Pesquisa busca novas formas de controle da mancha amarela no trigo

mancha amarela trigo
Perdas com a doença podem chegar a 50% no trigo e na cevada  – Flavio Santana/Embrapa

Estudar e desenvolver formas de ter um melhor controle da mancha amarela no trigo – uma das principais doenças da cultura na Região Sul do Brasil –, a fim de identificá-la precocemente. Este é o objetivo da rede de colaboradores criada pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e pela Universidade de Aberystwyth (Reino Unido), com a participação da Universidade de Curtin (Austrália), Universidade de La Plata (Argentina) e da Epamig (MG).

Segundo a Embrapa, serão utilizadas tecnologias de fenotipagem rápida com sensores para captura de imagens dos sintomas de estresse por doenças nas plantas em tempo real. Também serão empregadas outras técnicas, como, por exemplo, o uso de toxina para avaliar a sensibilidade das plantas à doença, caracterização de genótipos de trigo e de isolados do fungo.

No Sul do Brasil, a mancha amarela é favorecida pelo plantio direto, que oferece alimento para o fungo entre os cultivos. Na última década, ela também tem aparecido com maior frequência nos cultivos da Europa e Canadá. O cenário de mudanças climáticas deixa em alerta importantes centro de pesquisa do mundo para o aumento na incidência de doenças no trigo, com a formação de parcerias para avaliar novas tecnologias de controle de doenças emergentes no cereal mais plantado do planeta.

“A mancha amarela é uma ameaça emergente à produção de trigo mundial, que apresenta grande resistência aos fungicidas. O projeto visa somar estratégias de campo com resultados de laboratório permitindo o controle precoce do problema, identificando material genético mais resistente e a redução no uso de fungicidas”, diz Flávio Santana, pesquisador da Embrapa Trigo.

Sinais emitidos por plantas estressadas

De acordo com o diretor de Pesquisas da Universidade de Aberystwyth, Luis Mur, as “tecnologias ômicas” – omics Technologies, que envolvem conhecimentos de genômica, proteômica, metabolômica, fenômica etc) – têm sido utilizadas para integrar abordagens de biologia de sistemas no desenvolvimento de ferramentas de base, incluindo a bioinformática e bases de dados relevantes.

“A planta estressada produz sintomas, chamados de metabólitos, que podem estar associados à defesa da planta. Entender como funcionam esses mecanismos de defesa é possível hoje através das novas tecnologias que estão sendo avaliadas pelos institutos de pesquisa em busca de soluções de longo prazo para controle das doenças no trigo”, explica o pesquisador britânico, que trabalha em colaboração com a Embrapa Trigo no controle da mancha amarela.

Novas tecnologias que integram biologia e informática também estão sendo utilizadas para avaliar doenças de espiga no trigo, como giberela e brusone. Técnicas de fenotipagem estão avaliando compostos químicos em sinais emitidos por plantas infectadas por fungos de espiga no trabalho coordenado pelo pesquisador do Instituto Rothamsted (Reino Unido), David Withall. O objetivo, segundo ele, é detectar doenças nas culturas antes mesmo que os sintomas apareçam, possibilitando maior eficiência na seleção genética ou eficiência dos fungicidas.

Características da Mancha amarela do trigo

A mancha amarela do trigo é uma doença foliar que acomete lavouras em praticamente todas as regiões produtoras do cereal no mundo. Os danos têm sido crescentes na última década devido às oscilações climáticas que aumentam a frequência das chuvas e elevam as temperaturas durante os cultivos de inverno e primavera.  Com ampla distribuição geográfica, a mancha amarela no trigo foi registrada em países da América do Sul, África e Europa, além do Canadá e Austrália.

No Brasil, a doença é mais frequente na Região Sul, causada pelo ataque do fungo Pyrenophora tritici-repentis que sobrevive nos restos culturais de gramíneas utilizadas no sistema plantio direto na palha. O fungo causa lesões na folha, reduzindo a área de fotossíntese que responde pelo rendimento de grãos na cultura.  As perdas em lavouras de trigo e cevada podem chegar a 50%.

Para controle da mancha amarela têm sido utilizadas estratégias químicas (fungicidas), manejo (rotação de culturas – duas safras sem trigo ou cevada) e genéticas (cultivares resistentes). Contudo, a agressividade do fungo tem desafiado os pesquisadores na oferta de cultivares resistentes e na total eficiência dos fungicidas, resultando em falhas no controle em diferentes locais do mundo.

Livro

As estratégias de controle da mancha amarela no Brasil e na Austrália, incluindo práticas culturais, seleção de fungicidas e resistência genética, compõem um dos capítulos do livro “Manejo integrado de doenças de trigo e cevada”, publicado recentemente pela editora britânica Burleigh Dodds Science. O artigo foi escrito pelos pesquisadores Flávio Santana (Embrapa Trigo) e Caroline Moffat (Universidade de Curtin).

Da redação, com Embrapa Trigo

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