Só o Brasil pode elevar a produção de soja, diz executivo chinês

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Executivo Lin Tan fez palestra na Famato, em Cuiabá – Edilon Carmo/Famato/Divulgação

A China está precisando de mais soja, e o Brasil é o único lugar que pode aumentar a produção da oleaginosa, porque os EUA já estão em posição estável e a Argentina também, destacou o presidente da trading chinesa Hopefull Grain and Oil, Lin Tan, durante a palestra o “Mercado de soja em época de conflito comercial”, no auditório da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Mato Grosso (Famato), em Cuiabá. “Somente o Brasil pode satisfazer o mercado da China”, enfatizou.

Durante a palestra, realizada na semana passada, Lin Tan disse também que a “guerra comercial” entre os Estados Unidos e a China” tem potencial de abalar a atividade econômica global, com reflexos no mercado da soja.

Segundo Lin Tan, os governos dos EUA e da China afirmam que não se trata de uma guerra comercial, mas quando um país impõe tarifas comerciais à importação de uma nação, sobretaxando os produtos de seu concorrente, pode ser entendido como uma guerra comercial.

O palestrante disse ainda que as guerras comerciais podem gerar impactos negativos para os dois lados, caso não terminem em uma solução negociada. Ele entende que, por se tratar das duas maiores potências mundiais, os conflitos tendem a afetar a economia de outros países, porque as cadeias de produção e consumo estão interligadas.

“Os conflitos podem levar a uma escalada de tarifas, aumentar os custos, as exportações e gerar um ciclo de diminuição do comércio internacional. E, consequentemente, isso “freia” o crescimento econômico global”, observou Lin Tan.

Os conflitos começaram na primeira semana de março deste ano, quando o presidente dos EUA, Donald Trump, impôs tarifas de 25% sobre a importação de aço e 10% sobre o alumínio de diversos países. Segundo o chinês, esse desequilíbrio no comércio internacional pode exercer pressão sobre o câmbio.

“O que vai ocorrer é uma valorização do dólar e uma desvalorização das moedas, especialmente nos países emergentes. A queda estimularia a exportação, mas implicaria numa importação mais cara”, apontou Lin Tan.

Os Estados Unidos têm com a China um déficit comercial, que é o que ocorre quando as suas importações são maiores do que as exportações. Para tentar equilibrar a situação, o governo Trump quer reduzir em pelo menos US$ 100 bilhões o rombo com a China. Entretanto, os países se divergem nas contas.

Consumo global da oleaginosa

Lin Tan apresentou dados de oferta e demanda mundial, ilustrando os principais países produtores e apontando a China como maior consumidora mundial da oleaginosa.

A China importou soja pela primeira vez em 1996 e, desde então, não parou mais. A nação asiática importou 28% mais soja do Brasil em setembro deste ano. Normalmente, os chineses compram a maior parte de sua soja no quarto semestre do ano nos Estados Unidos, mas, neste ano, isso mudou por causa da guerra comercial.

“As compras da oleaginosa brasileira, em setembro, totalizaram 7,59 milhões de toneladas, contra 5,49 milhões do mesmo mês em 2017. Assim, o Brasil respondeu por 95% das importações de soja da China, que foram de 8,01 milhões de toneladas, contra 73% do mesmo período no ano passado”, ilustrou.

Se a China e os EUA entrarem em um acordo no encontro do G-20, previsto para o fim deste mês, na Argentina, provavelmente os chineses vão aceitar comprar mais soja dos americanos e os prêmios no Brasil devem cair bastante, o que deve reduzir os preços para o produtor brasileiro. Caso não haja um consenso, os prêmios e os preços no Brasil continuarão como estão por mais uma safra. Mas, em longo prazo, com ou sem acerto, o mercado deve voltar ao normal.

Da redação, com Famato

 

 

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