais soja e menos milho na safra brasileira 2017/2018, prevê INTL FCStone

soja parana
Foto: Agência de Notícias Gov.PR

A consultoria INTL FCStone revisou, nesta sexta-feira (1º), seus números para a safra brasileira de grãos 207/2018, trazendo novo aumento para a produção de soja, agora estimada em 117,14 milhões toneladas – um avanço de menos de 200 mil toneladas em relação ao número divulgado anteriormente.

“Esse leve aumento do número da produção decorreu de um novo incremento da produtividade média na Bahia, que teve resultado excepcional”, diz a analista de mercado da INTL FCStone, Ana Luiza Lodi.

O rendimento médio para o país alcançou 3,35 toneladas por hectare, segundo cálculos do grupo. O volume é próximo ao recorde alcançado no ciclo anterior, de 3,36 toneladas por hectare. “Esse desempenho fantástico, ressaltando que outros estados também registraram recordes de produtividade, aliado a um crescimento de área de mais de 3%, resultou em uma safra de soja recorde”, afirma Ana.

Ao mesmo tempo, a INTL FCStone reduziu a sua estimativa de produção de milho para 78,4 milhões de toneladas, em decorrência, majoritariamente, de cortes na safrinha. O número da safra de verão sofreu um leve recuo, ficando em pouco mais de 23 milhões de toneladas, devido a uma revisão da área, com um novo corte de 40 mil hectares. Essa revisão ocorreu no número do Paraná, com a soja ganhando mais espaço neste ciclo.

“A produção cada vez menor na primeira safra tem contribuído para dar sustentação aos preços do cereal no começo do ano, período em que está ocorrendo a colheita. Esse cenário pode contribuir para o milho verão voltar a ganhar área neste período, principalmente no Sul do país, onde se concentra a maior parte do consumo”, explicou.

Já a produção da segunda safra 2017/18 foi estimada pela INTL FCStone em 55,3 milhões de toneladas, uma queda de 8,6% frente ao número divulgado em maio, de 60,5 milhões de toneladas, e um diminuição de 17,8% em relação à safrinha 2016/17.

Essa redução de mais de 5 milhões de toneladas foi motivada por cortes de produtividade, com o rendimento médio esperado para o Brasil ficando em 4,71 toneladas por hectare. O clima mais seco já desde abril, com os níveis de precipitação se mantendo abaixo do esperado também em maio, condicionou a revisão para baixo.

Oferta e demanda

Para o balanço de oferta e demanda da soja, a INTL FCStone projeta um consumo aquecido do grão, tanto para exportações quanto no mercado interno, o que deve resultar em estoques limitados, em 1 milhão de toneladas no final de 2018.

No caso do milho, os indicadores continuam apontando estoques acima de 11 milhões de toneladas. “O setor de carnes do Brasil vem enfrentando algumas dificuldades, como margens apertadas, embargo a exportações e, mais recentemente, a greve dos caminhoneiros. Essa paralisação afetou de forma grave a alimentação dos animais, o que resultou em morte e/ou necessidade de serem sacrificados, principalmente no caso das aves”, observa Ana.

“Com isso, o consumo de milho para ração acabou recuando, pela dificuldade ou impossibilidade de se conseguir o cereal. Estima-se que possa levar dois meses para a situação se normalizar”, apontou a analista da INTL FCStone.

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