Agro é o setor mais vulnerável ao tabelamento do frete, diz Cepea

Foto: Agência Brasil/EBC
O agronegócio é o setor com maior vulnerabilidade ao tabelamento de fretes na economia brasileira, frente à possibilidade de elevação dos custos e a ineficiências na precificação, apontam pesquisadores do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP. Isso ocorre porque 42,3% de todos os serviços de transporte no país foram utilizados pelos produtos do agronegócio, segundo dados da matriz insumo-produto do IBGE de 2010 (percentual que provavelmente não passou por alterações muito significativas até agora).
De acordo com o estudo do Cepea, a grande intensidade do uso de transportes e o baixo valor em relação ao volume transportado, notadamente para atividades relacionadas à agricultura e agroindústria, tornam o agronegócio o setor mais vulnerável da economia.
No agro, as atividades mais vulneráveis ao tabelamento dos fretes são os cultivos de milho, laranja, arroz e a produção de leite. Os possíveis maiores impactos financeiros ainda podem ocorrer nas cadeias da soja, da cana-de-açúcar, do milho e da bovinocultura de corte.
Em artigo, pesquisadores do Cepea pontuam que a pressão sobre os custos do agronegócio resultará em menor remuneração ao produtor e repasse de grande parte dos gastos ao consumidor final, prevendo-se, assim, impacto inflacionário importante, o que pode ser temerário em um período em que a economia brasileira ainda apresenta frágil perspectiva de recuperação.
Greve de caminhoneiros
A paralisação de milhares de caminhoneiros no final de maio teve como efeitos imediatos o desabastecimento, a alta de preços e os consequentes impactos negativos diversos em diferentes setores econômicos, devido à predominância absoluta do transporte rodoviário no Brasil.
Para pôr fim à greve, o governo federal fez uma série de concessões e promessas aos caminhoneiros e ao setor transportes, como a Política de Preços Mínimos de Transporte Rodoviário de Carga, estabelecida pela Medida Provisória 832/2018, aprovada pelo Congresso Nacional em 11 de julho.
Tal política tem sido alvo de fortes críticas de diferentes segmentos da sociedade e ganhado os holofotes do debate econômico, principalmente pelo desconhecimento dos efeitos decorrentes de tal medida.
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Da redação, com Cepea

