Sem tratamento das lavouras de milho, preços de vários alimentos seriam mais altos

Os choques de preços de milho, em decorrência de quedas na produção, tendem a impactar de forma mais expressiva, no varejo, os preços do fubá, leite, farinha de milho, carnes de suínos e de frangos e ovos. É o que mostra estudo feito pelo Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP, em parceria com a Andef (Associação Nacional de Defesa Vegetal, para medir os impactos sobre os preços ao consumidor pela falta de tratamento de pragas e doenças na cultura de milho.
O trabalho, divulgado nesta quinta-feira (13), avaliou os impactos econômicos da incidência de pragas e doenças nas culturas de soja, milho e algodão. O estudo mostra a relação entre a disseminação de pragas, reduções na produtividade das lavouras e consequentes aumentos nos preços. A segunda parte da análise do Cepea/Andef trata especificamente da cultura de milho.
Segundo pesquisas do Cepea, a falta de controle da lagarta Spodoptera reduz a produção nacional em 40% no primeiro ano de convívio e, consequentemente, a menor oferta aumentaria os preços do milho em 13,6% na média nacional. O não controle do percevejo reduziria a produção em 17,4% e aumentaria os preços do milho em 5,9%. Por fim, o convívio com a cigarrinha causaria a redução na produção de 6,6% e o aumento nos preços do cereal seria de 2,2% no Brasil.
Ao assumir os respectivos aumentos nos preços do milho causados pelo não controle das pragas e elasticidades de transmissão nas cadeias produtivas, constata-se que o não controle da lagarta Spodoptera elevaria em 5% o preço do fubá disponível ao consumidor e em 4,4% o do leite.
Pesquisadores do Cepea indicam que perdas agrícolas causadas pelo não tratamento de pragas e doenças na cultura do milho trariam impactos relevantes nos aumentos dos preços disponíveis aos consumidores, penalizando toda a sociedade com maiores taxas de inflação de alimentos.
Ainda conforme os pesquisadores do Cepea, o desempenho das safras agrícolas impacta toda a sociedade, via acesso a alimentos para a população, em termos de preços, principalmente às categorias de renda mais baixa, para as quais os alimentos respondem pela maior parcela de seu orçamento familiar.
Para chegar a esse resultado, o Cepea calculou as elasticidades de transmissão de preços em cada segmento da cadeia produtiva que utiliza o milho como insumo no Brasil. Após estruturar e descrever a cadeia agroindustrial do milho e os detalhes das transações entre elos do sistema produtivo, por meio de metodologia de séries temporais, a equipe avaliou as elasticidades de transmissão de preços elo a elo.
Assim, foram identificadas a magnitude e a velocidade de transmissão de choques nos preços do cereal sobre os preços ao consumidor final, via Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), de diferentes produtos adquiridos pelo consumidor e que utilizam o milho como insumo.
Clique aqui para obter mais informações sobre o Estudo Especial sobre Mensuração econômica da incidência de pragas e doenças no Brasil.
Da redação, com informações do Cepea

