Começa o vazio sanitário do algodão em Minas

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Bicudo é a principal ameaça ao algodão brasileiro –  Sebastião Araújo/Embrapa

A Associação Mineira dos Produtores de Algodão (Amipa) alerta que começou nesta quinta-feira (20), em Minas Gerais, o vazio sanitário do algodão. De hoje até 20 de novembro, todos os produtores ficam proibidos de cultivar e manter plantas remanescentes da safra 2017/18 no campo. A medida fitossanitária do vazio visa prevenir e evitar a ocorrência de pragas, como o bicudo do algodoeiro, consideradas de alto potencial destrutivo para as lavouras.

Minas é quinto colocado no ranking nacional da cultura, concentrando sua produção nas regiões do Triângulo Mineiro, Alto Paranaíba, Noroeste e Norte, de acordo com a Seapa/MG. Segundo o Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA), no caso do bicudo, a incidência, além de provocar perdas, pode até mesmo inviabilizar o cultivo numa região inteira. Por isso, o cultivo do algodão é proibido período estipulado.

O vazio sanitário do algodão vale para as plantações brasileiras e, em Minas, é realizado desde 2009 mediante legislação específica. Segundo o diretor executivo da Amipa, Lício Pena de Sairre, o cumprimento do vazio pelos produtores é muito importante, pois impacta diretamente na produtividade. uma vez que a medida reduz a incidência de pragas, como o bicudo.

“O combate ao bicudo e outras pragas é um trabalho coletivo que exige o envolvimento de todos os produtores. Até o início do vazio, todo o algodão cultivado no estado tem de estar colhido e o que sobrar nas plantações precisa ser eliminado. A medida garante a sustentabilidade na lavoura e até mesmo a redução de custos com aplicação futura de defensivos”, alerta Lício.

Durante o período do vazio sanitário, as propriedades rurais cadastradas no IMA ficam sob vigilância dos fiscais da autarquia e, caso sejam detectados quaisquer tipos de inconformidades durante as fiscalizações realizadas, o produtor é notificado e tem um prazo máximo de dez dias para erradicar as plantas da propriedade.  Segundo o IMA, quem não cumpre o vazio está sujeito a multa que pode chegar a 1.500 Unidades Fiscais do Estado de Minas Gerais (Ufemgs), o equivalente a cerca de R$ 4.877,01.

Praga

O “bicudo-do-algodoeiro” é um besouro originário da América Central, que utiliza suas mandíbulas para perfurar o botão floral e a maçã dos algodoeiros. Os registros de seus primeiros ataques a lavouras no Brasil são de 1983, no Nordeste.

A destruição dos restos culturais das lavouras de algodão é fundamental para combater a praga, porque nesses materiais o besouro sobrevive e se multiplica à espera da nova safra.

Ascensão

A cotonicultura está em alta no Brasil. A produção brasileira de algodão em caroço, na safra 2017/18, foi estimada em 5.012,9 mil toneladas, 31% maior do que a ocorrida no exercício passado. O cenário favorável se deve, entre outros, ao incremento de área destinada à cotonicultura (aproximadamente 25,1% a mais do que utilizada em 2016/17), chegando a 1.174,1 mil hectares.

Em Minas Gerais, a safra do algodão apresentou resultados satisfatórios, com incremento de área na ordem de 60% em relação ao ano passado. O crescimento foi motivado pelos bons preços praticados ao longo de 2017, bem como pelas expectativas promissoras para o mercado do algodão no estado. A produtividade também teve acréscimo de 6,1% em comparação com à temporada devido ao aumento do uso de tecnologia.

Da Amipa

Bicudo, principal praga que ataca o algodoeiro, pode provocar comprometer uma produção inteira – Foto: Embrapa

AGROemDIA

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