Produtores de oeste baiano criticam tentativa de associar agricultura a queimadas na Amazônia

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Foto: Abapa/Divulgação

Duas das maiores entidades representativas do setor rural do oeste baiano condenam qualquer associação da agricultura ao desmatamento e às queimadas na Amazônia. Em nota, a Associação de Agricultores Irrigantes da Bahia (Aiba) e a Associação Baiana dos Produtores de Algodão (Abapa) dizem que a atividade agrícola é comprometida com a preservação ambiental e a sustentabilidade.

“Associar queimadas na Amazônia com a prática da agricultura séria e comprometida com o social e o meio ambiente é uma afronta”, sublinha a nota. “A categoria obedece a uma rigorosa legislação ambiental e atua sob frequente fiscalização de órgãos municipal, estadual e federal.”

Abaixo, a íntegra da nota:

“Os agricultores do oeste da Bahia, representados pelas associações de Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba) e Baiana dos Produtores de Algodão (Abapa), que junto com produtores rurais do Brasil, lutaram por anos, com muito trabalho e seriedade para fazer da atividade modelo em sustentabilidade para o mundo, rechaçam toda e qualquer prática ilegal capaz de colocar em risco a integridade do meio ambiente, como a que vem ocorrendo na Amazônia.

A agricultura praticada no oeste da Bahia não dá margem ao erro. Nossos agricultores são responsáveis e sabem disso pela conservação do seu maior patrimônio: a terra. Cuidar de forma adequada dessa terra é o real compromisso da categoria. São eles os responsáveis por conservar mais de 60% das áreas associadas às lavouras do oeste, número superior aos 20% exigidos pela criteriosa legislação ambiental de nosso país.

Portanto, associar queimadas na Amazônia com a prática da agricultura séria e comprometida com o social e o meio ambiente é uma afronta. Os agricultores do oeste da Bahia desembolsaram R$ 11 bilhões destinados à preservação ambiental, dados estes amplamente divulgados pela Embrapa e que mostram ainda que os nossos associados integram a classe de agricultores responsáveis existente no Brasil, cujo investimento total foi de R$ 2 trilhões em práticas seguras de conservação do meio ambiente no país. Não podemos pagar tão alto preço, como erroneamente está sendo colocado. A agricultura responsável jamais colocaria em risco o nosso maior e mais cobiçado patrimônio, a Amazônia.

As associações reiteram que o processo produtivo de grãos e fibras na região oeste da Bahia obedece a critérios de sustentabilidade, comprovados pela adoção de práticas conservacionistas de solo e de água. Para as entidades, que juntas representam cerca de três mil agricultores baianos, o desafio do produtor rural tem sido produzir em quantidade e qualidade suficiente para garantir a segurança alimentar do mundo. Por isso, a categoria tem investido pesado em modelos de agricultura sustentável, com vistas em aumentar a produtividade e diminuir o impacto sobre os recursos naturais. 

Convém ressaltar que pesquisas da Embrapa Monitoramento por Satélite, validadas pela Nasa, reafirmam que o agricultor é quem mais preserva o meio ambiente, pois dele depende a continuidade do seu negócio. O produtor rural é, portanto, fundamental para o equilíbrio ambiental, social e econômico do país.

A categoria obedece a uma rigorosa legislação ambiental e atua sob frequente fiscalização de órgãos municipal, estadual e federal, que exigem licenciamento, autorização de supressão, outorgas de água, programas de gestão de resíduos e de manejo de solos e de água dentro da propriedade, dentro outros. O agricultor do oeste da Bahia preserva 64% de mata nativa, além de investir em tecnologia para aumentar a produtividade e desenvolver projetos de sustentabilidade, como o Soja Plus e o Programa Algodão Brasileiro Responsável (ABR), que na safra 2017/2018 certificou como sustentável 77,7% da área plantada com algodão.

Considerando ser a terra o maior patrimônio do agricultor, atribuir a este que tem como referência princípios seguros e claros de proteção ambiental, de sustentabilidade e comprometimento social  atos criminosos é de uma irresponsabilidade ímpar e de consequências imensuráveis, capazes de  pôr em xeque não apenas o setor do agronegócio responsável, mas toda a população, uma vez que ameaça a segurança alimentar e o desenvolvimento social e econômico do Brasil.

Dessa forma, a Aiba e Abapa rebatem tais acusações e apelam para que a sociedade brasileira evite a propagação das mesmas, disseminando dados equivocados e que podem colocar em risco conquistas alcançadas durante longos anos, com muito custo e exaustivo trabalho por parte de homens e mulheres que movem o setor agrícola. Não há espaço para o retrocesso. O agricultor ético, responsável e comprometido exige e merece respeito.

Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba)

Associação Baiana dos Produtores de Algodão (Abapa)”

AGROemDIA

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