Forrageira desenvolvida para a Região Sul fixa nitrogênio no solo

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Foto: Gustavo Silva/Mapa

O trevo-vermelho, uma das leguminosas forrageiras mais cultivadas do mundo, tem agora uma nova cultivar selecionada e melhorada, com boa adaptação às condições de clima e solo da Região Sul do Brasil. Trata-se da URS BRS Mesclador, desenvolvida pela Embrapa e Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), por meio do convênio com a Associação Sul-brasileira para o Fomento de Pesquisa em Forrageiras (Sulpasto). Ela será lançada oficialmente na 21ª edição da Expodireto Cotrijal, no município gaúcho de Não-Me-Toque, no início de março.

A cultivar recém-desenvolvida é recomendada para formação de pastagens cultivadas consorciadas e para sobressemeadura em pastagens naturais na Região Sul, apresentando um bom estabelecimento e competitividade inicial de plantas. De modo geral, o trevo-vermelho (Trifolium pratense L.), quando consorciado com gramíneas (azevém, aveia, etc) ou sobressemeado em campos naturais, incrementa a qualidade dessas pastagens por possuir elevado valor nutritivo (boa digestibilidade e elevados teores de proteína).

Além disso, por ser uma leguminosa, através da simbiose com bactérias do gênero Rhizobium, fixa nitrogênio atmosférico, reduzindo a necessidade de adubações nitrogenadas com o passar do tempo. Essa característica pode ser potencializada por meio de consórcios com as gramíneas forrageiras de inverno mais comumente usadas no sul do Brasil.

“Essas gramíneas também têm uma boa qualidade, porém, como em grande maioria são espécies anuais, apresentam uma oscilação dessa qualidade e produtividade ao longo do seu ciclo, que podem ser compensadas pela produção do trevo-vermelho, que é uma espécie perene de vida curta,” explica o pesquisador de forrageiras da área de forrageiras da Embrapa Pecuária Sul, Daniel Montardo.

Por isso, ele acredita que o uso da cultivar URS BRS Mesclador em consórcio com essas gramíneas de inverno é capaz de promover maior produção total e maior qualidade de forragem. Ele relata que o novo material possibilita melhor distribuição da produção e da qualidade ao longo do tempo. “Sem contar os menores custos de adubação nitrogenada da pastagem. Além de economia, essas características contribuem para melhoria da qualidade do solo”, destaca Montardo que também é chefe-geral daquela Unidade de pesquisa.

A cultivar URS BRS Mesclador foi selecionada para produção de forragem e persistência, sendo recomendada para áreas bem drenadas de média a alta fertilidade do solo.

Desenvolvida npara as condições nacionais

O trevo-vermelho é uma das leguminosas forrageiras mais cultivadas no mundo. Seu cultivo foi introduzido no Rio Grande do Sul por meio dos imigrantes europeus, na região da Serra e Planalto do estado, e mostrou boa aptidão para uso como forragem.

Porém, ainda são poucas as cultivares de trevo-vermelho registradas para uso no Brasil.  “Hoje não existe nenhum material nosso desenvolvido para as nossas condições, é lógico que quando se traz um material de fora ele tem alguma adaptação, mas essa nova cultivar é produto nosso, mais adaptado às nossas condições e vai gerar recursos que vão ficar no Brasil. Um material que é produzido na Argentina ou no Uruguai, por exemplo, gera renda lá, porque a semente é produzida lá”, destaca o professor da UFRGS, Miguel Dall’Agnol.

O trevo-vermelho é uma espécie bienal ou perene de curta duração. No entanto, a espécie, em geral, sofre com as altas temperaturas do verão na maior parte das regiões do Sul do Brasil. “A cultivar URS BRS Mesclador é oriunda de plantas selecionadas para produção de forragem e persistência desde 1995, com bom nível de persistência nas regiões com verões mais amenos no Sul do Brasil, desde que bem manejadas e com bom nível de fertilidade. Nas demais regiões, também apresenta boa contribuição na produção de forragem em pastagens consorciadas até o fim da primavera, quando pode ser diferida para se permitir uma ressemeadura natural e, dessa forma, uma longevidade maior na área”, destacou Montardo.

“Esses materiais foram selecionados com o foco principal na persistência, e em segundo lugar pela produção de forragem. Por isso, ele produz bastante forragem e também persiste, sem esquecer que também gera semente, porque os materiais que não as geram não têm apelo comercial para os produtores de semente. Basicamente, a cultivar tem essas três características: persistência, produção de forragem e de semente”, completa Dall’Agnol.

O trevo-vermelho

O trevo-vermelho (Trifolium pratense L.) é originário do sudeste da Europa e Ásia Menor. Atualmente encontra-se distribuído pela maior parte das regiões de clima temperado do mundo: em praticamente toda a Europa; na maior parte da América do Norte; do sul da América do Sul até o norte do Chile e Argentina e regiões elevadas no Peru; na Nova Zelândia e Austrália; no norte da China e no Japão.

Na América do Norte, a espécie apresenta grande importância econômica, se destacando em cultivos isolados ou consorciados com gramíneas para a produção de feno no nordeste dos Estados Unidos. Além de estar presente em grandes áreas de pastagens e de produzir feno em grande quantidade, também apresenta grande importância econômica devido à produção de sementes, especialmente na região noroeste dos Estados Unidos.

O trevo-vermelho foi introduzida no Brasil pelos imigrantes italianos no Rio Grande do Sul, onde diversos trabalhos científicos ao longo do tempo consideraram a espécie como boa produtora de forragem em praticamente todas as regiões, com destaque para aquelas que apresentam verões com temperaturas mais amenas e boa quantidade e distribuição de chuvas.

Da Embrapa Pecuária Sul

 

 

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