Não tem “receita de bolo” para projeto de irrigação

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Foto: Senar-MT/Divulgação

Irrigar ou não irrigar? Essa é uma decisão que o produtor rural precisa avaliar vários aspectos antes de decidir. O fator mais importante para determinar a necessidade de irrigação ou não de uma certa cultura, em uma região, é a quantidade e a distribuição das chuvas. A lista de pontos a serem avaliados antes da decisão inclui ainda o aumento da produtividade, a melhoria da qualidade do produto, a produção na entressafra, o uso mais intensivo da terra e a redução do risco do investimento feito na atividade agrícola.

De acordo com Edegar Matter, instrutor credenciado junto ao Serviço Nacional de Aprendizagem Rural de Mato Grosso (SENAR-MT), não há uma “receita de bolo”. Segundo ele, cada caso é um caso. “Cada propriedade tem suas especificações. É preciso analisar todos os pontos positivos e negativos antes de comprar os equipamentos e investir num projeto de irrigação”.

Depois da decisão de irrigar e de saber exatamente o que a área precisa, o produtor rural vai investir em planejamento, monitoramento e uma boa gestão da irrigação. Um bom projeto de sistema de irrigação deve considerar os fatores inerentes à cultura, ao local e ao clima, sem deixar de levar em conta necessidades do produtor.

A cultura e o local são dois pontos muito importantes a serem avaliados na hora de tomar a decisão de irrigar uma área. No momento de avaliar uma cultura é preciso verificar as necessidades específicas. A partir disso, se escolhe um sistema de irrigação que deve ser adequado para atender as particularidades de cada planta. Há vários tipos de irrigação como o gotejamento e aspersão ou microaspersão, entre outros.

Outro ponto importante que o produtor deve prestar atenção na hora de implantar o sistema de irrigação é o local. Um levantamento topográfico é necessário para o perfeito dimensionamento hidráulico. A análise de água determinará o tratamento prévio, se for necessário. A análise física de solo indicará não só o modelo de emissor de irrigação, mas também o melhor manejo, após a instalação da irrigação.

No caso do manejo geral da cultura, é preciso levar em conta na hora de elaborar o projeto a época de produção, as pulverizações com defensivos, entre outros fatores. De acordo com pesquisas feitas pela Embrapa, o projeto de um sistema de irrigação ideal é aquele em que a setorização (operação) do sistema tenha solo, cultura e variedade de plantas homogêneas, para que o manejo da água e fertilizantes seja otimizado.

Após implantar um bom sistema de irrigação, utilizando um projeto adequado, muitos produtores acabam não dando valor e atenção suficientes ao manejo da irrigação, essencial para obtenção de bons resultados. Manejar a irrigação sem utilizar uma forma adequada para monitorar e entender a necessidade real da planta seria como ter uma “Ferrari mas não saber pilotar”.

Portanto, o manejo da irrigação deve ser visto como uma atividade de extrema importância, para que se possa extrair o máximo potencial do sistema – envolvendo planejamento constante, monitoramento, tomada de decisão e ação.

Dicas

Quando se fala em gerenciamento de irrigação, o produtor deve ficar atento aos pontos abaixo relacionados para ter um bom resultado na área irrigada.

– Realização de estudo das características físico-hídricas dos solos cultivados, através de análises laboratoriais e/ou testes de campo. É preciso avaliar capacidade de campo, ponto de murcha e densidade aparente.

– Monitoramento climático através da rede de estações, distribuídas em diversas regiões. O monitoramento climático é utilizado para estimar o consumo hídrico diário das culturas.

– Aferição e calibração dos equipamentos de irrigação, otimizando-se a performance de aplicação de água dos mesmos. Para tanto, os sistemas têm a uniformidade e lâmina média aplicadas e avaliadas, assim como a distribuição de pressão ao longo do sistema e avaliação do funcionamento do sistema motobomba. O trabalho envolve também redimensionamento de lâmina e remapeamento de bocais, quando necessário, e estudo econômico de cada sistema de irrigação aferido.

– Treinamento do pessoal da fazenda relacionado à irrigação, dentro dos objetivos de utilização do programa de manejo.

– Visitas periódicas de acompanhamento do processo de tomada de decisão de irrigação.

– Geração de relatórios mensais e de final de safra, por sistema de irrigação, envolvendo os principais aspectos relacionados à condução da irrigação.

Do Senar-MT, com Embrapa

 

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