Ministério da Agricultura interdita fabricante da cerveja Belorizontina

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Foto: Mapa/Divulgação

Marca, da Cervejaria Backer, é suspeita de ter causado “doença misteriosa” em MG. Polícia diz ter achado na bebida dietilenoglicol – anticongelante de uso comum na indústria e altamente tóxica para ser humano

Diante do risco iminente à saúde pública, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) realizou, como medida cautelar, o fechamento da Cervejaria Backer, fabricante da cerveja Belorizontina. Também foram determinadas ações de fiscalização para a apreensão dos produtos que ainda se encontram no mercado.

Segundo a Polícia Civil de Minas Gerais, por meio de informação preliminar de 9 de janeiro de 2020, foi identificada a substância “dietilenoglicol” em amostras de cerveja pilsen, marca Belorizontina, lotes L1 1348 e L2 1348.

Auditores fiscais federais agropecuários – nas especialidades farmacêutica, química e de engenharia agronômica – prosseguem apurando as circunstâncias em que ocorreram a contaminação verificada pelas autoridades policiais nos lotes indicados, a fim de dar pleno esclarecimento à população dos fatos.

Análises laboratoriais seguem sendo realizadas nas amostras coletadas pela equipe de fiscalização das Superintendências Federais de Agricultura. Além disso, mais de 16 mil litros de cervejas foram apreendidos cautelarmente. Novas informações serão prestadas após os resultados das análises laboratoriais feitas pelo Mapa.

Segundo a diretora de marketing da empresa, Paula Lebbos, a fabricação dos produtos já iria ser interrompida. “A gente já havia decidido parar a nossa produção para realmente buscar fatos e esclarecimentos”, informou ela ao site O Tempo, de MG.

Casos

A força-tarefa da Polícia Civil criada para investigar os pacientes suspeitos de terem contraído uma “doença misteriosa” em Belo Horizonte informou nessa sexta-feira 10(10) que aumentou para 10 o número de possíveis casos, e uma morte.

A vítima fatal foi o bancário Paschoal Demartini Filho, 55 anos, morador de Ubá, na Zona da Mata. Segundo familiares, ele e um genro ingeriram a Belorizontina no bairro Buritis, região oeste, no fim de dezembro. O genro de 37 anos também está internado com a doença.

Entenda

Nas cervejas da marca Belorizontina, que é da cervejaria Backer, foram encontradas dietilenoglicol – substância anticongelante, de uso muito comum na indústria e altamente tóxica para ser humano.

A Backer informou que continua colaborando com as autoridades, e que tem todo interesse em esclarecer os fatos. Ela também afirmou que a substância dietilenoglicol não faz parte de nenhuma etapa do processo de fabricação de seus produtos.

Saiba o que é dietilenoglicol

A presidente da Sociedade Mineira de Nefrologia e professora da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Lílian Pires de Freitas, contou que como a substância não é própria para o consumo, os casos de ingestão de dietilenoglicol são raros e geralmente de forma acidental.

“Quando a substância é ingerida, ela é rapidamente absorvida e se dirige ao fígado para ser processada e se transforma em outros compostos que são altamente nocivos para o organismo.  Depois ela começa uma série de lesões progressivas no corpo. A fase inicial são sintomas no trato gastrointestinal, depois passa para a destruição dos rins e por fim alterações neurológicas.”, explica a professora.

Os sintomas são semelhantes aos que as pessoas internadas com a doença misteriosa estão. De acordo com a Secretaria de Estado de Saúde, os pacientes começaram com sintomas gastrointestinais, como náusea, vômito e dor abdominal, associados à insuficiência renal aguda grave de evolução rápida, que progride em 72 horas, seguida de uma ou mais alterações neurológicas, como paralisia facial, borramento visual, amaurose, ou seja, perda de visão, alteração de sensório e paralisia descendente.

Tratamento

Quando se descobre a intoxicação por dietilenoglicol logo no início existe um antídoto que é administrado no hospital para não ocorrer a produção dos compostos tóxicos pelo fígado. “Quanto mais rápido o tratamento acontecer, menos vai destruir às células. A recuperação e o tratamento dependem da quantidade de produto ingerido e da gravidade da lesão”, ressalta a nefrologista.

Uso

Substância anticongelante bastante aplicada em sistemas de refrigeração pelo mundo, o dietilenoglicol não costuma ser usado nas instalações das cervejarias artesanais brasileiras. Além dos riscos de contaminação – mesmo que reduzidos –, o produto tem preço alto se comparado a uma solução de água e álcool etílico – igualmente capaz de manter a cerveja resfriada.

É este o exato ponto defendido tanto por fabricantes quanto pelo presidente da Associação Brasileira de Cervejarias Artesanais (Abracerva), Carlo Lapolli, como forma de deixar os consumidores mais tranquilos.

*Com informações do Mapa e do site O Tempo

AGROemDIA

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