Ministra rebate crítica à produção de alimentos no Brasil: “Inadmissível”

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Tereza Cristina na abertura do Congresso Brasileiro do Agronegócio – Marcelo Martimon/Mapa

A ministra Tereza Cristina (Agricultura, Pecuária e Abastecimento) criticou nesta segunda-feira (5) a comunicação negativa sobre a produção de alimentos no Brasil. Segundo a ministra, todas as medidas adotadas pelo ministério têm o objetivo de melhorar o país. Para ela, é inadmissível o ataque midiático sofrido pelo agronegócio brasileiro nos últimos dias.  

No último sábado (3), como noticiou o AGROemDIA, o programa humorístico Zorro Total, da Rede Globo, detentora da maior audiência no país, exibiu o esquete Sítio do “Pica-pau com Sequela”, uma paródia sobre a liberação de 290 agrotóxicos pelo governo federal nos últimos sete meses.  Nela, os produtores rurais e a bancada ruralista são apontados como responsáveis pelo uso exagerado de agrotóxicos, ameaçando a saúde dos consumidores.

“É inadmissível que o agronegócio brasileiro tenha tido, nessa última semana, um bombardeio pela mídia nacional, colocando o alimento produzido no Brasil como inseguro, o que não é verdade”, afirmou a ministra, ao participar da abertura do Congresso Brasileiro do Agronegócio, em São Paulo. “Quero dizer a vocês que eu tenho convicção de que nós estamos fazendo o melhor para o nosso país.” O congresso é promovido pela Abag (Associação Brasileira do Agronegócio) e B3 – Brasil, Bolsa, Balcão, com o tema Agro: Momento Decisivo.

Em relação ao registro de defensivos agrícolas, Tereza Cristina afirmou que o fato de “a fila de registros [de defensivos agrícolas] andar mais rápido traz tecnologia e segurança. E não o atraso, como querem colocar a pecha no agronegócio brasileiro. Nossos concorrentes devem estar adorando a situação.”

O aumento da velocidade dos registros se deve a ganhos de eficiência possibilitados por medidas desburocratizantes implementadas no Mapa, Anvisa e Ibama nos últimos anos, diz nota divulgada pelo ministério. O objetivo de fazer a fila andar, acrescenta o Mapa, é justamente aprovar novas moléculas, menos tóxicas e que causem menos impacto ao meio ambiente, e oferecer alternativas melhores aos produtos mais antigos.

Demanda por alimentos

O desafio de aumentar a produção de alimentos para atender a demanda crescente de alimentos no mundo foi abordado por Tereza Cristina. “Em 10 anos, a demanda aumentará 35%. A população mundial prevista para 2030 é de 8,5 bilhões de pessoas”. Ao mesmo tempo, observou, “é previsto aumento da urbanização, da longevidade e melhoria de renda. A agricultura deve responder a novos desafios”.

Ela destacou a necessidade de o país se preparar para antecipar e modelar futuros possíveis para o agro brasileiro e mundial. A ministra também falou sobre o acordo Mercosul – União Europeia, que “abre um vasto conjunto de oportunidades para as cadeias produtivas. “Não podemos perder essa oportunidade.”

Segundo a ministra, Estados Unidos e China seguirão como protagonistas e forças globais predominantes em 2030, a economia japonesa enfrentará grandes desafios, sobretudo devido a fortes pressões demográficas. Já Índia, por questões geopolíticas e domésticas, terá dificuldades de se colocar como potência mundial, assinalou. “Enquanto isso, o Brasil ampliará sua capacidade de produzir com competitividade e, sobretudo, com sustentabilidade”.

A ministra tratou de sustentabilidade e disse que “ninguém é mais sustentável que o Brasil” e que o Mapa “trabalha para que o tema ambiental abra e não reduza mercados ao Brasil”.

“Cultivamos apenas 7,8% do território, conforme estudo da Embrapa, confirmado pela Nasa. Cerca de 30% do território nacional são unidades de conservação e terras indígenas. O último relatório da ONU sobre áreas protegidas do mundo afirma: o Brasil é que tem a maior área protegida do planeta. Essas realidades fazem parte de nossa sustentabilidade, precisam ser conhecidas e reconhecidas aqui e no exterior.”

A expansão de área de produção, daqui para a frente, explicou a ministra, se dará pelo avanço das lavouras de grãos sobre pastagens degradadas.

Uso de tecnologia

Tereza Cristina disse que a competitividade dependerá de técnicas de edição genômica (New Breeding Technologies – NBT), da bioeconomia (uso intensivo de bioinsumos, química verde, fármacos e compostos bioativos, derivação da biomassa), do uso sustentável dos recursos naturais, da redução do desperdício de alimentos, da gestão de risco climático e da capacidade de agregar valor à produção.

Ela destacou ainda o avanço da agricultura digital, com o uso de sensores, drones, internet das coisas, inteligência artificial, análise de dados e o estudo e conhecimento aprofundado dos microbiomas, agricultura de precisão e a convergência tecnológica (bio, nano e geotecnologias).

“O aumento do número e o crescimento da participação no setor agrícola das chamadas agritechs (startups ligadas ao agro) está ampliando a competitividade, a sustentabilidade e a produtividade no campo”.

De acordo com ela, a transformação digital no setor movimentará US$ 90 bilhões em 2030, seguindo uma tendência de crescimento de 16% ao ano.

“Com tecnologias de ponta e tendo a sustentabilidade como pano de fundo, acredito que o Brasil será o maior, o mais competitivo e o mais sustentável produtor de alimentos do mundo em 2030.”

Acompanharam a ministra na abertura do Congresso Brasileiro do Agronegócio o secretário-executivo Marcos Montes e o secretário de Política Agrícola, Eduardo Sampaio Marques.

Da redação, com informações do Mapa  

AGROemDIA

O AGROemDIA é um site especializado no agrojornalismo, produzido por jornalistas com anos de experiência na cobertura do agro. Seu foco é a agropecuária, a agroindústria, a agricultura urbana, a agroecologia, a agricultura orgânica, a assistência técnica e a extensão rural, o cooperativismo, o meio ambiente, a pesquisa e a inovação tecnológica, o comércio exterior e as políticas públicas voltadas ao setor. O AGROemDIA é produzido em Brasília. E-mail: contato@agroemdia.com.br - (61) 99244.6832

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