De olho nos vices

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Eleitor também deve conhecer candidatos a vice-presidente – Foto: Agência Brasil/Arquivo

Waldir Leite Roque*

As campanhas presidenciais brasileiras sempre deixaram à margem os candidatos à vice. São relegados a figuras quase decorativas, uma escolha muito mais baseada no preceito das coligações políticas do que no mérito pessoal. Sempre se dizia “vice não fala”, mas isso mudou com Aureliano Chaves, vice-presidente do general João Batista de Figueiredo, último presidente do regime militar que declarou “prefiro cheiro de cavalo do que cheiro de povo”. Após a ditadura militar, o presidente Tancredo Neves tinha como vice José Sarney. Com o falecimento de Tancredo, o vice mais do que falou, assumiu cinco anos de governo, quando o país passou por uma loucura de inflação e de planos econômicos pirotécnicos.

Sarney entregou a presidência a Fernando Collor de Melo, o caça-marajás das Alagoas, que tinha como vice Itamar Franco. Collor de Melo empossou a economista Zélia Cardoso de Mello como ministra da Fazenda. Foi um caos total, um absurdo o seu plano de confisco dos depósitos bancários. Até hoje o país paga este erro grosseiro. A corrupção levou ao impeachment de Collor e quem assumiu? O vice Itamar Franco, que com seu topete permaneceu dois anos na presidência. Ele e Fernando Henrique Cardoso, como ministro da Fazenda, implementaram o Plano Real. Surfando na onda do Real FHC chegou à presidência da República. Se perguntarem quem era o vice de Fernando Henrique poucos vão lembrar do Marco Maciel, um político de carreira. Em seguida, veio Lula paz e amor com um nobre desconhecido como vice, José de Alencar, e esse foi apenas figurante. Lula conseguiu levar à presidência a sua ministra Dilma Rousseff, que, atrapalhada na oratória e na condução da economia, também sofreu impeachment e, mais uma vez, deu lugar ao vice Michel Temer, que, como os demais vices, não tinha qualquer compromisso com a população, muito menos com o plano de governo pelo qual fora eleito. O país vai sendo conduzido no susto e improviso.

Estamos prestes a uma nova eleição e os candidatos a vice-presidentes parece que ficarão à margem das discussões, apresentações de planos de governo e compromissos com a população. Nos trinta e três anos após a ditadura, quase um terço foi governado por vices. Dos cinco presidentes eleitos após a abertura democrática, três dos vices assumiram o governo, correspondendo a 60% dos casos. A exemplo do que já vivenciamos, é importante conhecermos melhor quem são os candidatos a vice e seus comprometimentos com o plano de governo da chapa que integram. A probabilidade de termos um vice assumindo a presidência é alta, por isso é bom ficarmos de olho nos vices.

*Waldir Leite Roque é Prof. Titular UFPB

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